28 outubro 2015

Abade de Baçal, por Cláudio Carneiro

Francisco Manuel Alves, conhecido
Por toda a gente Abade de Baçal,
Por ser daquela terra natural,
Nela nascer, crescer e ter vivido.

O ilustre Abade foi e faz sentido,
Nas obras e nos feitos genial,
Dos maiores do tempo em Portugal,
Em tudo quanto fez bem sucedido.

Além das obras, digno Sacerdote,
Um homem singular, tendo por dote
A grandeza imortal  de São João Bosco.

E, para maior glória, trasmontano,
Para cá do Marão, um bragançano
De corpo e alma que anda aí connosco.

Com amizade, o chacinense
Cláudio Carneiro. 


25 outubro 2015

Pequeno Ensaio à volta de "RETRATO DE RAPAZ" de Mário Cláudio e de "PASSOS PERDIDOS" de Ernesto Rodrigues, por Lara de León

Inusitadamente leio um e outro e semelhanças surgem: enredo, escrita, discípulos. Retomo leitura, reflexão. Mais escrita e discípulos, talvez. Passa tempo.
Mário Cláudio diz muito em pouco espaço e tudo em tempo reduzido. As palavras querem-se ganhas, contidas, trabalhadas, buriladas em final de pena.
Ernesto Rodrigues enreda ironicamente uma história ficcional em tempos presentes, postos em causa por regime político, dito democrático.
Existe um discípulo.
Num, um pai adoptivo, um mestre, um herói, um ídolo.
Noutro, um pai verdadeiro, (dois pais) que rejeitou a sua existência e vem mais tarde redimir-se de tal acto.
"Retrato de Rapaz" é uma pintura cromática de Leonardo da Vinci, intensa, odorosa, plena de afectos, em miscelânea de decepção, dor e angústia. Mário Cláudio é o Mestre, o Homem.
Ernesto Rodrigues, em "Passos Perdidos" de rebeldia, mediocridade, amorfismo, hipocrisia, vaidade, inveja e maledicência, põe-nos perante um enredo presente de uma realidade nua e crua que transforma em ironia, questionando-nos de forma aspiciente sobre o nosso passado e o nosso presente. Maravilhoso e multifacetado romance!
Cinco séculos é tempo demais? Para quem, se comportamentos humanos semelhantes?
Leonardo, de quem não se conhece qualquer relação amorosa, foi talvez o caso mais famoso de esquerdismo, diz-nos Mário Cláudio citando Sigmund Freud. Porém, o presente herói, é o  discípulo eterno do Mestre, rapaz belo, de rosto bronzeado, cabelos aos caracóis, 10 anos de vida. Modelo e discípulo picado de pulgas no pescoço e a quem nem a lavagem consegue remover o sarro acumulado. Garoto confrontado por umas pupilas azuis do tom das pétalas da pervinca, mestre, amo, pai, amigo, deus, monstro e feiticeiro. Tal mafarrico, Salai, merece mais um par de corninhos do que umas asas de anjo, mas Leonardo mandou talhar-lhe "duas camisas, dois calções e um gibão". Um criado novo para varrer o chão da oficina, que pose para um ou mais desenhos, um catraio e diabrete, a quem foi necessário dar banho, catar os piolhos e ensinar o nome dos bichos da terra.

A Arte da Política (diga-se Furtar com unhas políticas), encerra dois preceitos: o bom para mim e o mau para vós, e, a razão de Estado, pois, não estou seguro, tendo junto de mim quem me faça sombra. Pergunta Ernesto Rodrigues: um jovem político com futuro ou um jovem com futuro na política? Aí está a diferença. Subir a escadaria da Assembleia da República, entrar nela, na sede da democracia, apesar da falência do regime, auscultados por dois lagos azulinos e "seios suspensos, ali na minha cara túmidos de vergonha", no outrora Mosteiro de São Bento da Saúde ou de S. Bento dos Negros. Os Passos Perdidos, obra de artista com história, onde se passeiam vaidades, ódios, rancores, hipocrisias e negociatas. De mão flácida e com cheiro a suor de 3 dias, deputado surge: - Às ordens de Vªs. Exªs., ... "já que para ele os votos são matéria volátil, como a própria vida, ele que se ia candidatar pela 15ª vez em quatro décadas". CEO pronto, oferece os seus humildes préstimos, colocando jovem colaborador ao seu serviço, já que ele não pode surgir mais nesta mistura de negócios, melhor, banco de investimento, com política. Escolha? Defesa da nação há décadas, sem sair "da última fila do hemiciclo", já que o maior perigo vem do próprio partido e das amizades fingidas.

Ladrão e mentiroso, teimoso e ganancioso, discípulo de má sorte, mas a quem a amizade moldou inquebrantável. Era necessário ensinar-lhe a não ser vaidoso, nem arrogante, pelo que a bela vestimenta que lhe mandou fazer, foi destruída, logo que a vestiu. Seguia-o como cachorro, por isso as pessoas pensavam e ofereciam olhares intencionais "insinuando um relacionamento entre eles que talvez fosse preferível deixar por esclarecer". Mas havia verdadeiros discípulos, como um tal Marco d`Oggiono, favorecido por um talento invulgar a quem o Homem "protegia com desvelo superior ao que dedicava aos restantes". Argila, bronze, pincéis, moldes, papéis, lâminas de refracção, tintas, como a vermelha, que continha "clara de ovo, cinza, vinagre, terra, pó de tijolo, alcatrão, óleo de linhaça, terebentina e sebo".

