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14 novembro 2014

POESIA REUNIDA, de Adelino Torres - Prefácio de Maria Manuela Araújo

Prefácio
Poesia Reunida (2014) é o maior conjunto poético de Adelino Torres, uma voz relevante da poesia contemporânea. Reúne toda a poesia escrita entre 2005 e 2014, seis livros publicados de poesia, e inclui Reserva de Memória (Livro VII), uma série de poemas inéditos, com dois poemas da pequenita Adèle Lambert, sua neta, que aqui se dão à estampa. A poética de Torres foi-se construindo pela força inerente à sua vivência de margem. Refractária ao gregarismo que a proscreveu, insistiu caminhar para outros centros: «Que «força nova»?»[1], pergunta, curiosamente, Manuel Ferreira. Ao revés, Alfredo Margarido e António Jacinto perceberam, de outra forma, que o carácter subversivo deste discurso poético era a razão da inactual versatilidade que ainda o caracteriza, nas memórias que guarda e nos diálogos que estabelece, com amigos, escritores, autores, em outras geografias. Poesia Reunida é um ponto de chegada no trajecto desassossegado do poeta, encontro de idas e vindas, reunião de sete livros de poesia, publicados entre 2008 e 2014, escritos poéticos que ainda se cruzam, em conversa imanente, com outros anteriores, de sua autoria. Pensando no título do Livro VI, A Caminho do Sul (2013), e fazendo a expansão da sua metáfora poética, digo que escapar a Sul, ou fora de vigilância, é falar a mesma língua das diásporas discursivas que contestam. Mas afinal, que poeta é este? O que corre de um lado para o outro e se espalha para diversos lados. E que poética? a que corre no reverso da tranquilidade dos discursos aceites.