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12 maio 2015
11 maio 2015
ALFÂNDEGA DA FÉ - Apresentação da obra do escritor António Sá Gué, por Norberto Veiga
A
primeira obra publicada pelo escritor António Sá Gué foi “As duas Faces da Moeda” e
pode ser encarada, de certa maneira, como a carta de apresentação do autor ao
sues leitores, apesar de o escritor não se dirigir a eles, de forma explícita,
como é prática corrente nas obras subsequentes.
O
romance recupera dois temas que marcaram, de forma significativa, a vida do país
e, em especial, a vida dos transmontanos. Num primeiro momento, o leitor vê-se
confrontado com o ciclo da emigração clandestina para a Europa, ocorrida nos
anos 60 do século passado, onde muitos transmontanos, para fugir à fome, à
miséria e à pobreza da terra, empreenderam uma viagem, que foi uma autêntica odisseia,
quando a travessia das fronteiras se fazia a pé, pela calada da noite, muitas
vezes perdidos, orientando-se apenas pela sua vontade de triunfar na vida.
O
segundo, mas não menos importante, refere-se à Guerra Colonial que assolou
Portugal na década de sessenta do século XX. Para se cumprir a ordem de Salazar,
“Para Angola e em força” muitos
jovens, corroborando as palavras de Pessoa, perderam a vida, muitas noivas
ficaram por casar e muitas mães jamais abraçaram os seus filhos. Cabe à
personagem “Gaio” estabelecer a ligação entre as duas temáticas. Emigrante
inadaptado acaba por regressar, comprar umas ovelhas e viver feliz, entre os
montes e o céu, numa vida simples de pastor. Todavia, este sossego foi curto, uma
vez que se viu obrigado a ir para a Guerra Colonial da qual regressará com muitas
cicatrizes físicas e o cansaço da alma que o hão de atormentar o resto da vida.
13 abril 2015
Apresentação de “As divinas nádegas de Joana Ludovina” de Fernando Mascarenhas
A Intriga, desta novela, desenrola-se numa vila do Nordeste Transmontano, denominada Vilancete, região que Miguel Torga batizou de “Reino Maravilhoso” e local que nós hoje temos o privilégio de habitar. A obra relata as vivências e as peripécias do protagonista, José Bernardo, um engenheiro reformado que regressa da cidade para, pensava ele, desfrutar da sua reforma com placidez, esperançado no conforto e proteção da casa e propriedade familiar, que anos antes o vira nascer.
Mas como é frequente dizer-se, de boas intenções está o inferno cheio. E, sem contar, o protagonista vê-se envolvido em acontecimentos que o arrastam para outros locais. Por conseguinte, a ação é levada para outros espaços: Porto, Lisboa, Madrid, Brasil e Suíça, por onde o protagonista deambula com o intuito de ordenar o caos provocado pelas outras personagens que de uma ou de outra forma a ele se encontram ligados numa teia bem urdida que o narrador nos vai desvendando com mestria e concisão, prendendo, deste modo, o leitor ao texto.
A obra apresenta um número reduzido de personagens onde, salvo raras exceções, quem dita o devir da ação é a personagem feminina. Este facto traz à nossa memória as antigas sociedades matriarcais. Assim, no livro, é a mulher, ou melhor, pela mulher que o protagonista se bate, qual Dom Quixote sempre pronto a socorrer a sua Dulcineia e, por conseguinte, a repor a justiça ou a colocar em ordem o caos que se havia instalado.
Passo, sucintamente, a mencionar algumas das personagens pelo seu revelo. Desde logo, o amigo de infância, Alexandre Manuel, que desempenha as funções de confidente. De seguida, a neta do protagonista, Constança que, de certa forma, podemos considerar uma personagem tipo, visto que representa todas as mulheres que são vítimas de violência doméstica e que dificilmente se conseguem livrar das garras dos agressores sem a ajuda de terceiros. Abro aqui um parêntese para recordar, não sem mágoa e tristeza, que este flagelo está, infelizmente, a aumentar em Portugal, como constantemente vemos noticiado na comunicação social. Estou em crer que nem outra foi a intenção do autor, a não ser condenar, de forma veemente, este “crime” e levar o leitor a refletir na humilhação a que alguns seres humanos estão sujeitos. Por outro lado, Alexandre Manuel, em minha opinião, representa o amigo genuíno, sincero e o companheiro de todas as horas, sempre pronto a ouvir, a ajudar e a aconselhar José Bernardo.
Fecho o parêntese, apresentado a personagem Dirce, uma brasileira, não cheia de encantos e deslumbres, mas antes pelo contrário plena de malícia e crueldade. Parece-me que, à semelhança de Constança, Dirce representa todas as mulheres oportunistas e sem escrúpulos que não olham a meios para atingirem os fins, mesmo que isso implique acabar com outro casamento e cometer, em desespero de causa, o próprio suicídio. Por último, apresento a personagem Joana Ludovina, que dá título à obra, e que por antonomásia representa todas as mulheres altruístas e filantropas que dão a sua vida e o melhor de si em prol dos outros, mais necessitados. Nesse sentido, esta personagem é mais quimérica do que real, sendo, também, aquela que apresenta uma maior densidade psicológica. Esta personagem, sobretudo no fim da narrativa, quando o leitor tem acesso à sua história de vida, faz-nos pensar que ainda é possível, neste mundo cruel e desumano, encontrar anjos da guarda que “abdicam” da sua vida para dar rumo e sentido à vida dos outros.
Para além das temáticas já mencionadas acima, também são afloradas na obra as seguintes: a emigração tanto a primeira leva provocada pela miséria e pela fome que grassavam em Portugal nas décadas de cinquenta e sessenta do século passado, representada no texto pela personagem Luciana, como pela emigração atual incentivada pela falta de emprego e oportunidades, empurrando os nossos melhores jovens para fora do país, situação que o autor relata de forma corrosiva. O tema da caça, associada ao passatempo, ao prazer e ao companheirismo, também se encontra patente na obra. Outra realidade que a obra atesta é a imigração de pessoas dos países de leste que encontram em Portugal e, mais concretamente, no Nordeste Transmontano, trabalho e acolhimento. Esta situação é documentada na obra pelo casal Vladimir e esposa. A derradeira temática, mas nem por isso menos relevante, que encontramos no final da narrativa, em jeito de remissão definitiva, está relacionada, ainda, com a Guerra Colonial, que deixou um património impalpável, mas perdurável de traumas e distúrbios de índole psíquica num grande número de soldados, como um vasto filão literário tem vindo a corroborar. Estes combatentes encontram-se personificados, nesta narrativa, pelo engenheiro e protagonista José Eduardo.
Para além destes motivos de reflexão que, como vimos, a obra proporciona, o autor usa e abusa da ironia e do sarcasmo nas várias passagens do texto em que reflete sobre a dura situação económica e social que vem assolando Portugal. O autor chega ao ponto de nomear os agentes políticos responsáveis pela situação a que o país chegou. Estas personalidades, ironia do destino, continuam impunes e indiferentes ao sofrimento e à miséria da população, aumentando, este facto, a indignação do autor.
A obra é, ainda, enriquecida pelas referências literárias que convoca e sua pertinência, permitindo fazer inferências com o que está a ser narrado.
Concluo, asseverando que a leitura de “As Divinas Nádegas de Joana Ludovina”, de Fernando Mascarenhas, é aprazível e cativa, pelo tom coloquial, pelo vocabulário acessível e referencial, pelas temáticas escalpelizadas e pelo enredo, o leitor que facilmente se identifica com algumas das personagens do livro.
Norberto Veiga
08 abril 2015
Voto de Louvor e Reconhecimento - Escritor Ernesto Rodrigues
03 abril 2015
Assembleia Geral - Convocatória
Nos termos legais
(art.º 11, n.º 2, e art. 19.º dos Estatutos, e sem que a Direcção tenha recorrido
ao art.º 14, n.º 3, seja, cooptação de elemento em falta, por morte do anterior
presidente, Amadeu Ferreira), e por decisão da AG de 28 de Março, convocam-se
os sócios da Academia de Letras de Trás-os-Montes para a Assembleia Geral Eleitoral, a realizar no dia 6 de Junho de 2015, pelas 10.30
horas, no Centro
Cultural Municipal Adriano Moreira, em Bragança, com a seguinte ordem de
trabalhos:
1. Leitura da acta da reunião anterior.
2. Apresentação de listas candidatas aos órgãos da ALTM
[Presidente da AG e dois vogais; na Direcção, um presidente, um vice-presidente
e três vogais; no Conselho Fiscal, um presidente e dois vogais].
3. Eleição por escrutínio secreto.
Se à hora marcada não houver quorum, a
reunião realizar-se-á 30 minutos depois, com qualquer número de sócios
presentes.
Observações:
1. As candidaturas são aceites
até 26 de Maio, e logo publicitadas, de modo a facilitar o voto por
correspondência (o sobrescrito com a indicação de voto deve ser colocado dentro
de outro sobrescrito, a cujo nome de associado só o presidente da AG terá
acesso).
2. É dever dos candidatos e
eleitores que tenham as quotas em dia, incluindo a relativa a 2015 (art.º 7.º,
alínea b, dos Estatutos).
Bragança, 30 de Março de 2015.
O Presidente da Assembleia Geral
Ernesto Rodrigues
01 abril 2015
Testemunho de Teresa Martins Marques
Teresa Martins Marques é uma incansável pesquisadora, com inúmeros títulos ensaísticos publicados, onde avultam abordagens sobre José Rodrigues Miguéis e David Mourão-Ferreira (o escritor a quem dedicou sua tese de Doutorado, depois de ter organizado seu imenso espólio).Em 2013, tornou-se romancista de sucesso com o livro A Mulher que Venceu Don Juan e recentemente lançou O Fio das Lembranças – Biografia de Amadeu Ferreira.
Fonte: http://www.lerjorgedesena.letras.ufrj.br/vida/novo-testemunho-de-teresa-martins-marques/
31 março 2015
Lendo Sá Gué
Para ti não faço versos,
Ares da minha serra
Lendo
Sá Gué
Quem
percorre a primavera através de um ramo de amendoeira florida sabe que a vida é
frágil e conclui que essa fragilidade está em tudo o que desponta e se mostra.
Ainda assim é conveniente tratar das coisas para que elas nos pareçam mais
firmes porque mais conformes com o nosso destino ou pelo menos com um modo de
estar que assenta em boa parte numa herança cultural que, assimilada
lentamente, nos faz como somos, nos determina a essência. Educação, sim, mas
devagar. Tudo volta ao mesmo quando somos confrontados com paisagens interiores
que nos interpelam e de certa forma constituem um exterior, já que publicadas,
vindas a lume na cidade. A terra e o seu apelo nascem todos os dias aos pés de
quem foi criado em ambiente de aldeia e sabe que tem reserva natural nesses
poisos ainda que deles fuja, ou melhor, veja os seus afastarem-se sabe-se lá
porquê e ao certo em nome de quê. Voltar? Sim, mas como, se até a pedra tende a
volver tranquibérnia, a par da velha e ainda sã oliveira tanta vez deslocada do
seu lugar a fim de aí progredir o que é novo e assumindo outras qualidades?
Fechava-se em casa,
evitava sair para o campo, pois era como que o matassem ver o moitedo da altura
do plantio – antes preferia ver o diabo arrastar uma alma para o inferno. Tudo
lhe passava pela cabeça. Tornava-se-lhe insuportável saber que os seus de nada
queriam saber da terra. Se pudesse, voltaria atrás, gastaria tudo na taberna, e
pronto, acabavam-se os problemas.
Assumida
a linguagem composta de boas maneiras que se vão formando não sem que seja
preciso persistência e sem fazer de nós e em definitivo sujeitos agarrados pelo
jeito um tanto ultrapassado do idealista
e sequaz convicto de ideologias canhestras, abertos a pontos interessantes
ou que resultem de um peneirar a que a sociologia no seu geral não é estranha,
podemos ter chegado a ponto de admitir a vinda de mensageiros que traziam informes de outros povos, que semelhavam Homero,
a catalogar naus: os de Fornos diziam-se firmes como fragas, armados de fustes
e hastes, homiziados em palheiros, e mantendo piquetes de atalaia noite e dia;
os do Lagoaçal cavaram fossos, levantaram barricadas e, entrincheirados e de
escopetas assestadas, estavam preparados para o que desse e viesse; os de Rós
já contavam cinquenta peltastas de prol que, armados de chuços e lazarinas, acaudilhados por um sargento de
infantaria reformado, prometiam antes quebrar que torcer; os do Souto,
homiziados em valhacoutos de castanheiros, armados de estadulhos e virotes,
dali não arredavam pé, sem apitar o comboio, nem que caísse o Carmo e a Trindade;
os de Mós, de esculcas avançadas a espiar movimentos do inimigo, e de
manganelas e trabucos assestados, eram capazes de atirar pedradas a mais de trezentas
braças. Diziam-se a vanguarda daquela milícia popular e formidolosa.
De
sossego a aflição, aflição a sossego, contemplando, de certo modo e antes que
seja tudo bem diferente, amavios de
bezerra parida, que escoucinha, escoucinha com medo de perder a cria, uma
multiplicidade de hipóteses se nos apresenta, qual formigueiro multicolor como as penas de gaio, tornando-nos irrequietos como levandiscas, saltitantes
como cabritos e ridentes como gralha, ainda que tenhamos percorrido bastas
vezes um par de escadas curvadas que subiam ao primeiro piso como se fossem as
hastes de um bigode decaído.
O
para muitos incrível tempo do desinço dos
meloais e dos melanciais e de outros mabiscos de sazão era compatível com o
sair da procissão em que o Santo António
vai à frente, depois o Santo Estêvão. Vistas assim as coisas, de modo
alargado, ainda que balizadas por certa estreiteza, que mais dará, dar-lhe no toutiço ou no toutiço lhe dar? Em boa
verdade, em terreiro aberto e barulhento quanto mais não seja devido à acção de
uma senhora banda, não é fácil a concentração no principal, fazendo suspeitar se aquelas cândidas e sacras
figuras rezavam orações ou ciciavam censuras. Certamente que o demo não
andava por ali a atacar a figura da frente, a
coalhar-se-lhe na ideia, atazanar-lhe a alma e tirar-lhe o juízo, não
querendo semelhar fruta fendida, cujo
paladar se vai deteriorando à medida que a eiva vai alastrando e a vai
apodrecendo. Num contexto assim e um pouco lá para o meio se não mesmo bem
na rectaguarda, a linha dos cinco
clarinetes dir-se-ia uma galinha e respetivos pintainhos.
Houve
tempos em que as fúrias do Áfrico se
espelhavam desde o chão dando corpo a fantasmas
que pareciam colonizar a sua alma, retirando corpo ao castanheiro de longas torcidas ao dependuro como se uma gaivota que tentava pousar no tejadilho
assim improvisado se arvorasse a truanices
de serão, qual guarda-freio que assistisse à composição a enveredar por uma linha colateral e marginal sem ter a
certeza do que estava a fazer.
Chulipa
na massa do calabre é que não deve
ser, nem com o pé, até por que a passagem
de nível com guarda, que ia atravessar, estava cortada pela manifestação e
aí nem pé nem mão, enquanto algumas
carruagens deambulavam por uma linha religiosa, talvez cega, talvez perdida,
todos não pintainhos, todos muito
quentinhos em redor da fornalha do comboio protector. Dão-se nomes, mas que
importa? Aliás o nome geral é um nome em si, o senhor Sicrano, fundamentalmente renitente quando se põe a
hipótese de atravessar as carruagens,
subir à máquina, sim, ai daquele que
não cumprisse os deveres para com o Comboio.
No mais ermo dos locais à
superfície da terra não faltam formas de vida.
Onde se pensa que não há movimento,
afinal tudo mexe.
Tira partido do veneno que o
envolve.
Que nenhum livro fique por escrever.
Sim,
claro. Muitos impressionam pelo rigor, pela singeleza e todavia passam sem
deixarem grandes marcas. Basta pensar em contra-ciclos que alberguem,
paradoxalmente, o ramal do facilitismo
e, por outro lado ou talvez não, o Novo-Rico da Silva.
Finalmente Karl Marx! Finalmente
pão para todos!
É caso para escrever: “Abaixo a
superabundância!”
Porque em tais ambientes o
importante é camuflar a realidade. Fazer de conta, como as crianças.
Tudo
isto se dá sem recurso visível a um grande mestre-de-cerimónias
do Grande Circo Ocidental (…), sem palhaços, sem a ingenuidade das
crianças, sem malabaristas nem trapezistas que arriscassem a vida, sem crenças
num outro mundo. Só a jaula do homo pouco sapiens, encurralado e dominado por
ele próprio, ocupava a pista. Ocupava e ocupa. Em boa parte, o conhecimento, ou a falta dele, tornou-se
perigoso, será a conclusão deste ponto.
Ninguém é livre se estiver preso à
obediência a um professor, a um regime, a uma religião.
Estava aquela acácia, mesmo no meio
do caminho, para ser impossível passar sem ser vista.
Não
assestemos, por nossa parte, a crítica, porquanto não é isso que o autor faz,
antes sugere uma escola que diríamos nova se o conceito não fosse já ele mesmo
velho. Nesta escola os valores que contam
são imateriais: das alegorias, dos arquétipos, da simbologia, da história… A
simbologia?, perguntarão alguns. Sim, os símbolos, já esquecidos, que nos
guiaram no início do caminho, eles são como rochas que afloram nos montes, eles
trazem à superfície, ao consciente, os arquétipos comuns, eles dão-nos a noção do
caminho feito e a fazer, do ideal a perseguir (…), não haverá
condicionamentos, gurus ou pregadores. (…). O telhado deste caminho-escola é a sociedade.
Escuta o coração, não percas a
faculdade de pensar.
Carimbar a caderneta é também um
sinal de descanso.
Ao
serão fazíamos defumadouros de palha centeia para combater as frieiras e ainda
sem sabermos que milhares de peregrinos
afectados pelo “Fogo de Santo Antão”, uma enfermidade causada pela ingestão de
um fungo, o ergot, que cresce no centeio e provoca uma espécie de gangrena nas
extremidades do corpo e que essa palha, que por certo também conheceu
Cristo, era susceptível de albergar uma das variantes do Diabo. Não façamos
aqui a ponte, mantenhamos antes as margens cada uma no seu sítio, ainda que as
pontes sejam a centralidade de todo o
caminho. (…). As pontes são assim,
surgem-nos quando menos esperamos, surgem pelo trabalho, pelo silêncio, pela
descida em nós mesmos. É no silêncio que as ideias nascem, amadurecem e ganham
forma. É no silêncio que se talham pedras e se erguem catedrais.
Trabalho,
tripalium, lembra um inquirir. Façam um
pequeno esforço mental, imaginem o homem sem trabalho, talvez nos tempos que
correm não seja difícil, mas coloquem as coisas noutra dimensão.
Para
que o trabalho liberte é preciso gostar do que se faz, o que não inibe
necessariamente a presença de um transformador
de consciências, um torniquete benigno que não seja estranho ao efeito borboleta. Porém, as notícias importantes devem ser captadas
no vento. Sim! É ele que nos dá o verdadeiro sentido do caminho. Nunca procurem
esse sentido no bulício do dia.
O caminho descobre-se dentro de
nós, quer se faça de bicicleta, a pé ou a cavalo. Seja ele qual for, nenhum
caminho é iluminado na totalidade. A fórmula da sapiência é estar sempre em
movimento.
Se
na frescura das primeiras águas do
outono, inçavam sanchas, a vitela dos pinhais, disponíveis para um viajante de floresta não solitário (ainda que
em muitos pontos só), absorvendo o Tu,
que verdadeiramente nasces todos os dias, lá para os lados da Serra do
Reboredo, que ficava à sua mão esquerda,
vista dali mais parecia um simples monte. Prolongava-se longitudinalmente ao
olhar e acabava por não dar a noção do longo e robusto torso que possuía. Mais
parecia a imagem do Cabeço da Mua que ficava do outro lado e semelhava ser o
seu reflexo. Não sei se era o cabeço a querer agigantar-se se a serra a querer
amesquinhar-se.
Há muitas formas de escravidão. Até
escravo de si próprio se pode ser.
Foi aquele ladrão… não fui eu, foi
ele, só pode ter sido ele.
A
voz que assim fala tem atributos próprios e elegíveis para o rol dos autores,
já naquela época, admitindo-se que talvez
se possa dizer que ainda não conhecia a existência de mundos sobrepostos.
Ligados uns aos outros por elementos racionalmente incompreensíveis e uma
vez que, frequentemente, o debrum se
apresentava todo ele plasmado no gradeado
do castelo, figurando gente que
ali perto, por sua vez, esperava a
audiência de dissensão e de julgamento que em boa verdade não o é em face
da lhaneza das perguntas.
Que profissões conhecia? Pastor e
lavrador. Só conhecia duas, embora com variantes.
Nas vagas dos montes me enlevo/ Nas
fragas vejo justiça/ No pó dos caminhos me perco/ nos homens encontro cobiça (…)
Ó ladeiras, ó vales que daqui
abarco/ Ó ribeiras onde me acalmo./ Adeus! Nas costas do vento embarco.
A
tradição que persiste encarna num João
Caramês… cabeça descaída… permanente mudez… semblante… certa satisfação que ainda
assim e por uma razão maior se afasta ou distingue da chusma de labrostes que cobria o terreiro e que hoje já não cobre
mas pelas más razões, sim, que o estômago
pedia trabalho e houve que abalar para outras bandas.
O vento, em rajadas fortes,
fustigava ferozmente todos, sem exceção nem preconceitos, sem distinção de
classes nem religião
Todos os tilintares de espada,
vindos do fundo do seu ser, dir-se-ia que do ser da própria
espada, que o autor deixa sempre o caminho aberto para este tipo de
interpretação. Seres que estão em tudo o que nos cerca e não nos cerca,
formando páginas, o ábaco das suas
existências.
Já era noite quando entraram na
cidade. Os candeeiros de gás já tinham sido acesos.
Era um corrupio de gente esfomeada
para agarrar um codorno de pão empedernido ou uma escudela de caldo que mais
parecia vianda para porcos
Embutido num recanto da parede
ficava o balde das necessidades fisiológicas.
É
a guerra. A prisão. A ânsia de libertação. Estamos já muito para além da
liberdade. Ou esperando, sem pressas, esse momento redentor.
Sinto tanto frio, a escuridão é tão
solitária, libertem-me. Deixem-me regressar às minhas colinas tempestuosas.
Deixem-me lavar a alma nas águas límpidas dos ribeiros. Deixem-me refrescar o
fogo da minha existência à sombra dos choupos. Libertem-me! Matem-me!
Não
deixa de ser curiosos que haja como que uma premonição de interesse geral: também ele, preso n.º 44 (editado em abril de 2013). Claro que
não há ninguém que não pense tolices e
tenha tendência a reformular o mapa da
cidade desconhecida/ frágil madrugada de mim.
Incubus
Succubus
O velho castanheiro não lhe trazia
nenhuma proteção.
Sempre
se precisará de ajuda, quanto mais não seja da medicina, ainda que por vezes
nos queira aliviar, nunca saberemos bem e completamente o quê, a partir de um tom cruel e caridoso que ficará sempre
reverberando nas mentes daqueles
desafortunados, vítimas, a arder em febre, em que habitavam ogres gigantes, viscosas serpentes que não havia meio de
dispersarem a ponto de se poderem considerar ausentes perante um teatro bem
mobilado, aparentemente, por artefactos
de cirurgia, a semelhar uma oficina de carpintaria, com nomes e
principiando em cabos que davam bem a dimensão
da dor e do sofrimento.
Já ninguém o reconhecia pelo
próprio nome, desde esse tempo passou a ser alcunhado (…).
Ele não se importava, quando ouvia esse apodo assomava-lhe um sorriso aos lábios
e desaparecia na esquina do edifício da Cruz Vermelha, onde agora recuperava.
Viver nesse mundo, por momentos,
pareceu-lhe ser a terra do arco-íris, a terra da felicidade.
Sonhar
(é) procurar a substância do ser.
Segue pela Avenida dos
Despreocupados, a Estrada dos Crentes, mas não desenterres as frustrações, as
incompreensões de ti e dos outros, os sonhos impossíveis, não exumes os cacos
frios do passado.
Esperou encontrar uma gota de água
naquele mundo que lhe parecia seco mas coerente. Uma gota de orvalho que fosse.
O
autor ergue-se a partir de um peso que carrega, pode ser lã, pode ser chumbo,
considerando volume equiparável.
Sinto
que não tenho/ nada para dizer…
Lá,
onde a razão não impera. Lá, onde o desgaste físico dá lugar à consciência da
inconsciência. Lá, onde o desgaste psicológico dá lugar à loucura saborosa. Lá,
onde os sonhos são nuvens, que se tocam e derrubam paredes.
Creio
que posso afirmar que desconheço o ócio, até mesmo nos momentos de recolhimento.
Falemos
por ele e através dele, sem ofensa para ninguém, nem para a turbamulta ou o que
lhe possamos chamar. Diga-se que fugiu da
terra natal para ficar em linha, mas nunca ficou. Nunca encontrou esse
alinhamento. Nunca o encontrou porque o único alinhamento que encontrava era o
alinhamento de humanos em torno de chefes sem ideias, sem conceitos
sustentáveis. É grave. Gravidade essa
que nos leva ao nosso abismo, como se fosse uma atracção perigosa, mas que se
ambiciona conhecer e da qual não se consegue sair.
Às vezes procurava os nós, os
atilhos daquela embalagem, e apenas encontrava resquícios de o grande Nó Górdio
que o Tempo atou, que nenhuma espada e nenhum Alexandre consegue cortar.
Provido
do saco das palavras que levava a
tiracolo e onde, de vez em quando, metia a mão para as libertar, sair (sem
querer?) do imenso túnel de palavras a
fim de alcançar (abraçar?) as pessoas, conhecê-las, saltar a aporia, resolver a
equação nem que tenha de pedir ajuda.
As pessoas que não conheço são
sempre simpáticas comigo. (…) Aliás, todos são simpáticos,
conhecidos e não conhecidos, mas não me ouvem e, depois, ainda para complicar
mais, tudo o que dizem não me interessa.
As areias do tempo são finas –
respondeu ele, virando-lhe as costas
Estava a apontar-lhe a Rua do
Torno. Aquela que tudo molda à sua imagem e semelhança.
Riu-se quando a viu. Nem queria
acreditar. A noite do outro dia.
A realidade não é tangível.
Caminhou cinquenta anos apenas numa
noite
A odisseia continua pela caverna
subterrânea, por veredas
por precipícios
por escuridões
por tempestades
De mãos e pés nus
Como quem segue a linha branca que
delimita a estrada em dia de nevoeiro
Havia
uma estrada. Há um caminho. O tempo era
cada vez mais lento na estrada. Paradoxalmente? Sim. No centro do vórtice foi-se desenhando uma figura mítica, sem pai nem
mãe.
A
escrita deste autor surpreende-nos no seu todo. Muitos dirão que está
profundamente marcada pelas vivências de um interior a que ninguém liga e que, por
outro lado, já muitos escavaram, escavaram sem irem além de propostas no alto
balizadas por um Aquilino Ribeiro (que mandou fazer umas botas novas para
melhor fugir da aldeia por causa da perseguição que a cidade de aldeões a dada
altura lhe movera) ou por um Miguel Torga (que sempre se quis cobrir de manto
telúrico afinal tão frágil e condizente com a sua condição de poeta). E todavia
não é bem assim, porquanto cada um, se quer ser além, abarcar em si um universo
sem o pretender transaccionar (no que ao essencial diz respeito) faz de si um
ponto de partida e, sem o saber ou querer saber, um ponto de chegada.
Partir
para outra etapa. Chegar-se para o mesmo campo desenhado pelas estações do ano,
sim, mas principalmente pelo dia e pela noite que em nós aportam. Um campo
aberto. Um campo fechado. Para uns e para outros e outras que o possam ou
queiram atingir, sem o ferir, ferindo-se, porventura, suturando, dando uma
volta sem capa e muito menos de cara tapada. Está vento, é desagradável? Pois
bem, cubramo-nos. Trata-se de movimentar o que estava por de mais parado.
CARLOS SAMBADE
Relatório e contas de 2014
Relatório e contas de
2014
Receitas
Saldo do ano anterior
------------------------------------------------------------------- €
1 185,37
Quotas e joias de inscrição -------------------------------------------------------------
€ 560,00
Subsídios para a produção dos documentários
Câmara
Municipal de Bragança --------------------------------- € 350,00
Câmara
Municipal de Montalegre ---------------------------- € 1 050,00
Direção
Regional da Cultura do Norte ----------------------- € 1 000,00
Câmara Municipal de Vila Real
-------------------------------- €
200,00
Outras
------------------------------------------------------------------------------------ € 70,00
Total
------------ € 4 414,37
Despesas
Realização e produção dos documentários de autores
transmontanos - ---€ 1 623,64
Correio
-----------------------------------------------------------------------------------------
€ 58,68
Livro de recibos
------------------------------------------------------------------------------
€ 30,75
Deslocações
----------------------------------------------------------------------------------
€ 68,43
Cartão de Pessoa Coletiva
--------------------------------------------------------------- € 14,00
Requisição de livro de cheques ---------------------------------------------------------
€ 8,05
Total
------------ € 1 803,55
Bragança, 25 de Janeiro de 2015
Pela
Direção:
______________________________________________________
Visto e aprovado.
O Conselho Fiscal:
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
RELATÓRIO DE ATIVIDADES Ano de 2014
RELATÓRIO DE ATIVIDADES
Ano de 2014
Dando
seguimento ao Plano de Atividades aprovado para o ano de 2014, foi elaborado o
presente Relatório o qual pretende sintetizar o conjunto das atividades
desenvolvidas tendentes ao cumprimento dos objetivos definidos para o período
anual em questão.
1. Documentários sobre escritores
transmontanos
Conforme o compromisso assumido nas
duas últimas reuniões da Assembleia Geral, o realizador Leonel Brito concluiu
os trabalhos de realização dos seguintes escritores transmontanos:
-
Bento Gonçalves da Cruz;
- João
Barroso da Fonte;
-
António Lourenço Fontes;
-
António Manuel Pires Cabral;
-
António Passos Coelho;
-
Hirondino da Paixão Fernandes
- António
Modesto Navarro;
-
Júlia Guarda Ribeiro.
-
Adriano Moreira.
Para
concluir a produção desta primeira série de dez documentários fica apenas em
falta o referente a Rentes de Carvalho que se mostrou disponível para o efeito
mas que, segundo ele próprio nos informou, se encontrava nos últimos meses do
ano transacto, numa situação delicada em temos do seu estado de saúde. Logo que
possível, retomaremos a conclusão deste trabalho.
Convém
lembrar, por ser de inteira justiça, que alguns destes trabalhos foram apoiados
financeiramente por algumas das câmaras municipais de cujos municípios são
oriundos os escritores: Bragança, Vila Real e Montalegre. Igualmente, obtivemos
um subsídio monetário da Direção Regional da Cultura do Norte.
2. Produção e emissão do programa Academia de Letras
Foi dada continuidade à produção e
emissão do programa Academia de Letras
na Rádio Brigantia; trata-se de um tempo de conversa com os escritores,
autores, poetas ou investigadores nossos associados, de reflexão sobre as suas
obras, projetos e sobre as suas vivências. Com a duração aproximada de 50
minutos e periodicidade mensal. No ano de 2014, foram os seguintes os autores
que nele participaram:
- António Sá Gué
- António Júlio Andrade
- António Fortuna
- António Monteiro
- Alexandre Parafita
- Antero Neto
- Hirondino Fernandes
- António Afonso
- Joaquim Ribeiro Aires
- A. M. Pires Cabral
- Virgínia do Carmo e Casimiro Fernandes
(Dia do Livro e do Livreiro)
- Ernesto Rodrigues
3. Artes e Livros
Organização, em parceria com a Câmara
Municipal de Bragança, do evento literário “Artes e Livros”, de 11 a 14 de
junho. Durante os quatro dias do evento, foram lançados ou apresentados cerca
de uma vintena de livros de autores transmontanos e de outros escritores. Foram
também apresentados os documentários de Hirondino Fernandes e Júlia Ribeira.
No âmbito da programação deste evento
foi realizada uma sessão de homenagem ao Dr. Hirondino Fernandes, que incluía a
referida apresentação do documentário e a intervenção do homenageado e de
outros associados, participantes, amigos…
4. Homenagem: “40 anos de vida literária
de Ernesto Rodrigues”
Uma organização conjunta da Academia
e da Câmara Municipal de Bragança, realizada no dia 13 de dezembro, na
Biblioteca Municipal de Bragança. Do programa, salienta-se:
- a intervenção do professor José
Eduardo Franco;
- a mesa redonda com colegas e amigos
do homenageado;
- a apresentação do livro Passos Perdidos
de Ernesto Rodrigues;
- a apresentação do documentário
“Ernesto Rodrigues – 40 anos de vida literária”;
- as exposições: Bibliografia de
Ernesto Rodrigues e “Bragança – anos 1970/2014”.
5. Antologia de Autoras Transmontanas
Efetuou-se uma parte substancial do
trabalho da organização da Antologia de Autoras Transmontanas, a cargo das
nossas associadas Hercília Agarez e Isabel Alves, um trabalho que reúne 28
escritoras e que virá a lume no decorrer do ano de 2015.
6. Blog da Academia
A dinamização do blog da Academia, para além das intervenções que vinham sendo
efectuadas, foi possível pelas novas participações, nomeadamente, a publicação
dos programas de rádio, o que permite a sua audição a todos os interessados,
mesmo em regiões ou países que estão fora do alcance das emissões da rádio
Brigantia. Por outro lado, têm vindo a ser inseridos no blog textos vários de
autores que, para o efeito os disponibilizam.
7. Arquivo documental do Padre António
Lourenço Fontes
Realizou-se no dia 30 de junho, em
Vilar de Perdizes, uma reunião, que havia sido solicitada pela Direção da
Academia e que contou com a presença do Vice-Presidente da Câmara Municipal de
Montalegre, do Padre Lourenço Fontes e do Vice-Presidente da Direção da
Academia, a fim de estudar uma solução para o vasto arquivo bibliográfico deste
autor barrosão.
8. A Academia, por intermédio dos
membros da sua Direção, sempre que solicitada ou por iniciativa própria, marcou
presença em vários eventos literários, nomeadamente os que diziam respeito a
apresentações de livros dos seus associados.
Em face do exposto, a Direção
considera que foram cabalmente atingidos os objetivos definidos no respetivo
Plano de Atividades, pelo que deliberou apresentar o presente Relatório, para
sua aprovação, à Assembleia Geral a realizar em 28 de março do corrente ano.
Bragança, 26 de Janeiro de 2015
A Direção
Orçamento para o ano de 2015
Orçamento para o ano de 2015
1.
Receitas
Quotas e jóias de inscrição dos associados €
2 000,00
Subsídios
€ 2 500,00
TOTAL
€ 4
500,00
2.
Despesas
Participação na edição da obra do Padre António Vieira €
1 000,00
Documentários sobre os escritores transmontanos € 500,00
Antologia das escritoras transmontanas € 2 000,00
Deslocações
€ 700,00
Material informático e de secretaria € 50,00
Correio € 150,00
Outros
€ 100,00
TOTAL € 4 500,00
Bragança, 25 de Janeiro de 2015
A Direção,
ACTA DA ASSEMBLEIA GERAL DA ACADEMIA DE LETRAS DE TRÁS-OS-MONTES REALIZADA A 1 DE MARÇO DE 2014
ACTA DA ASSEMBLEIA GERAL DA ACADEMIA DE LETRAS DE
TRÁS-OS-MONTES REALIZADA A 1 DE MARÇO DE 2014 NO AUDITÓRIO DO CENTRO CULTURAL
MUNICIPAL ADRIANO MOREIRA EM BRAGANÇA.
A
Assembleia Geral teve início cerca das 10.30 H, pela saudação a todos os
presentes do seu Presidente, Ernesto Rodrigues. De seguida, procedeu-se à
operacionalização da ordem de trabalhos enviada por email, e, em tempo
oportuno, a todos os sócios.--------------------------------
Ponto
1. Leitura da acta da reunião anterior – realizada pela 1ª secretária, Mª da
Assunção Anes Morais, a qual, não havendo nada a opor, se deu por aprovada.
Seguiu-se o-----------------------
Ponto
2. Aprovação do Relatório de Actividades e do Relatório de Contas do exercício
de 2013.
O
Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Ernesto Rodrigues, deu a palavra ao
Vice-Presidente da Direcção, António Tiza, que, antes de iniciar o referido
ponto, leu uma mensagem do Presidente da Direcção da Academia de Letras, Amadeu
Ferreira, ausente, por razões de saúde. Nela, é expresso um agradecimento ao
Vice-Presidente da Direcção, ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral e aos
restantes elementos da Direcção, pelo trabalho desenvolvido, ao mesmo tempo que
apresenta a sua concordância com os documentos que irão ser analisados nesta
Assembleia Geral. Pensa estar presente numa próxima oportunidade. De seguida, o
Vice-Presidente da Direcção agradeceu a presença de todos os sócios da Academia
nesta Assembleia, principalmente aos que tinham vindo de mais longe, como
Lisboa, Porto, Vila Real, Moncorvo, Mirandela ou Macedo, não se compreendendo,
assim, a ausência dos que residem mais perto, em Bragança, por exemplo. O
Presidente da Assembleia Geral interveio, entretanto, para resumir o Relatório
de Contas do exercício de 2013, em que, após a apresentação das despesas e das
receitas, havia um saldo positivo de cerca de 1.200,00 €. Voltou novamente a
intervir o Vice-Presidente da Direcção para apresentar o Relatório de Actividades.
Referiu o trabalho notável realizado por
Leonel Brito na realização e produção de 7 vídeos, de um conjunto de 11
programados; as intervenções da Academia de Letras de Trás-os-Montes no Programa
da Rádio Brigantia e Rádio Bragançana (RBA), não só nos últimos 3 meses do ano
de 2013, mas em outros, em que
participaram os seguintes autores: Ernesto Rodrigues, Hercília Agarez, Amadeu
Ferreira, António Tiza, Rogério Rodrigues, Hirondino Fernandes, Fernando
Mascarenhas e Fernando de Castro Branco. No que concerne ao blogue da Academia
de Letras, entrou numa nova dinâmica, desde que foi assumido pelo Leonel Brito
e Pedro Santos. Para terminar este ponto, o Presidente da Mesa da Assembleia
Geral fez uma síntese do mesmo, focando o valioso trabalho existente, memória
documental notável nos vídeos realizados, e que Direcção se tinha de debruçar
sobre o destino e uso a dar-lhe. De seguida, passámos para o ---------------------------
Ponto
3. Aprovação do Plano de Actividades e do Orçamento para 2014. Neste Ponto,
intervieram quer Ernesto Rodrigues, quer António Tiza, pelo que vamos
referir-nos aos pontos, conforme apresentados. 1) Orçamento: Valor previsto em
quotas/jóias dos sócios: 2.500,00 €, valor considerável favorável, e, de
Subsídios: 2.000,00 €, resultante de financiamentos das Câmaras onde serão
apresentados os vídeos dos autores daí originários; considera-se que este valor
será baixo para a previsão. 2) Plano de Actividades: Continuação do apoio à obra
do Padre António Vieira; Continuação da realização dos Documentários; Participação
no evento Artes e Livros, que a Câmara Municipal de Bragança costuma organizar
por volta do dia 10 de Junho, indo-se contactar a Vereadora do respectivo
pelouro para o efeito; Publicação da Antologia de Escritoras Transmontanas
(ideia inovadora); Reuniões com as Câmaras para apoio de autores menos
conhecidos, a fim de apoiarem a publicação dos seus escritos; Visita a Belém do
Pará - Brasil; Continuação do Programa de Rádio (no corrente ano, foram já
apresentados, em Janeiro, Sá Gué, e, em Fevereiro, António Júlio Andrade; em Março,
será a vez de António Fortuna). Acrescentou-se que a Academia não tinha verbas
para o pagamento de todas as despesas, nomeadamente a viagem ao Brasil,
tornando-se esta bastante dispendiosa; e, para a Antologia de Escritoras
Transmontanas, tinha-se inscrito no orçamento um valor de 1.000,00€. Sobre este
ponto seguiram-se intervenções dos seguintes membros: Rogério Rodrigues,
informando que a Editora Âncora, de A. Batista Lopes, se encontrava disponível
para publicar novas obras, à semelhança da Editora Lema d’Origem, de António Sá
Gué. Fernando Mascarenhas solicitou informação da existência, ou não, do
compromisso de o autor adquirir um certo número de exemplares por si ou por uma
3ª pessoa/entidade, nomeadamente a Autarquia. Foi informado que a prática da
Âncora não era essa. Rogério Rodrigues acrescentou que a Âncora tinha uma
distribuidora própria, o que lhe possibilitava uma poupança de cerca de 50% em
comparação com outras editoras. Além disso, recorria a um nicho de mercado,
nomeadamente na FNAC, Bertrand e outras livrarias locais. Ernesto Rodrigues
informou que, por exemplo, tal compromisso não era só das pequenas editoras, já
que tinha conhecimento, por exemplo, da Porto Editora, que oferecia algumas chancelas
aos autores, e, caso os livros não se vendessem, os mesmos tinham de o adquirir
o remanescente. Relativamente à Âncora, não se passava isso, mesmo no campo da poesia,
onde as tiragens eram menores, área que o Rogério Rodrigues dirigia,
conseguindo apoios locais e regionais para o efeito. José Mário Leite interveio
no sentido em que, relativamente aos Documentários sobre os autores oriundos de
alguns Municípios, e o apoio por parte destes, considerava que o valor
orçamentado ‒ 2.000,00 € ‒ era muito pequeno, já que, no seu parecer, as obras
“faraónicas” tinham acabado, encontrando-nos num novo ciclo político, e seria tempo
de se preservar a memória do povo através da cultura, comentário corroborado
por Fernando Mascarenhas. Rogério Rodrigues interveio para propor que fosse
pensada a criação de uma união das Câmaras do distrito, com representação em
Bragança e com o Patrocínio da Academia, cujo objetivo seria o apoio na apresentação
das obras dos diferentes autores. Ernesto Rodrigues lançou o repto aos autores presentes
de Vila Real, nomeadamente, Hercília Agarez, Isabel Alves e António Fortuna, em
associação com o Grémio Literário, exemplificando com uma experiência anterior,
própria, o lançamento de volume de Raul Rêgo.-----------------------------
Passou-se,
depois, ao -----------------------------------------------------------------------------------------
Ponto
4. Proposta de Leonel Brito como sócio honorário. Seguiram-se alguns
testemunhos sobre a pessoa e obra de Leonel Brito, e merecida distinção. O
Presidente da Assembleia Geral e o Vice-Presidente da Direcção referiram a obra
de realização e produção dos Documentários dos Autores Transmontanos, o elevado
número de horas de trabalho efectuado e a sua dedicação ao blogue da Academia
de Letras, pelo que gostariam de o ter como sócio honorário. Rogério Rodrigues
fez uma retrospectiva da vasta obra cinematográfica e de produção de Leonel Brito
desde o 25 de abril de 1974, até ao presente, contemplando quase todas as zonas
do País, com evidência para Trás-os-Montes, Porto, Madeira, para além da sua
referência de amigo, há cerca de 50 anos. Ernesto Rodrigues acrescentou o
trabalho de 23 H com Amadeu Ferreira, um importantíssimo documentário sobre a
sua vida e obra. Hercília Agarez referiu a dinamização do blogue e a sua
eficácia. Ernesto Rodrigues terminou com uma saudação e um agradecimento por
estar presente, sendo a proposta aprovada por unanimidade e aclamação. Leonel
Brito tomou a palavra, emocionado, falando sobre algum do seu trabalho neste
último ano, concretamente a gravação que fez com Amadeu Ferreira e também sobre
os pais deste, relatando a vida de Sendim – Miranda, a sua infância, a vida de seminarista,
a sua vida profissional; referiu, enfim, que, no documentário dos diferentes
autores, o que lhe interessou foi a parte humana do escritor, concretamente os
depoimentos sobre a sua vida desde a meninice até ao presente. Histórias de
vida que o marcaram. Concorda, pois, que as Câmara Municipais colaborem e
ajudem na sua divulgação. Relativamente ao blogue, é um trabalho dos diferentes
escritores, solicitando o envio de textos para a respetiva integração no mesmo,
nomeadamente, livros, congressos em que participaram, apresentações,
entrevistas, etc. Este é um trabalho que fica para sempre. Pode ser impresso,
estudado, trabalhado. É um oferecimento de trabalho cívico. Ernesto Rodrigues
referenciou o apoio também a autores não nascidos na região, mas aqui ligados
pela escrita, como é o caso de Teresa Martins Marques.
---------------------------------------------------------------
Seguiu-se
o último ponto, o
----------------------------------------------------------------------------------
Ponto
5. Outros assuntos. Sá Gué interveio, congratulando-se por Leonel Brito estar
connosco, pessoa que, sendo sua conterrânea, o ajudou muito, quer como autor,
quer como editor. Neste caso, na edição de autores, para uma editora da
dimensão da sua, surgem sempre alguns constrangimentos, até porque nem as
Autarquias estão a apoiar. Lança a ideia da Criação de um Centro de Estudos
Transmontanos, sobre autores e novos autores que têm trabalhos realizados,
concretamente de mestrados e doutoramentos, e que mereciam ser publicados. A
Academia devia ser como um impulsionador nestas situações. Ernesto Rodrigues
referiu que, nesta matéria, existe uma experiência muito interessante no
Funchal que é o Centro de Estudos do Atlântico, onde, em vez da edição do
exemplar completo, só é impresso 1 primeiro capítulo, resumo, de cerca de 16
páginas, e o restante texto é apresentado em CD, que se anexa, tornando-se
assim mais barato e com maior facilidade de acesso ao público em geral. Deu,
ainda, o exemplo das Memórias
Arqueológico-Históricas… do Abade de Baçal, apresentadas no blogue da
Academia, que Leonel Brito sustenta e coordena. Referiu, também, haver online muitas teses de doutoramento e
dissertações de mestrados, cujos autores não autorizam a recolha de elementos.
A Academia poderia realizar esse trabalho, contribuindo, assim, como uma fonte
de receitas, situação a estudar, levando um preço simbólico por cada consulta. É
seu parecer que nenhuma editora arriscaria investir em tais trabalhos. Teresa Matyins
Marques referiu a existência de textos para diferentes universos, em que as
citações seriam recolhidas com download
directo, com um público especializado e mais barato para todos. Leonel Brito
confirmou a informação de Teresa Marques, dando, como exemplo, um filme que fez
com Rogério Rodrigues e se encontra como documento na biblioteca da Câmara de
Torre de Moncorvo, e também no blogue “Farrapos de Memória”, que teve quase 1
milhão de visitas, tornando inviável o seu controlo. Referiu-se à biblioteca
digital, e à passagem do pergaminho ao papel, até ao digital. Mesmo o CD ‒
considerou ‒ vai desaparecer. Ernesto Rodrigues solicitou a António Tiza que
desse a informação sobre o 3º Encontro Livreiro que se realizara no anterior
fim-de-semana (sábado) na livraria Rosa D`Ouro, em Bragança, participado por livrarias
dos distritos de Vila Real e Bragança, e vários Autores. A Academia também
esteve presente, oferecendo a sua colaboração. Após um pequeno resumo de como
decorreu, Sá Gué acrescentou que a ideia resultante deste Encontro é fazer
circular pelas diferentes livrarias os autores nas suas apresentações, donde
resultava que, se, antes, só se viam nas livrarias as grandes editoras, neste
momento, as pequenas já têm alguma visibilidade. Teresa Martins Marques
acrescentou ser também necessário que as apresentações de obras de autores se
concretizem em novas formas, com alguma criatividade, dando o exemplo de uma
entrevista ao próprio autor.-----------
Questionando
os presentes sobre se alguém desejaria
falar, o que não aconteceu, o Presidente da Mesa da Assembleia deu por finda a
Assembleia Geral cerca das 13 H.--------------------------
Da
mesma, elaborou-se a presente Acta que vai ser datada e assinada pelos elementos
da Assembleia Geral.
Bragança,
1 de Março de 2014.
Ernesto
Rodrigues
Maria
da Assunção Anes Morais
Idalina
Brito
30 março 2015
Testemunho de Ernesto Rodrigues
Testemunho de Ernesto Rodrigues
Docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,
recém-eleito diretor do CLEPUL, Ernesto Rodrigues é também ensaísta,
jornalista, ficcionista, poeta, tradutor, além de membro ativo da Academia de
Letras de Trás-os-Montes, que ajudou a fundar. Com mais de 80 títulos
publicados, com toda justiça, acaba de ser homenageado em Bragança pelos seus
40 anos de vida literária.
Neste testemunho, recorda seu encontro com a obra e a figura
Jorge de Sena. O texto de sua autoria a que alude encontra-se em “95. A morte
do Papa“.
Fonte: http://www.lerjorgedesena.letras.ufrj.br/vida/novo-testemunho-de-ernesto-rodrigues/
Voto de Pesar pelo falecimento de Amadeu Ferreira
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