O capitalismo tem de repensar-se perante a penúria de quatro quintos da humanidade. Tal desiderato ocorrido ao aprendiz de economia em entrevista com estagiária de jornalismo, brasileira, de Ipanema, a quem expôs o benefício de escrever artigo sobre determinado deputado. As congeminações financeiras de "não confiar", "antes de mais, evitar ser apanhado em fraude fiscal e abuso de confiança" ou "venha a nós o vosso reino", continuava insidiosamente o aprendiz referindo à estagiária os bons serviços prestados ao jornal, à banca e à democracia, embora ambos não passassem de uma peça de engrenagem, disso tinha consciência. Mas continuava com a lição bem estudada, este nosso herói de 1ª pessoa, em "mandar descobrir qualquer coisa encoberta da vida" do "Frade Negro". E falava do comportamento político desse "Frade Negro" que era nenhum. Ele próprio, que não era "sua opinião, porque não tinha opinião". Na discussão da vida política parecia, a pouco e pouco, esmerar-se, chegando mesmo aos artigos da Constituição da República e ao seu preâmbulo" "abrir caminho para uma sociedade socialista" por que não "abrir caminho para a felicidade".

Não seria mais simples e eficaz? Pois não é o que desejam todos os seres humanos, serem felizes? Como? Cada um à sua maneira! Como conciliar então, interesses tão díspares e visões heterogéneas de felicidade?

Mariana Coelho. Uma educadora feminista Luso-Brasileira, de Aires Antunes Diniz (Convite)

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24 outubro 2015

A.M. Pires Cabral - Na Primeira Pessoa


A. M. Pires Cabral - Na Primeira Pessoa from Leonel Brito on Vimeo.

ÁREAS PROTEGIDAS EM DEBATE E ESPANTALHARTE

       Casa do Povo de Varge e Centro Cultural Solar dos Condes em Vinhais, dias 7 e 21 de novembro de 2015
Caros Amigos:
Chamamos a atenção de todos para as informações que se seguem e para a documentação em anexo sobre as realizações em que estamos a trabalhar.
Os interessados em participar já na sessão inaugural de Varge, dia 7 de novembro, , para nos ajudarem na organização, deverão responder ao nosso email manifestando essa mesma intenção e informando se pretendem inscrever-se no jantar comunitário de encerramento.
Quanto aos interessados em concorrer ao Espantalharte, lembramos que terão de entregar os trabalhos na ADASEC em Varge até ao dia trinta deste mês.

            Nota de divulgação:

            O Movimento Cívico DART (Defender, Autonomizar e Rejuvenescer Trás-os-Montes) e a ADASEC (Associação para o Desenvolvimento Social, Económico e Cultural de Varge), em colaboração  com as Câmaras de Bragança e de Vinhais e a União de Freguesias de Aveleda e Rio de Onor, vão organizar os Conselhos: Áreas Protegidas, Cidadania, Desenvolvimento e Cooperação Transfronteiriça, cujas primeiras sessões terão lugar na Casa do Povo de Varge e no Centro Cultural Solar dos Condes em Vinhais, respetivamente nos dias 7 e 21 de novembro próximo, prosseguindo o debate em Galende de Sanabria dia 2 de abril e o encerramento em Bragança dia 21 de maio do próximo ano.
              Antes da abertura do debate serão apresentadas comunicações a cargo do Pe. Fernando Calado com uma abordagem sobre a Encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco, do Arqueólogo José Paulo Francisco e do Biólogo Pedro Gómez Turiel.
                Paralelamente à realização dos Conselhos sobre as Áreas Protegidas, terá lugar o Espantalharte, concurso de espantalhos subordinado ao tema “Espanta Pragas do Século XXI”, destinado a animar os espaços onde decorre o debate e dar oportunidade à população em geral de expressar o que sente sobre a atual situação do abandonado mundo rural.
               Constituem o júri Manuel Trevisco, Emília Nogueiro, Alegría Alonso, Leonor Afonso , e os três trabalhos melhor classificados receberão um prémio de 150, 100 e 50 euros respetivamente.

            A sessão do dia 7 de novembro encerrará com um jantar comunitário organizado pela ADASEC de Varge.

                                
 
 Saudações transmontano-durienses do Movimento DART com força!
(Francisco Manuel R. Alves) Contatos: Tel. 273919003. Móvel: 969004143

Mogadouro - Apresentação da Revista CEPIHS 5 (Convite)



António Chaves e Maria Assunção Carqueja, por Cláudio Carneiro

Doutor António Chaves


Grande na dignidade, igual nos feitos,
De uma só cara e de uma só palavra,
Orgulhoso de si, da sua lavra,
Concebida e criada sem defeitos.

Na fé inquebrantável dos eleitos,
Na partilha, na crença que exalava,
Qual Vieira no culto que pregava,
Em defensão do Povo e seus direitos.

Ente fecundo, pomo da verdade,
Em prol da honra, pela liberdade,
A luz encandescente, o áureo brilho.

Ditosa terra que te viu nascer,
Que te criou e vira-te crescer,
Ínclitos pais, por tão ilustre filho.


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Doutora Maria da Assunção Carqueja

Das edénicas terras bragançanas,
Distinta, talentosa, criadora...
Maria da Assunção Carqueja fora
Princesa das poetisas trasmontanas.

Nascida em terras de samaritanas,
Inteligente, crente, sonhadora...
De profissão, inata professora,
De ideias claras, de palavras lhanas.

Amou e foi feliz na relação,
No homem que escolheu seu coração,
Foi esposa e foi mãe, que Deus sagrou.

Católica apostólica romana,
A consagrada, insigne trasmontana,
Subiu à glória porque acreditou.
 
Com amizade, o chacinense
Cláudio Carneiro.

Maravilhas de Tras-os-Montes


Vídeo enviado pelo Dr. António Chaves

Torre de Moncorvo - Comemorações do Centenário da Grande Guerra

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22 outubro 2015

CEPIHS - Convite


Dr.ª Maria Idalina Brito, por Cláudio Carneiro

Excelsa conterrânea, genuína,
Prendada pelos dons da Natureza,
Consagrou-te nos dotes da beleza,
Conservando-te os traços de menina.

Áurea da madrugada purpurina,
Estrela de alva, ardente, sempre acesa
Ou dela descendente. Com certeza
Vieste de outro mundo, peregrina.

Deus te proteja e dê paz e saúde,
Que te conserve eterna juventude
Nas edénicas terras bragançanas.

Eu vim para cantar-te, certamente,
Como veio Camões, ousadamente,
Para cantar as musas tagitanas.

Com amizade, o chacinense
Cláudio Carneiro




18 outubro 2015

Doutor Barroso da Fonte ,por Cláudio Carneiro

Doutor Barroso da Fonte

Dos grandes do Barroso és o maior
Na audácia, no talento, no saber,
No espírito, nas obras, no clamor,
Da genuína essência do teu ser.

Canto-te por que és digno e com valor
E dizes o que tens para dizer
Sem reparar a quem, seja a quem for,
Pela verdade e doa a quem doer.

És o terror que assola os vendilhões,
O banditismo torpe, os aldrabões
E toda a casta vil da mesma laia.

Sem atender à hora, dia e noite,
Da canalha infernal és um açoite,
Dos fracos e oprimidos a atalaia.
Com amizade, o chacinense


Cláudio Carneiro

15 outubro 2015

Amadeu José Ferreira , por Cláudio Carneiro

Só tu és grande, imenso, sem medida,
Por vontade Suprema, português
Amadeu Ferreira no lançamento do livro NORTEANDO.
E por maior prestígio, mirandês,
Lugar de acesso à Terra Prometida.

Criada a obra, rara e desmedida
E divulgada ao mundo, ei-lo, de vez,
Humilde, sem um gesto de altivez,
De volta, já previsto, à eterna vida.

Como é próprio de si, ele anda agora,
Aplicado, por esse etéreo fora,
A criar outras obras valorosas.

No merecido evento está presente,
Desfrutando, connosco e demais gente,
Estas tertúlias, dignas e honrosas.
Com amizade,


Cláudio Carneiro

11 outubro 2015

Pisões Carp Classic - Montalegre - APCF

Envio reportagem (vídeo) realizada pelo Dr. Pedro Martins da Univ. do Minho e meu amigo pessoal sobre o concurso internacional de pesca da Carpa na Albufeira dos  Pisões e que me  chegou por deferência de Orlando Alves, Presidente da Câmara de Montalegre.
Talvez valha a pena estar atento a estes novos segmentos de visitantes, para equacionar projetos de investimento no turismo local. A pesca à Carpa regista hoje uma enorme expansão em toda a Europa e, pelo que dizem os entendidos este é o melhor local do país para essa modalidade desportiva.
António  Chaves


