18 junho 2011

Amadeu Ferreira – Lições de Fogo


   
 Tempo de Fogo (Âncora Editora, 2011) é o primeiro romance de Amadeu Ferreira, intelectual com riquíssimo currículo nas letras nacionais, de que deu largas provas nos domínios da poesia, da tradução, do ensaio e da crónica jornalística, quer em português quer em mirandês, ao longo de mais de quarenta anos. Num texto intitulado «Grito no Silêncio», escrito aos 19 anos, publicado a 7 de Novembro de 1969, na ‘Tribuna dos Novos’, do Mensageiro de Bragança, o jovem Amadeu escreve:
“Noite. Os passos incertos de dois jovens sob o firmamento. A sua voz é a sua alma a palpitar em uníssono, é um grito no silêncio da noite, mas um grito que morre sem eco. Nos seus olhos a noitidão e a profundeza de estrelas.”
  Observe-se como em apenas três linhas se revela já o embrião de um futuro escritor. Num cenário de deambulação nocturna, propício à concentração das emoções, o leitor é tocado pelo sentimento de comunhão de duas almas, de partilha afectiva a que não é alheio o estrangeiramento, a angústia, a solidão, relativamente a um mundo exterior onde o grito de revolta morre sem eco. Repare-se na última frase: Nos seus olhos a noitidão e a profundeza de estrelas. Elevação, profundidade e negrume criam a estes dois seres humanos uma moldura que os fragiliza, mas simultaneamente lhes confere dinamismo e coragem para arrostar com a noite, que neste contexto traz consigo uma simbologia de cariz ideológico. A belíssima palavra «noitidão» é um neologismo de Amadeu Ferreira, significante carregado de sentido onde se conglomera a noite, a escuridão, o peso da solidão. Estamos perante uma pérola linguística, que funciona como um pirilampo na berma de um caminho, permitindo vizualizar aproximativamente o que será o centro do trilho que mais tarde virá a percorrer em Tempo de Fogo, romance onde se revela a literatura como linguagem carregada de sentido, segundo Ezra Pound, numa definição que parece simples, de tão evidente, pois que o sentido é inerente a toda a linguagem, mas será precisamente a carga emocional que a transfigura enquanto literatura. O leitor tem perfeita noção daquela carga emocional, em vários momentos do romance, e, de modo particular, através da personagem Frei António da Santíssima Trindade, pregador de alto coturno, de matriz panteísta, doutor por Salamanca, que detém o poder supremo de curar pela palavra. Este doutor é, todavia, o mais simples dos homens, transformando-se no avesso de um Freud avant la lettre, que aos poucos vai curando  Laurinda, a Doida da Taneria, pela força melodiosa do sons  da sua  boca,  fonte de onde jorra a água das palavras que lava a alma da pobre doente, atada por uma corda a uma argola, lançando ao vento os seus gritos de desespero, louca furiosa que o povo julga possuída pelo demónio e que, na realidade, sofre a sede do abandono, da depressão pós-traumática, como hoje se diria, depois de os esbirros ao serviço da Inquisição lhe matarem o marido, em plena lua-de-mel, assim transformada em lua de fel. Só Frei António a entende e a liberta da corda que a acorrenta. Só Frei António lhe traz calma através da água límpida das suas palavras e “a água só é boa se sair de boa fonte. Há uma água que tira a sede e há uma água que mata. A mesma coisa se passa com as palavras, tudo depende de quem as diz. Há palavras bonitas que são puro veneno quando saem de bocas envenenadas. Essas são as piores, porque enganam mais. São palavras do diabo.”
As palavras de Frei António eram, na realidade, água puríssima, bálsamo sobre a alma ferida da pobre Laurinda. Ouçamo-las, porque também a nós, leitores, elas nos fazem bem, neste mundo em que as vozes, as mais das vezes, são monólogos lançados ao vento:
“Nos primeiros tempos, era eu que tinha de começar a falar. Sentava-me, olhava de longe e começava devagar, dando tempo às palavras de encontrarem o seu caminho, dizendo-as de modo muito claro. Ainda bem que ninguém aparecia por aquele cabanal, senão não saberia como fazer, pois quem fala sozinho diz-se que não está bom do miolo. Depois de algumas falas, lá vinha a Laurinda ter comigo, cãozinho a aninhar-se aos pés do dono. Sentia-a aproximar-se sem nunca me calar ou alterar o tom de voz, com medo de que desconfiasse de que tudo não passava de isco para a encandear. Algum tempo depois de ter aparecido pelo cabanal, ela nem esperava que eu começasse a falar. Pegava-me na mão e levava-me para onde me pudesse sentar, quase sempre uma pequena pia de pedra onde bebiam as galinhas. Ela sentava-se no chão, a meus pés. Depois, enchia os olhos de perguntas e esperava os primeiros sons. Assim que a envolviam, saía-lhe um sorriso doce, encostava a cabeça aos meus joelhos, com as mãos debaixo para não sentir a aspereza do pardo no seu rosto suave.”
Estes encontros  criam  um forte laço de afecto terapêutico recíproco, porque se a palavra do frade dá a Laurinda a paz de que precisa, ela transforma-se na ouvinte ideal deste pregador desapossado dos seus fiéis, a quem o bispo proibiu de dizer missa e que acabará “relaxado em carne”, na fogueira da Inquisição de Coimbra, condenado pelo pecado de juventude de ter amado outro homem, Luís de Medina, sentenciado também ele pelo “crime nefando” que a Inquisição não perdoa.  Quando retiram a Laurinda as palavras de Frei António, a rapariga acabará por morrer, provando-se desta forma que eram apenas as suas palavras que a seguravam à vida. Sentenciando-lhe o marido e depois  Frei António, os inquisidores matam ainda uma terceira vítima inocente, incapaz de resistir à dupla perda. Entrámos no reino do absurdo onde ditam as leis os brancos frades  da Ordem de São Domingos, de alma enegrecida, da cor do  pez que faz arder os condenados. Neste reino, em nome de Deus, o amor homossexual é considerado crime para legitimar o verdadeiro  crime de torturar e assassinar em fogo lento.  Nem Hitler foi tão longe, pois que gazeava os judeus antes de os queimar e a famigerada estrela amarela recua no seu uso ao século XIII, mais precisamente ao Quarto Concílio de Latrão, convocado por Inocêncio III, mostrando que Deus tem as costas largas, que em seu nome quantos crimes se cometeram, parafraseando Madame Roland à beira da guilhotina:” Ô Liberté, que de crimes on commet en ton nom!”
Amadeu Ferreira sabe dosear com extraordinária destreza  a carga emocional da linguagem, pois, se não consegue mudar o rumo da negra História da Inquisição e punir os assassinos de Frei António da Santíssima Trindade, para consolo do leitor, não vai deixar impune o  assassinato do jovem marido de Laurinda. O sogro jurara que não iria embora deste mundo sem vingar a morte do genro, às mãos do temível guarda do meirinho de alcunha “o Algoz”. Manuel Miguel, pai de Laurinda, assim o disse e assim o fez:
“Pouco passaria do meio-dia quando o Algoz teve de ir satisfazer as suas necessidades atrás da curriça, agachando-se perto de umas carvalheiras. Manuel Miguel estava mesmo por detrás dele, escondido nessa moita para que ninguém o visse. Quem diria que o seu inimigo viria ter com ele daquela maneira, bastando estender o braço para o alcançar? Deixou-o fazer um bom montão de fezes e depois, como um relâmpago, Manuel tira a correia que trazia no bolso e deita-a ao pescoço do Algoz. Nem ele mesmo sabe como fez tudo tão depressa, pois nunca tinha imaginado que as coisas se iam passar assim. O Algoz bem esperneou, bem esbracejou, mas Manuel Miguel era um homem forte e nem o deixou mexer do sítio onde estava, puxando-lhe a cabeça para trás de modo a olhá-lo bem nos olhos e cuspindo-lhe uma risada macaca. Não lhe apertou demasiado a correia para não lhe deixar marcas demasiado suspeitas no pescoço. Mal o Algoz desmaiou, como ainda não estava morto, torceu-lhe o pescoço e partiu-lhe a espinha com um safanão forte e seco. Virou-lhe a barriga para baixo e espetou-lhe a boca contra o monte de fezes que ele próprio tinha feito.”
 Repare-se na simbologia deste acto final de humilhação excrementícia. Se o homem é pó e em pó se há-de tornar, a natureza moral do Algoz era a mesma matéria em que mergulhou de borco na cena fecal – e final. Diz-me o que és, dir-te-ei o que procuras e que finalmente encontras, pensará o leitor. Interpretada a causa da morte como presumível ataque cardíaco, a ironia final do autor concentra-se nestas breves palavras: “Deus fez o seu trabalho e pronto. Vamos embora.”
 Romance em trânsito, à maneira de Montaigne, Amadeu Ferreira não pinta o ser, pinta a passagem, porque cada homem traz em si a forma inteira da humana condição. As personagens vão sempre a caminho de alguma coisa: a caminho da sé de Miranda, onde o Bispo chama Frei António para o prender; a caminho da feira de Mogadouro, onde os pobres sapateiros vão vender as socas e, sobretudo, em busca de um patrão que durante algum tempo lhes mate a fome; a caminho da feira do Naso, como António Tolês, o de mala sangre, que deve a alcunha à avó queimada em Toledo; a caminho de Coimbra vai a leva dos presos, para prestar contas à Mesa da Inquisição. Trânsito em viagem de fim incerto, que duplica a metáfora da vida humana, do homo viator.
 Ludovina é outra personagem marcante deste romance, pobre rapariga grávida que se atira das muralhas de Miranda, apaixonada por dois Antónios, o frei, marcando uma paixão da alma, e o Tolês, marcando uma paixão do corpo, o qual  faz a ponte entre ambos, numa cena de violência sexual, mas de grande elegância verbal, que constitui  o único verdadeiro pecado de Frei António, porque atentatório da liberdade do parceiro. Este é também um romance que vive de fantasias eróticas como a da extraordinária Maria Castra, a quem nenhum homem tocou, mas que  sonha com um cristão-novo, que por ironia do destino virá a transformar-se na sua própria condenação. Numa cena de grande ternura, de noite, um dedo entrelaçado através de uma frincha, pode salvar mais almas do que todas as orações do mundo. A solidão compensa-se com pouco, tal como a fome se contenta com o mínimo - uma côdea de pão que se distribui entre os presos, num tempo de fome, que é também esse tempo de fogo e de hipocrisia em que se acusam de heresia os vizinhos para salvar a própria pele, quantas vezes inutilmente, e, sobretudo, como maneira “santa” de ficar com as terrinhas deles.
Romance de matriz realista, mas também reflexiva, ao modo proustiano, sobre o valor do tempo, da memória e do esquecimento, da culpabilidade intrínseca que determina a angústia existencial da condição humana:
“Toda a gente tem alguma coisa no seu passado que gostaria que nunca tivesse acontecido ou que se tivesse passado de modo diferente, recordações que tudo faria para que fossem esquecidas para sempre, palavras que ficaram agarradas ao tempo como vento a ondear pelos trigais, factos que parecem a respiração de um bafo de eternidade, pois não há maneira de se corromperem  e desaparecerem como tudo o que é humano. São como um ovo que pode demorar anos até ser chocado, água que pode correr quilómetros debaixo da terra e demorar anos, por vezes séculos, até encontrar um veio por onde possa subir e sair numa fonte. […]  
O tempo persegue-nos mais do que pensamos, o nosso tempo nunca passa enquanto estivermos vivos, pronto a engolir-nos, sempre crescendo, como tudo o que vem de trás, ainda que as nossas recordações dos factos já tenham acalmado. Também assim foi criado o mundo em que vivemos e nem este seria a nossa casa se não fosse feito de memórias, de instantes e de vidas de onde goteja o orvalho do tempo, cabide onde a vida se expõe. “                                                                                                
Romance de valores intemporais, o autor vai fundo na denúncia da mesquinhez, da inveja, esse monstro de olhos verdes, como disse Shakespeare, a besta do Apocalipse, como escreveu Amadeu Ferreira, fénix rastejante eternamente pronta a renascer, qual caruncho silencioso que ataca surdamente, “sobretudo a  partir dos que estão mais perto de nós, os que se apresentam como os nossos melhores amigos, aqueles em relação a quem estamos mais desprevenidos”.  Este sentimento negativo é o avesso da admiração, como vemos em Frei Leon de Castro, professor catedrático da Universidade de Salamanca, agitador dos caldeirões da inveja, que  tudo faz para arrasar o tradutor do Cântico dos Cânticos, Frei Luís de Léon, o mais sábio dos homens.
 Através da figura de António Tolês denuncia-se também a claustrofobia dos espaços concentracionários da aldeia, onde todos devem prestar contas aos olhos dos vizinhos, onde não se suporta que alguém mostre que conhece o que aí se ignora. Foi pelo Tolês trota-mundos que a aldeia soube da existência de Veneza, de Milão, de Avinhão e de outras tantas cidades. Pelo mundo descobriu que há testamentos falsos e uma frase o condenou: a comparação do presumível falso testamento de seu  pai ao Testamento de Cristo. Passando-se a acção principal no século XVII, sem o Tolês como correio, não teriam os papéis de Frei António chegado às mãos de João Gabriel, um professor republicano de Sendim, em Setembro de 1921, mês do nascimento do pai do autor, que frequentou a escola do Canzelo, a mesma onde lecciona este professor.  Esta data antecede em um mês a fundação da Seara Nova, mostrando como o ideário republicano tem muito em comum com o de Frei António, já que a justiça, a liberdade e a tolerância são valores partilhados pelas pessoas de bem de todas as épocas, porque “a maldade não está nas coisas mas em quem olha para elas”. Frei António encontra um duplo ouvinte e, tal como, através da fala, tentou salvar Laurinda trezentos anos antes, tenta agora salvar pela escrita o professor João Gabriel, pois lhe muda a vida, e vai fazê-lo dizer que “os professores são deuses caídos, há muito tempo expulsos do paraíso”. Fora do paraíso só há um caminho: o do regresso. Para isso é preciso aprender a intervir na sua comunidade escolar e intervir é criar problemas para lhes encontrar a solução. Esta é aritmética dos que acreditam que, denunciando a injustiça, o preconceito, os falsos moralismos, é possível construir um mundo melhor. A estratégia é de uma extraordinária simplicidade: como Frei António, basta falar e fazer-se ouvir: “Falar é criar sentidos atirados a quem os queira apanhar.” Por isso, Amadeu Ferreira, através do professor João Gabriel, sabiamente conclui o romance: “Ainda bem que já não ardem as fogueiras. Ou será que continuam à espera de quem as volte a acender?”
Para que o tempo de fogo possa ficar definitivamente extinto, será bom  seguir o exemplo  de Eduardo Lourenço, que nos diz: “Não emprestarei os meus joelhos aos ídolos sentados no lugar impossível de Deus.” Esse lugar que não mais deve ser possível é o da intolerância sexual, religiosa ou política. Porque “ainda não se inventou uma ferramenta para dobrar a liberdade sem a matar”. Através da defesa acérrima de valores de liberdade, Amadeu Ferreira mostra-nos que a literatura tem uma função social, sem deixar de ser arte da linguagem.
O médico e escritor Ferdinand Céline era vizinho de Jorge Listopad, que tinha as filhas doentes – duas  gémeas ainda bebés. Certa noite foi bater à porta de Céline pedindo-lhe o favor de ir vê-las. Este respondeu, certeiro: não posso deixar o meu cão sozinho. Como vemos, ser um grande escritor não transforma ninguém num grande homem. Todavia, um grande homem que domine superiormente a arte da linguagem  será sempre um grande escritor.  Como disse François Mauriac, o escritor é  um homem que não se resigna à solidão.  Amadeu Ferreira jamais se resigna e um romance como Tempo de Fogo não pode ser calmo, porque fala da vida autêntica do espírito que é luta, e só os pântanos são calmos. Este é um livro de revolta prometaica contra os pseudo-donos de Deus, que, invocando falsamente o seu nome, acendem as fogueiras da intolerância, queimando homens, queimando bibliotecas, queimando a chama da inteligência, inextinguível  como a pequenina luz de um belíssimo poema de Jorge de Sena. Este é um livro sem repouso, pois que no reino das palavras, não existe repouso, como escreveu David Mourão-Ferreira, “porque nele se espelha, se empenha e se renova o que há de mais profundo na condição humana”. Tem razão Afonso Lopes Vieira, quando diz: “As palavras são como as pedras. O espírito é que as lavra.” Amadeu Ferreira lavrou-as impecavelmente neste belíssimo romance, que vai marcar de forma impressiva a memória dos leitores.
Teresa Martins Marques
Bragança, 10 de Junho de 2011

15 junho 2011

O Brado de Varsóvia

Junto a minha voz ao Brado de Varsóvia.
Ao Levante e à Revolta jovem do gueto.
Aos suspiros finais de Treblinka.
Ofereço as minhas maõs aos protestos
da Luta Judaica,
ao trabalho voluntário e clandestino do gueto,
aos orfanatos e hospitais,
à «República das Crianças», à imprensa, à escola,
aos concertos, ao teatro, às exposições
de arte ... do gueto judaico.

Como a Europa morreu em Varsóvia,
no extermínio, na escravatura e na fuga.  

Maria Manuela Araújo

02 junho 2011

Livros em Junho



No âmbito da iniciativa Artes e Livros, promovida pela Câmara Municipal de Bragança, entre 6 e 12 de Junho, tem a Academia de Letras de TRás-os-Montes uma significativa presença, para cujas sessões se convidam os associados. 


9 de Junho ( quinta-feira)

17:30 – Lançamento do romance Angola Amor Impossível, de A. Passos Coelho. Apresentação de Maria Hercília Agarez. Centro Cultural Adriano Moreira.

10 de Junho (sexta-feira)

17:30 - Lançamento do romance Tempo de Fogo/ La Bouba de la Tenerie,  de Amadeu Ferreira/Fracisco Niebro. Apresentação de Teresa Martins Marques e Alfredo Cameirão. Centro Cultural Adriano Moreira.

11 de Junho (sábado)
  
17:00h – Lançamento do livro (Re)Cantos d´Amor Morto, de Pedro Castelhano [Rogério Rodrigues]. Centro Cultural Adriano Moreira.
  
12 de Junho (domingo)

17:00 - Assinatura do Protocolo entre a Câmara Municipal de Bragança e a Academia de Letras de Trás-os-Montes.
17:30 - Apresentação de A Terra de Duas Línguas. Antologia de Autores Transmontanos, por Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira. Centro Cultural Adriano Moreira.

Ernesto Rodrigues



17 maio 2011

A. M. Pires Cabral vence o Grande Prémio de Conto "Camilo Castelo Branco"

Com grande satisfação e muitos parabéns ao Presidente da Assembleia Geral da ALTM, A. M. Pires Cabral, transcrevemos o seguinte Comunicado de Imprensa da APE - Associação Portuguesa de Escritores:

COMUNICADO DE IMPRENSA

A. M. PIRES CABRAL vence o
GRANDE PRÉMIO DE CONTO “CAMILO CASTELO BRANCO”
C. M. DE VILA NOVA DE FAMALICÃO/APE

Um júri constituído por Afonso Cruz, José António Gomes e Serafina Martins, com a coordenação de Fernando Miguel Bernardes, reunidos na Sede da APE, decidiu por unanimidade, atribuir o prémio ao livro “O Porco de Erimanto“, de A. M. Pires de Cabral (Cotovia).


“O júri valorizou a arquitectura dos enredos, a capacidade de jogar com a perspectiva do narrador, a diversidade dos registos linguísticos (do erudito ao mais coloquial e até ao escatológico) e o trabalho de apuro estilístico do texto. A exploração do absurdo e o sentido de humor constituem dois outros traços marcantes de uma colectânea que se distingue pela sua unidade e equilíbrio internos e pela cultura literária evidenciada pelo Autor.”
(Fundamentação do júri)



O Prémio, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão é relativo ao ano de 2010 e o seu valor é de 7.500 euros.
Anteriormente distinguidos com o galardão foram os escritores Mário de Carvalho, Teresa Veiga, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho, Miguel Miranda, Luísa Costa Gomes, José Jorge Letria, José Eduardo Agualusa, José Viale Moutinho, António Mega Ferreira, Teolinda Gersão, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel Jorge Marmelo, Paulo Kellerman, Gonçalo M. Tavares, Ondjaki, Teresa Veiga, pela 2.ª vez e Afonso Cruz.

A cerimónia de entrega do prémio será oportunamente divulgada.

A Direcção



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07 maio 2011

Manuol Sardina (1841-1911)


Manuol Sardina, nome mirandés de l abade de Samartino de Angueira, Manuel Joaquim Sardinha, fui un grande poeta mirandés de l seclo XIX, colaborador de A Folha de João Penha i de outras rebistas de l tiempo, eiqui cul pseudónimo de Manuel Sardenha. Un die destes publicaremos la sue obra, yá que faç astanho 100 anhos que se morriu.
Eiqui deixo un cacho dua carta que le screbiu a José Leite de Vasconcelos an  outubre de 1884 i que nun percisa de comentairos ou apersentaçones para alhá deilha mesma:



... You mesmo, que sei bien este dialeto, solo agora, grácias al buosso bun eisemplo, i tamien al bun gusto que m’apeguestes, ampeço a çcubrir filones d’ouro nesta antressantíssima lhéngua, que se ten cunserbado stacionária, cumo las gentes senzielhas que la fálan, Dius sabe quantos seclos haberá yá. I todo esto debemos nosoutros, los anfelizes mirandeses, a los gobernos paternales de l rei nuosso sinhor, que siempre nos há çpreziado i a los sábios nun menos paternales de las nuossas academias, que nin sequiera sáben de la eisisténcia de tal mina, esto ye, de tal lhéngua. Bergonha aterna a todos eilhes!...




29 abril 2011

Tertúlia Literária

                                               TERTÚLIA LITERÁRIA

Decorreu como planeado a nossa primeira Tertúlia Literária: organização conjunta da ALTM e da CMB. As meias finais da Taça da Europa e uma outra actividade simultânea relacionada com a Comemoração da República fez com que os participantes fossem em reduzido número (cerca de uma vintena), mas nem por isso o fervor poético e a condição transmontana esmoreceram. Discussão vivíssima sobre poemas e poetas da nossa terra. Torga, AM Pires Cabral, António Cabral suscitaram interessantíssimos comentários, opiniões vincadas, radicais tomadas de posição, polémicas acaloradas.
As senhoras presentes, muito activas e informadas, marcaram o último ponto ao proporem para tema da próxima Tertúlia “Escritoras Transmontanas”.
Vão pois lendo as nossas maiores, e nem só, e compareçam na próxima iniciativa.
Já agora, aqui vai um de dois poemas de Fernando de Castro Branco, aí lidos, que com o romancista Manuel Cardoso e a cronista Hercília Agarez, moderou a Sessão.


OS RATOS

Minuciosamente avançam. De casa em casa, de rua
em rua, de leira em leira. O seu dia é uma noite suspeita
por onde passam: foragidos, roendo o pulmão da terra,
as raízes das vinhas, as espigas dos trigos, os caules
das macieiras. Deixaram o nome a bom recato, no esgoto
de cidades sem rosto. Vieram expressamente
para deixar a peste nas ruas, nas praças, nas casas,
nas hortas, nas mesas, nos olhos.

Quando partirem, uma faca atravessará
a luz, arrasará os muros antigos, contaminará
os campos. Os ratos. Resistem ao esforço meritório
de todos os venenos. Invadem o ventre da terra célula
a célula, com a persistência de uma neoplasia. Partirão
após o trabalho feito, os nacos merecidos.
Deixarão somente a noite atrás de si.
Vazia. Roída. Contaminada.

Fernando de Castro Branco

Estrelas Mínimas, Labirinto, 2008

25 abril 2011

25 de abril

[fuolha de un diário sien assinatura]

nesse die, oubi ua música stranha ne l rádio  a la purmanhana cedo; sali a arar to l die i solo me dei de cuonta de l que se habie passado quando amostrórun l Caetano a ir preso; ls dies apuis cuntinei cul araduro, que outro remédio nun tenie para fazer por pan; fui apuis desso que me afiç mais a ber las amboras na telbizon, anque nunca tenga dado para antender l mundo: até hoije; de l que se me lhembra bien ye que ls filhos yá éran grandes para quemer muito, mas pequeinhos para quedar a sou pan quemer; l restro fui apuis i inda dura, anque nun saba bien l quei, talbeç un cierto modo de cumo la lhuç chube ls dies, talbeç un aire mais suolto, un sereno que se lhebanta de ls puiales; agora l'arada yá nada quier cumigo,  mas inda me medra la grima de que nun tenga feito por pan que a la belheç chegue: talbeç de, mais que an burmeilhos crabos,  siempre haber deixado ir ls uolhos ne l ancanhar de ls panes i ne l sereno mar de sou marfuolho.

Fracisco Niebro (2010)





18 abril 2011

Prémio de Poesia Eugénio de Andrade 2011

Acaba de ser divulgado o regulamento do Prémio de Poesia Eugénio de Andrade 2011, instituído por Modo de Ler Editores e Livreiros.
O prémio tem uma dotação de 10,000 € e está aberto a trabalhos inéditos. O prazo de entrega de originais vai até 31 de Agosto do corrente an
Os interessados deverão obter junto da Editora o regulamento completo. 
Endereço: Praça Guilherme Gomes Fernandes, 43 – 4050-294 Porto.

12 abril 2011

Poesia e Poetas Transmontanos - Tertúlia Literária

Realizar-se-á no próximo dia 28 de Abril, última quinta feira do mês, às 21h30, na Biblioteca Municipal de Bragança, Praça Camões, a primeira Tertúlia Literária; organização conjunta da ALTM e da CMB. Salvo excepções, esta actividade decorrerá mensalmente sempre, precisamente, nesse local, hora e dia da semana. O tema deste primeiro encontro é "Poesia e Poetas Transmontanos". Será aberto ao público em geral e, naturalmente, contamos com a presença activa dos associados da Academia que, se assim o entenderem, participarão com a leitura de textos poéticos próprios, ou de outrem; desde que da autoria de poetas transmontanos ou textos que versem temáticas transmontanas, ainda que de autores não transmontanos.




11 abril 2011

Poesia de Fernando de Castro Branco

CRÓNICA DE POESIA de Fernando Guimarães, publicada no Jornal de Letras de 6-19 de Abril de 2011, sob o título A VIDA É CONCRETA, relativa aos dois mais recentes livros do poeta Fernando de Castro Branco, Vice-Presidente da direcção da Academia de Letras de Trás-os-Montes.



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29 março 2011

Projecto de acta da Assembleia Geral de 20 de março de 2011

[Aviso: O que a seguir se publica é o projecto de acta da Assembleia Geral da ALTM realizada no passado dia 20 de Março. Esta publicação tem o exclusivo objectivo de informar os associados de modo mais célebre, lembrando-se que não passa de um projecto que deverá ser presente à próxima Assembleia Geral, que o poderá alterar.]





-------------------------------------------------ACTA NUMERO DOIS ------------------------------------------------
Ao vigésimo dia do mês de Março do ano de dois mil e onze, pelas dez horas e trinta minutos, no pequeno auditório do Centro Cultural Adriano Moreira, em Bragança, reuniu a Assembleia Geral da Academia de Letras de Trás-os-Montes, sob a presidência de A. M. Pires Cabral, Presidente da Mesa, conforme convocatória de vinte de Fevereiro e com a seguinte Ordem de Trabalhos: ---
1. Apresentação pela Direcção do Relatório e Contas de 2010; ---------------------------------------------
2. Aprovação do Orçamento e Plano de Actividades para 2011; --------------------------------------------
3. Estabelecimento do montante da jóia e quota anual; --------------------------------------------------------
4. Outros assuntos. ------------------------------------------------------------------------------------------------------
Como à hora marcada não houvesse quórum, A. M. Pires Cabral deu início à sessão pelas onze horas, dando as boas-vindas aos presentes, felicitando e desejando as maiores felicidades à Direcção em funções, bem como exortou todos ao apoio dos trabalhos dessa mesma Direcção. Pediu ainda desculpa por eventuais desconformidades que pudessem verificar-se durante a sessão, decorrentes da sua falta de traquejo em funções semelhantes. Propôs, ainda, que, dada a ausência dos restantes membros da Mesa, aquela sessão pudesse ser secretariada por Alfredo Cameirão, dado o mesmo ter já exarado a acta da sessão anterior. Ainda antes do início da Ordem de Trabalhos, foi lida essa mesma acta, que foi julgada conforme e aprovada por unanimidade. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------
No primeiro ponto da Ordem de Trabalhos, Ernesto Rodrigues, na qualidade de Presidente da Direcção, apresentou o Relatório e Contas respeitantes ao ano de 2010, do qual realçou as reuniões havidas e os trâmites processuais burocráticos decorrentes da perfeita legalização da Academia, nomeadamente a obtenção do seu Numero de Identificação de Pessoa Colectiva bem como os respectivos pagamentos. Disse, também, sobre o aumento do número de Associados que no presente se cifra nos setenta e sete e acrescentou que haviam sido aprovados como sócios honorário: Eduarda Chiotte, Bento da Cruz, Luísa Dacosta e Hirondino Fernandes. Informou ainda ter sido aprovado um projecto de protocolo entre a ALTM e a Câmara Municipal de Bragança, a enviar a esta, para análise e aprovação. -----------------------------------------------------
O Presidente da Direcção informou, de seguida, sobre o montante total da despesa no ano de 2010: 460,98€ (quatrocentos e sessenta euros e noventa e oito cêntimos), sendo o montante global da receita igualmente de 460,98€ (quatrocentos e sessenta euros e noventa e oito cêntimos), havendo sido considerado o valor dos donativos, nomeadamente os livros doados para o espólio. Submetido a votação, o Relatório e Contas respeitante ao ano de 2010 foi APROVADO por unanimidade. ---------------------------------------------------------------------------------------
No ponto segundo, o Presidente da Direcção apresentou o Plano de Actividades para o ano de 2011, realçando as seguintes actividades: chancelar a edição dos três primeiros volumes de uma Bibliografia do Distrito de Bragança, já a ser preparada por Hirondino Fernandes; preparar, em conjunto com o IPB e sob proposta deste, a edição de uma Antologia de autores Transmontanos, cerca de 400 páginas, das quais 330 em língua portuguesa e 70 em língua mirandesa, projecto a ser executado até ao mês de Março de 2011 e apresentado em Junho do mesmo ano, inserido no encontro do Ensino Superior Lusófono, em Bragança; editar um volume de homenagem a A.M. Pires Cabral, por ocasião do seu septuagésimo aniversário, edição essa coordenada por Hercília Agarez e Isabel Alves. Disse ainda estarem previstas: a participação e dinamização da Feira do Livro de Bragança, evento organizado pela Câmara Municipal de Bragança; o lançamento de uma tertúlia nas últimas quintas-feiras de cada mês, com início a 28 de Abril, tertúlia esta que já faz parte da agenda cultural distribuída pela Câmara Municipal; organização, na sede da ALTM, em data a definir, de um encontro do Conselho das Academias de Língua Portuguesa, presidido por Adriano Moreira, também presidente honorário da ALTM, e, no âmbito desse encontro, assinar mais protocolos; o lançamento do sítio da ALTM na Internete e dinamização do respectivo blogue; contacto com as livrarias da cidade no sentido de, por exemplo, garantir a presença de obras de autores transmontanos nos escaparates, actividades estas acompanhadas pela regular presença em lançamento de obras, recitais e outras iniciativas para as quais a Academia seja convidada. Ernesto Rodrigues disse também que a inexistência de um orçamento formal não seria preocupante, dado as actividades previstas terem o seu financiamento assegurado pelos apoios negociados. Antes de terminar pediu sugestões aos presentes e informou ainda que havia até algumas ideias para o ano de 2013, nomeadamente uma edição comemorativa do centenário do nascimento de Raul Rêgo. Submetido a votação, o Orçamento e Plano de Actividades para 2011 foi APROVADO por unanimidade. ----------------------
No imediato, Pires Cabral usou a palavra para declarar haver sido surpreendido pela intenção da edição celebrativa da sua obra e exortou os presentes a manifestarem-se caso entendessem que, de alguma forma, a sua qualidade de Presente da Mesa da Assembleia obstaria à referida edição, no que foi respondido por Castro Branco, afirmando que essa edição honrava a Academia e que a proposta havia sido aprovada por unanimidade na reunião da Direcção. Amadeu Ferreira sublinhou ainda que é importante darmos a conhecer os autores transmontanos, fazermos deles nossas bandeiras e manifestarmos orgulho naquilo que somos. –
No ponto terceiro, foi informado que a proposta da Direcção para o montante anual da quota dos sócios seria de 20€ (vinte euros) anuais, acrescido de 10€ (dez euros) de jóia de inscrição para os sócios que se inscrevessem depois de um de Janeiro de 2011. A proposta foi APROVADA por unanimidade. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------
No último ponto da ordem de trabalhos, Pires Cabral disse existirem alguns problemas no acesso ao blogue da Academia e Amadeu Ferreira acrescentou ser o blogue uma das faces visíveis da mesma Academia, pelo que exortava todos os sócios a dinamizá-lo com textos que entendessem dever ser publicados. ---------------------------------------------------------------------------------
Usou ainda da palavra Isabel Alves, para se congratular por estar pela primeira vez presente e para perguntar se efectivamente a ALTM seria representativa de toda a região, tendo sido respondido que todas as zonas da região estavam na verdade amplamente representadas. ------
Usou ainda da palavra Idalina Brito para se congratular pelas propostas apresentadas. -------------
Antes de encerrar a sessão, Pires Cabral deixou um agradecimento ao secretário em funções, um voto de agradecimento à Direcção pelos trabalhos desenvolvidos e solicitou a aprovação da acta em minuta, o que foi autorizado. -------------------------------------------------------------------------------
 Nada mais havendo a tratar, deu-se por finda a sessão, da qual se lavrou a presente acta que, depois de lida e aprovada, será assinada e arquivada nos termos legais. --------------------------------
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O Presidente da Mesa ___________________________________________________________
O secretário ___________________________________________________________________