05 janeiro 2015

MULHERES INSTRUIDAS/ ESCRITORAS, por Hercília Agarez

MULHERES INSTRUIDAS/ ESCRITORAS

( A propósito de A Senhora Rattazzi de Camilo Castelo Branco)

“Guarda-te de homem que não fala, de mulher que faz versos e de cão que não ladra”.

    Em Carta de Guia de Casados, da autoria de D. Francisco Manuel de Melo, obra importante para o conhecimento da história social do nosso século XVII, deparamos com o conceito do escritor sobre a educação das mulheres e sobre o papel que lhe deve incumbir na sociedade. Resume-se este ao serviço doméstico como dona de casa, esposa e mãe: “Criou-as Deos fracas, sejam fracas; oxalá façam o que são obrigadas, não lhes quero pedir mais que a sua obrigação”.
    No que à sua educação diz respeito, tudo se resume à absoluta concordância do autor com a expressão popular “ Deus nos livre de mula que faz him e de mulher que sabe latim” que concretiza com o seguinte episódio: “ Confessava-se uma mulher honrada a um frade velho e rabugento; e como começasse a dizer em latim a confissão, perguntou-lhe o confessor: - ‘Sabeis Latim? ‘ Disse-lhe: - ‘Padre, criei-me em mosteiro’. Tornou-lhe a perguntar: - ‘Que estado tendes? ‘ Respondeu-lhe: -‘Casada’. A que tornou: - ‘Donde está vosso marido? ‘ – ‘Na Índia, meu padre’ (disse ela). Então com agudeza repetiu o velho: - ‘Tende mão, filha: sabeis latim, criastes-vos em mosteiro, tendes marido na Índia? Ora ide-vos embora, e vinde cá outro dia, que vos é força que tragais muito que dizer, e eu hoje estou com muita pressa”.
    Organizado em cartas como a obra anterior, surge, no século XVIII, época da vigência do Iluminismo, o livro do árcade Luís António Verney intitulado Verdadeiro Método de Estudar, considerado por António Sérgio “ a maior obra de pensamento que se escreveu em português”. Abrange ele matérias como a Linguística, a Oratória, a Poesia, a Filosofia, a Estilística e a Pedagogia. Com ele pretende Verney criticar a orientação escolástica dos estudos e orientá-los no sentido da utilidade que poderiam assumir, tanto no que dizia respeito à República como à Igreja.
    Na décima sexta carta, dedicada à educação das mulheres, defende-a convictamente, na certeza de que estas “discorrem tão bem como os homens”. