Prefácio
Poesia Reunida (2014) é o maior conjunto poético de Adelino Torres, uma voz relevante
da poesia contemporânea. Reúne toda a poesia escrita entre 2005 e 2014, seis
livros publicados de poesia, e inclui Reserva
de Memória (Livro VII), uma série de poemas inéditos, com dois poemas da
pequenita Adèle Lambert, sua neta, que aqui se dão à estampa. A poética de
Torres foi-se construindo pela força inerente à sua vivência de margem.
Refractária ao gregarismo que a proscreveu, insistiu caminhar para outros
centros: «Que «força nova»?»[1],
pergunta, curiosamente, Manuel Ferreira. Ao revés, Alfredo Margarido e António
Jacinto perceberam, de outra forma, que o carácter subversivo deste discurso
poético era a razão da inactual versatilidade que ainda o caracteriza, nas
memórias que guarda e nos diálogos que estabelece, com amigos, escritores,
autores, em outras geografias. Poesia
Reunida é um ponto de chegada no trajecto desassossegado do poeta, encontro
de idas e vindas, reunião de sete livros de poesia, publicados entre 2008 e
2014, escritos poéticos que ainda se cruzam, em conversa imanente, com outros
anteriores, de sua autoria. Pensando no título do Livro VI, A Caminho do Sul (2013), e fazendo a
expansão da sua metáfora poética, digo que escapar a Sul, ou fora de
vigilância, é falar a mesma língua das diásporas discursivas que contestam. Mas
afinal, que poeta é este? O que corre de um lado para o outro e se espalha para
diversos lados. E que poética? a que corre no reverso da tranquilidade dos
discursos aceites.