07 outubro 2015

ATA N.º 2 / 2015


Aos cinco dias do mês de Setembro de dois mil e quinze, no Restaurante “A Sineta”, pelas 12 horas, reuniu-se a Direção da Academia de Letras de Trás-os-Montes (ALTM), para participar no V encontro de Escritores Transmontanos, realizado em Macedo de Cavaleiros e organizado pela Editora “Poética”.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Aproveitou-se a ocasião para realizar uma reunião da Direção da Academia de Letras de Trás-os-Montes (ALTM). Estiveram presentes o Presidente, António Carneiro Chaves, a Tesoureira, Maria Idalina Alves de Brito, e o Vogal, António Pimenta de Castro. Faltaram, com a falta devidamente justificada, os restantes membros: o Vice-Presidente, José Mário Leite e o Secretário, Carlos do Nascimento Ferreira.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Assim, quem Secretariou a mesma, foi António Pimenta de Castro. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Aberta a sessão o Presidente da Academia, deu a palavra à Tesoureira, Maria Idalina Alves de Brito que fez  o seguinte ponto da situação: -------------------------------------------
Um. Actualização da situação financeira e organizativa: entrada de um número reduzido de pagamento de quotas; alguns sócios ainda não remeteram a ficha devidamente preenchida; envio de recibo e cartão de sócio, a quem tem regularizado a situação perante a ALTM; continuação da organização do processo administrativo (declaração de não dívida à Segurança Social e à Autoridade Tributária e recibo do respectivo apoio financeiro) para se auferir dos subsídios pendentes (ainda não recebidos, embora já anteriormente contabilizados como receitas) à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo (Dvds de escritora moncorvense, Drª Júlia Ribeiro) e à Direcção Regional de Cultura do Norte (Antologia de Autoras Transmontanas "Por Longos Dias, Longos Anos, Fui Silêncio"), entretanto recebemos o apoio pendente da Câmara Municipal de Bragança, a quem ofertámos seis exemplares do DVD do Prof. Dr. Adriano Moreira, à semelhança das situações anteriores; do pagamento realizado ao ex- Vice-Presidente da ALTM, Prof. Dr. Pinelo Tiza, de dívidas pendentes de carácter administrativo e da segunda edição da aquisição de Dvds referentes ao Prof. Dr. Adriano Moreira, dado a primeira se ter esgotado. Informou da necessidade de se regularizar a situação financeira da ALTM, pagando as duas dívidas ainda pendentes, em pouco mais de dois mil euros, à Editora Âncora, referente esta, à Antologia das Mulheres e outra, ao ex-Presidente da Direcção, Prof. Dr. Ernesto Rodrigues, sobre a obra completa do Padre António Vieira. De qualquer forma, este atraso também se deve a igual atraso na assinatura da Acta e Tomada de Posse de todos os elementos da Direcção, dados os mesmos residirem em diferentes concelhos do País, nomeadamente: Bragança, Mirandela, Miranda, Mogadouro, Chaves, Guimarães, Amadora, Algés, Sintra, etc., o que sendo positiva a sua multi localizada representatividade, também tem trazido alguns constrangimentos ao regular funcionamento da ALTM, e, uma sobrecarga de trabalho na pessoa da Tesoureira. Informou os elementos presentes da Direcção da realização de despesas inerentes à aquisição de material de escritório e de correio. ----------------------------------------------------
Dois. Da divulgação aos sócios (as) das diferentes activividades literárias e culturais que chegam por email ou ofício à ALTM; da correspondência trocada com alguns sócios, não só a residirem em Portugal, mas também no Brasil; dos contactos realizados com o sócio, Prof. Dr. Abel de Lacerda Botelho, Presidente da Fundação Lusíada, que comunicou a oferta de mil euros para aquisição de um computador e impressora para a ALTM. -------------------------------------------------------------------------------
Três. Da deslocação com o Vice-Presidente, Dr. José Mário Leite, à Câmara Municipal de Bragança dia 17 de agosto 2015, onde tiveram uma audiência de cumprimentos e  de trabalho com o Presidente da Autarquia, Dr. Hernani Venâncio Dias. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Quatro.  Quanto à biblioteca da ALTM, têm chegado algumas obras de sócios, a quem já foi realizado pessoalmente o respectivo agradecimento; neste âmbito, estão todas já organizadas em estante, após a devida catalogação do trabalhador da Autarquia, Pedro Santos, a quem igualmente agradecemos. ---------------------------------
Cinco. Já se remeteu a cada uma das autoras participantes na Antologia das Mulheres, um exemplar da obra, quer através da ALTM, quer da Editora Âncora. Iremos proceder ao envio de alguns exemplares da mesma obra, à Direcção Regional de Cultura do Norte e outras Entidades Regionais, que nos apoiaram na sua edição (Museu Abade de Baçal - Bragança, Centro de Arte Contemporânea Graça Morais - Bragança e Grémio Vila- Realense - Vila Real), bem assim às suas organizadoras Drª Hercília Agarez e Profª Drª Isabel Alves.---------------------------------------------------------------
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Tomando a palavra, o Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes, congratulou-se com o facto de a Academia de Letras de Trás-os-Montes (ALTM), já ter alcançado, nestes poucos meses da nova Direção, o objectivo que nos proposemos atingir ao longo do mandato, ou seja, já atingimos um aumento de cerca de cinquenta por cento do número de sócios. Contudo, o Presidente, António Carneiro Chaves, teceu algumas considerações sobre a fragilidade da atual situação financeira da Academia, herdada da Direção anterior, chamando a atenção para a necessidade de contenção de despesas e aumento das receitas, nomeadamente pela captação de mais associados, pelo aumento da diversificação de atividades sejam de iniciativa própria, como os Cursos de fomento de criatividade na escrita, sejam em cooperação e colaboração com as Câmaras Municipais,  nomeadamente dando continuação com a devida atualização ao programa de registos em vídeo dos depoimentos dos escritores transmontanos. Este último programa foi iniciado durante o mandato anterior sob a coordenação e execução de cineasta Leonel de Brito, que tem vindo a colaborar com a Academia. Este programa vai ser continuado pelo mesmo cineasta.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Dando cumprimento ao deliberado na reunião anterior da Direcção da Academia de Letras de Trás-os-Montes (ALTM), o vogal António Pimenta de Castro, informou que, o vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes, José Mário Leite, abordou em nome e representação da Academia, no distrito de Bragança, em reuniões o Presidente da Câmara de Bragança e com outros Presidentes das Câmaras do sul do distrito que tivessem disponibilidade para o receber. Essa colaboração engloba, ente outos, o cursos de fomento de criatividade na escrita, sejam em cooperação e colaboração com as Câmaras Municipais e também dando continuação com a devida atualização ao programa de registos em vídeo dos depoimentos dos escritores transmontanos.O vogal, António Pimenta de Castro, acompanhou o vice-presidente da Academia que este fez a vários concelhos, nomeadamente aos concelhos de Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo, tendo os respetivos Presidentes de Câmara mostrado muito interesse nessa colaboração com a Academia.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Ficou novamente aprovado que se iria mandar aos sócios com quotas atrasadas, um e-mail, ou uma carta, chamando-os á atenção para este facto, a fim de regularizarem a sua situação. Ficou ainda decidido, chamar á atenção, sobretudo aos sócios que nunca pagaram as suas quotas, para esta situação, com a finalidade de se saber qual era a sua posição, relativamente  á Academia.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Como já se referiu, foi gratificante verificar que, neste curto espaço de tempo,um dos objectivos prioritários para este mandato foi alcançado, ou seja: aumentamos o número de associados em cinquenta por cento e igualmente dinamizamos a Academia en Tráos-os-Montes, em vários eventos no distrito de Bragança, e não só, uma vez que, neste momento, a maioria dos sócios ainda se situam nas áreas do grande Porto e na grande Lisboa.Foi gratificante ver o Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes, Antómio Carneiro Chaves e a Tesoureira da mesma, Maria Idalina Alves de Brito, participar num painel levado a efeito no supracitado evento, em Macedo de Cavaleiros.--------------------------------------------------------------------------------------Nesse sentido, o Presidente instou os presentes a empenharem-se em geral, com enfoque especial na sua área de residência, na promoção da Academia e na captação de novos associados.----------------------------------------------------------
A este propósito, Maria Idalina Alves de Brito informou a Direção de vários pedidos de adesão existentes e que foram, depois de analisados, aprovados e que ficaram assim com os números de ordem indicados:------------------------------------------------------------------
150 –Maria Teresa Carvalho Gonçalves---------------------------------------------------
151 – António Manuel Pires de Mosca------------------------------------------------------
152 – Irene Gonçalves Silva-------------------------------------------------------------------
153 – Ana Margarida Gomes Borges--------------------------------------------------------
154 – Orlando Matos Pontes----------------------- ------------------------------------------
155 – Berta Nunes ------------------------------------------------------------------------------
156 - Aires Antunes Diniz ---------------------------------------------------------------------

Foi igualmente reiterado dar todos os poderes de representação da Academia ao Vice-Presidente José Mário Leite, para outorgar em nome da Direção os documentos de candidatura ao Programa de Apoio aos Agentes Culturais da Direção Regional de Cultura do Norte, em aberto e cujas candidaturas foram submetidas até ao dia 15 de Agosto do corrente ano. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nada mais havendo a tratar foi dada por encerrada a reunião da qual se lavrou a presente ata que vai ser assinada pelo Presidente da Direção e por mim, António Pimenta de Castro que a redigiu. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
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Macedo de Cavaleiros, 5 de Setembro de 2015

O Presidente da Direção da ALTM


António Carneiro Chaves


O Vogal da Direção da ALTM


António Pimenta de Castro


05 outubro 2015

À ANA MARIA CALADO, por Cláudio Carneiro

Ana Maria, amiga, não morreste,
Mantém-se a alma eterna, consagrada.
É outra a aurora, é outra a madrugada,
A sempiterna luz a que ascendeste.

Vieste de passagem, não vieste
Para uma estadia prolongada.
Mal chegaste, voltaste de jornada,
Terminada a visita que fizeste.

Nós também vamos, já lá vem a barca,
Espera um pouco mais e vamos juntos,
Aguarda-nos na próxima estação.

Vislumbro, já de perto, o Patriarca,
O Provedor de ausentes e defuntos
Que irá connosco nesta embarcação.
Com amizade, o chacinense
Cláudio Carneiro.

03 outubro 2015

Mataram O SABOR

Mataram o Sabor. Aconteceu
Como nunca se viu em parte alguma.
Há lágrimas de dor tornadas bruma
A inundar o espaço - terra e céu!

Trás-os-Montes, chocado, endoideceu,
Mas vozes de protesto apenas uma, 
A voz do Povo só e mais nenhuma,
Nem Santo Antão da Barca lhe valeu.

Perante a fúria bruta da serpente,
Só tu ousaste opõr-te frontalmente,
Não vergaste, partiste meio a meio.

Vencidos pela força desigual,
A eterna luta entre o bem e o mal,
Um dia venceremos como creio.
Com amizade, o chacinense

Cláudio Carneiro

Augusto Moreno - Homenagem na sua terra natal (Lagoaça)


Conferência Augusto Moreno from Leonel Brito on Vimeo.

29 setembro 2015

ATA N.º 1/2015

Foto de arquivo

ATA N.º 1/2015

Aos vinte e cinco dias do mês de Julho de dois mil e quinze, na sede da Academia de Letras de Trás-os-Montes (ALTM) reuniu-se a sua Direção pela primeira vez desde que foi eleita a seis de Junho de dois mil e quinze. -----------------------------------------------
Estiveram presentes o Presidente, António Carneiro Chaves, o Vice-Presidente, José Mário Leite, a Tesoureira, Maria Idalina Alves de Brito e o Vogal, António Pimenta de Castro. Faltou o Secretário, Carlos do Nascimento Ferreira.-----------------------------------
Assim, quem Secretariou a mesma, foi António Pimenta de Castro. -------------------------
O Presidente da Academia, tinha convidado para esta primeira Reunião, todos os elementos dos Órgãos Dirigentes da ALTM: Direcção, Assembleia Geral e Conselho Fiscal, afim de melhor se conhecerem, e, em conjunto, poderem apresentar e discutir propostas para a evolução da Academia. Porém, pelas mais diversas razões, só estiveram presentes o Presidente do Conselho Fiscal, João Barroso da Fonte e o segundo Vogal do mesmo, Cláudio Amilcar Carneiro.---------------------------------------------
Maria Idalina Alves de Brito apresentou à restante Direção toda a documentação existente que organizou de forma adequada de acordo com a sua natureza e as indicações existentes. Deste trabalho resultou um quadro demonstrativo das receitas e despesas, bem como os valores a receber e a pagar, resultando desta análise uma situação líquida apurada á data e com base nos referidos documentos de 124,10 euros de saldo positivo. ------------------------------------------------------------------------------------O Presidente, depois de informar os presentes dos contactos e conversas tidas com os responsáveis da Direção cessante, teceu algumas considerações sobre a fragilidade da situação financeira da Academia chamando a atenção para a necessidade de contenção de despesas e aumento das receitas, nomeadamente pela captação de novos associados, aumento e diversificação de atividades sejam de iniciativa própria, como os Cursos de fomento de criatividade na escrita, seja em cooperação e colaboração com as Câmaras Municipais sobretudo dando continuação com a devida atualização ao programa de registos em vídeo dos depoimentos dos escritores transmontanos. Este último programa foi iniciado durante o mandato anterior sob a coordenação e execução de cineasta Leonel de Brito, que tem vindo a colaborar com a Academia. A este propósito e sabendo da presença de Leonel de Brito em Bragança informou que o havia convidado a, de viva voz, explicar aos restantes membros da Direção a forma como este programa se iniciou e como pode ser continuado. ------------------------------------------------------------------------------------------------
A reunião foi interrompida para que se pudesse chamar o cineasta Leonel de Brito que sucintamente manifestou a sua disponibilidade para continuar a colaborar com a Academia de Letras, contudo demonstrou que havia necessidade de atualização das contrapartidas a cobrar à Academia e às Câmaras Municipais pois os valores até então tidos como referenciais dos custos com a elaboração dos referidos depoimentos eram manifestamente insuficientes, realidade perfeitamente entendida por todos os presentes que concordaram que o valor mínimo para a recolha e edição não poderia nunca ser inferior a quinhentos euros. Foi deliberado que iriam propor às Câmaras Municipais transmontanas a continuação do Programa com um custo para elas da ordem dos setecentos e cinquenta euros para fazer face aos serviços prestados pelo cineasta e restantes custos a serem suportados pela Academia na produção final e distribuição dos exemplares a entregar às autarquias.---------------------
Tendo-se ausentado Leonel de Brito, deu-se continuação á reunião no ponto onde tinha sido interrompida, para aprovar os valores referidos atrás. Ficou ainda decidido que as autarquias do distrito de Bragança seriam abordadas, em nome e representação da Academia, pelo Vice-Presidente, José Mário Leite que se faria acompanhar por outros membros da direção que tivessem disponibilidade para o acompanhar sendo que o mesmo aproveitaria a sua estadia, para breve, no distrito, para agendar reuniões com o Presidente da Câmara de Bragança e com os Presidentes das Câmaras do sul do distrito que tivessem disponibilidade para o receber. As Autarquias do Distrito de Vila Real irão ser abordadas diretamente pelo Presidente António Carneiro Chaves. ------------------------------------------------------------------
Para que os membros da Direção presentes ficassem a saber com exatidão o texto, foi lido, pelo Presidente da Academia, o protocolo celebrado pela Adademia, com a Câmara Municipal de Bragança.--------------------------------------------------------------------------
Ficou aprovado que se iria mandar aos sócios com quotas atrasadas, um mail, ou uma carta, chamando-os á atenção para este facto, a fim de regularizarem a sua situação. Ficou ainda decidido, chamar á atenção, sobretudo aos sócios que nunca pagaram as suas quotas, para esta situação, com a finalidade de se saber qual era a sua posição, relativamente  á Academia.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Foi considerado que dois objectivos prioritários para este mandato eram: aumentar o número de associados em cinquenta por cento e igualmente dinamizar a Academia en Tráos-os-Montes, uma vez que, neste momento, a maioria dos sócios de situam nas áreas do grande Port e na grande Lisboa.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------    
Nesse sentido, o Presidente instou os presentes a empenharem-se em geral, com enfoque especial na sua área de residência, na promoção da Academia e na captação de novos associados. A este propósito, Maria Idalina Alves de Brito informou a Direção dos pedidos de adesão existentes e que foram, depois de analisados, aprovados e que ficaram com os números de ordem indicados:---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
105 -Tiago Manuel Ribeiro Patrício---------------------------------------------------------------------
106 - Ernesto Salgado Areias--------------------------------------------------------------------------
107 - José Rentes de Carvalho------------------------------------------------------------------------
108 - Floriano Augusto Paulo --------------------------------------------------------------------------
109 - Abel Augusto Madeira de Lacerda Botelho -------------------------------------------------
110 - António José Alves -------------------------------------------------------------------------------
111 - Bernardino Pacheco Henriques ---------------------------------------------------------------
112 - Porfírio Augusto Baptista Alves Pires --------------------------------------------------------
113 - José Dias Baptista --------------------------------------------------------------------------------
114 - Mª Júlia Ribeiro ------------------------------------------------------------------------------------
115 - José Rodrigues Dias -----------------------------------------------------------------------------
116 - Maria de Lurdes Baptista ------------------------------------------------------------------------
117 - Paula Maria M M  ----------------------------------------------------------------------------------
118 - Silvino Alberto -------------------------------------------------------------------------------------
119 - Maria Marques ------------------------------------------------------------------------------------
120 - Agostinho Chaves -------------------------------------------------------------------------------
121 - Donzília Martins ----------------------------------------------------------------------------------
122 - Jorge Lage -----------------------------------------------------------------------------------------
123 - Artur Coimbra -------------------------------------------------------------------------------------
124 - Custódio Montes ----------------------------------------------------------------------------------
125 - Fernando Calvão ----------------------------------------------------------------------------------
126 - Francisco Gouveia --------------------------------------------------------------------------------
127 - Abel Moutinho -------------------------------------------------------------------------------------
128 - Manuela Morais -----------------------------------------------------------------------------------
129 - Helder Martins -------------------------------------------------------------------------------------
130 - Elísio Amaral Neves -------------------------------------------------------------------------------
131 - Henrique Barroso Fernandes -------------------------------------------------------------------
132 - Cristina Torrão -------------------------------------------------------------------------------------
133 - Armando Palavras ---------------------------------------------------------------------------------
134 - Isabel Viçoso ----------------------------------------------------------------------------------------
135 - Deolinda Silva ---------------------------------------------------------------------------------------
136 - Júlio Brás --------------------------------------------------------------------------------------------
137 - Lourenço Fortes ------------------------------------------------------------------------------------
138 - Norberto Vale Cardoso  --------------------------------------------------------------------------
139 - Virgílio do Vale -------------------------------------------------------------------------------------
140 - Nuno Nozelos ---------------------------------------------------------------------------------------
141 - Luís Jales de Oliveira -------------------------------------------------------------------------------
142 - Maria Eugénia Silva Neto --------------------------------------------------------------------------
143 - Alípio Martins Afonso --------------------------------------------------------------------------------144 - Laura Esteves Afonso ------------------------------------------------------------------------------
145 - José Pires ----------------------------------------------------------------------------------------------
146 - Norberto Cardoso (pai) -----------------------------------------------------------------------------
147 - José António Costa Pereira -----------------------------------------------------------------------
148 - Jorge Golias --------------------------------------------------------------------------------------------
149 - Maria Adília Bento Fernandes da Fonseca -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Estando em curso o projeto de promoção e instalação em Bragança do Museu da Língua, obra de inegável valor e importância para a região e sobretudo para a Academia de Letras a direção reconheceu a necessidade de continuar a ter uma voz ativa e participante na conceção e realização deste equipamento. Por indicação do presidente e aceite por unanimidade foi deliberado que o Vice-Presidente, José Mário Leite representaria a Academia de Letras em todas as reuniões e outras atividades relacionadas com este tema. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Foi igualmente deliberado dar todos os poderes de representação da Academia ao Vice-Presidente José Mário Leite, para outorgar em nome da Direção os documentos de candidatura ao Programa de Apoio aos Agentes Culturais da Direção Regional de Cultura do Norte, em aberto e cujas candidaturas terão de ser submetidas até ao dia 15 de Agosto do corrente ano. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nada mais havendo a tratar foi dada por encerrada a reunião da qual se lavrou a presente ata que vai ser assinada pelo Presidente da Direção e por mim, António Pimenta de Castro que a redigiu. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Bragança, 25 de Julho de 2015

O Presidente da Direção da ALTM


António Carneiro Chaves


O Vogal da Direção da ALTM


António Pimenta de Castro


28 setembro 2015

Torre de Moncorvo ,por Cláudio Carneiro

Foto de Leonel Brito
TORRE DE MONCORVO

Ó Torre genuína, verdadeira,
Jardim feito de sonho imorredouro,
Entre o rio Sabor e o rio Douro,
Na encosta que se alonga sobranceira.

Ó gente ousada, ilustre, hospitaleira,
Gente de uma só cara, que vale ouro,
Ouso invocar-te deste miradouro
Onde me encontro, a meio da ladeira.

Edénica relíquia, terra amiga,
Esbelta, sedutora, embora antiga,
Primitivo vergel de Eva e de Adão.

Símbolo da pureza, privilégio
Do Povo trasmontano e seu egrégio,
Pela mercê da sua condição.

Com um abraço trasmontano, a amizade do chacinense
Cláudio Carneiro


21 setembro 2015

Amadeu Ferreira ,Teresa Martins Marques e Eugénio Lisboa

Amadeu Ferreira ,Teresa Martins Marques e Eugénio Lisboa

Foi em recolhimento que li este texto (publicado no “JL”) em que Eugénio Lisboa, uma marcante personalidade da Cultura, fala de um homem bom, Amadeu Ferreira, com a generosidade que perpassa nas suas palavras, evocando a brilhante biografia escrita por Teresa Martins Marques sobre "essa grande figura do intelecto, da acção e do coração". É, portanto, em agradecimento a Eugénio Lisboa (que, em outras ocasiões, tem proporcionado ao DRN idênticas e valiosas oportunidades) que ora se publica esta peça literária:

“Nunca faças coisas pela metade”.
Provérbio

De uma biografia falo hoje. As biografias são uma espécie traiçoeira: dizia Wilde que todo o grande homem tem os seus discípulos, mas é sempre Judas quem lhe escreve a biografia. Tem-se visto que é assim. Mas não é de modo nenhum o caso que hoje aqui nos traz: a monumental dádiva biográfica que Teresa Martins Marques quis consagrar a essa grande figura do intelecto, da acção e do coração, que foi Amadeu Ferreira, há pouco falecido.

O livro que tenho à minha frente – O Fio das Lembranças / Biografia de Amadeu Ferreira – é o monstruoso pagamento de uma promessa. É o mais improvável acto de generosidade e entrega a que, até hoje, me foi dado assistir: 400 páginas de texto construído sob o império de uma vontade inquebrantável e à pressão de uma terrível urgência (concluir a obra, se possível, a tempo de o biografado – mortalmente doente – a poder ainda ler), acrescidas de outras tantas de testemunhos de amigos, colegas e admiradores, arrancados, coligidos e “montados”, com uma energia que não é deste mundo. Pacto fáustico com o diabo? Sei lá!

De qualquer modo, Teresa Martins Marques tem o hábito de obedecer ao provérbio que dou em epígrafe: “Nunca faças coisas pela metade.” As obras dela, começadas, talvez, como coisas para dimensões normais, acabam por se lhe expandir, nas mãos, alargando-se, pantagruelicamente, até atingirem o volume capaz de lá se lhe meter tudo. Viu-se isso com a monumental dissertação de doutoramento que dedicou a David Mourão-Ferreira, e vê-se, agora, com este prodigioso empreendimento, que é o livro que dá nova e mais concentrada vida à vida singular desse jurista, professor, poeta, romancista, e estudioso e divulgador do mirandês – além de “campeador melhorista”, para usar uma expressão de António Sérgio – que foi Amadeu Ferreira.
Teresa Martins Marques e Amadeu Ferreira

 Eugénio Lisboa
Em 2009, a autora desta biografia conheceu o jurista, escritor e militante da cultura mirandesa, Amadeu Ferreira, num almoço aprazado entre este e o seu amigo Ernesto Rodrigues – e logo se deixou enfeitiçar pela “luminosidade do olhar, o sorriso franco, a perspicácia das observações, a determinação das suas posições, a agilidade da sua inteligência.” Depois, ao longo dos encontros e das leituras, foi coleccionando outras virtudes do futuro biografado: cultura, simpatia, bondade, dedicação aos outros (de preferência aos “necessitados”), postura cívica impecável. A que veio acrescentar-se a admiração pelo poeta, pelo ficcionista e pelo campeador da língua de Miranda, para a qual verteu a “Mensagem” e” Os Lusíadas”.
Com a empatia profunda, o apelo tornou-se irresistível. Num encontro em Bragança, finalmente, tudo aconteceu: “num impulso que ainda hoje não sei explicar”, disse-lhe: «Você merece que lhe escrevam a biografia.»” O resultado da promessa então feita é este livro, levado a cabo a golpes de energia e obstinação. Boa pagadora de promessas, Teresa Martins Marques foi dando forma e volume à vida verdadeiramente épica e exemplar do autor de “Tempo de Fogo “(La Bouba de la Tenerie, em Mirandês). Dizia Virginia Woolf que “biografia é dar a um homem uma espécie de forma, depois da sua morte”. Foi isto mesmo que fez a biógrafa deste homem bom e inteligente (binário improvável), ao longo das 800 páginas desta obra (porque as 400 de testemunhos cumprem exactamente o mesmo objectivo): livro que se não pode ler, a não ser com muitas horas disponíveis e um pequeno guindaste que o suspenda diante dos nossos olhos atónitos e dos nossos braços impotentes…
 Segundo Carlyle, o dos “Heróis”, uma vida bem escrita é quase tão rara como uma vida bem vivida. Amadeu Ferreira foi, neste sentido, um privilegiado: apesar de originalmente pobre, no sentido mais despido do termo – oriundo de um berço desacautelado, em Sendim, Miranda do Douro – viveu uma vida bem recheada, onde nada lhe foi dado e tudo teve que conquistar (e foi muito) a pulso e à força de carácter e inteligência, subindo, sem golpes nem atropelos, ao topo de uma carreira difícil e minada, e deixando, atrás de si, um rasto luminoso de seres a quem ajudou, promoveu e libertou. 
Tendo, no final, e contra todas as probabilidades, encontrado quem lhe escrevesse a odisseia, uma, talvez, destacando-se de poucas mais, idênticas, mas que ficaram, essas, sem crónica que as lembre à memória dos homens. Pode ser que ser pobre não seja um crime, como rezam uns provérbios que andam por aí a tentar amaciar uma condição intolerável, mas permitir que a pobreza exista e persista – é, por certo, um crime hediondo, que os nossos quarenta e um anos de democracia ainda nem sequer tentaram resolver, permitindo até que se concentre quase toda a riqueza nas mãos de alguns oficialmente cristãos, que piamente nos aconselham a vivermos com pouco e a resignarmo-nos muito. Que, dos pobres, é o reino dos céus, o qual os ricos meticulosamente evitam.
 O livro, em boa hora congeminado e redigido por Teresa Martins Marques, apoiou-se numa séria e abundante consulta de documentos e em muitas horas de entrevista filmada pelo excelente e cuidadoso Leonel de Brito, entre Novembro de 2013 e Janeiro de 2014 (ao todo, 31 horas “densas de pormenores, riquíssimas de conteúdo”) – obra que “permitisse entender o pulsar da sua inteligência” e, acentua Teresa, “retribuir-lhe a atenção que ele sempre dá aos outros.”
 Não resisto a reproduzir aqui como tudo isto – a filmagem – aconteceu: “A ideia que permitiu escrever esta biografia no prazo de um ano partiu dele [de Leonel de Brito] como sempre acontece. O Leonel tem belas ideias e sabe colocá-las rapidamente em prática, graças à sua imensa experiência de cineasta conceituado, que sabe fazer belos filmes como Gente do Norte, que voltei a ver agora na Cinemateca. Num café ao lado da nova CMVM, na Rua Laura Alves, o Leonel, o António Tiza, o Rogério Rodrigues e eu esperávamos a chegada do Ernesto [Rodrigues] para visualizarmos, com o Amadeu, o documentário que o Leonel fizera em Sendim, com os pais [do Amadeu], a seu pedido. Discutíamos entre nós a melhor forma de dar alegria ao Amadeu, naquele momento tão complicado da sua saúde. O Leonel olha para mim e pergunta: «E se fizéssemos também um filme com o Amadeu?» Sorri e agarrei a ideia no ar. Mal entrámos no seu gabinete, na CMVM, ataquei o objectivo: «Amadeu, quero pedir-te uma coisa: preciso que faças umas gravações com o Leonel, como material de base da biografia.» Nem um segundo hesitou: «Quando começamos?»”
 Eis o que permitiu à biógrafa colher ao vivo, a quente, o depoimento, em discurso directo, do biografado – com a vitalidade pulsante que nenhum documento transmite.
 É quase criminoso fazer uma recensão crítica confinada ao cárcere dos 6000 ou 7000 caracteres que o JL me concede, quando se trata de um livro tão volumoso, tão rico, tão cheio de histórias de exemplo e proveito, como é este Fio das Lembranças, que nos entrega, generoso, inteligente e palpitante, um dos mais singulares passageiros do nosso tempo.
 Quero terminar, transcrevendo umas palavras que Amadeu Ferreira proferiu, numa entrevista dada, em Abril de 2005, ao Programa Nordeste com Carinho, de Maria de Jesus Cepeda e Marcolino Cepeda. Ao pedido dos entrevistadores – “Fale-nos da sua «Construção do Céu», para utilizar palavras suas” – Amadeu Ferreira respondeu: “A «Construção do Céu» é um pouco aquela ideia que eu teria… eu tenho uma dívida para com a sociedade… A primeira imagem de uma sociedade perfeita que eu conheci, conheci-a no seminário, que é o «Céu» e, portanto, de alguma forma, achei que tinha o dever de fazer com que o Céu fosse cá na Terra. De alguma forma foi esse o céu em que eu sempre acreditei, pelo qual sempre me esforcei e isso passou por várias atitudes na minha vida (…)”.
 Amadeu Ferreira sentiu, desde muito novo, que tinha “uma dívida para com a sociedade” e prometeu a si próprio pagá-la. Bom e honesto pagador de promessas, saldou, com generoso exagero, essa dívida. Teresa Martins Marques, por sua vez, quando o conheceu, sentiu que lhe devia uma biografia e prometeu fazê-la: também boa pagadora de promessas, cumpriu, à grande medida e sem se poupar, a dívida contraída. Duas belas histórias de pagamento de promessas, em tempos em que muito se promete e pouco se cumpre. Uma pessoa com coragem constitui uma maioria, disse Andrew Jackson. Duas pessoas com coragem constituem uma imensa maioria.

Eugénio Lisboa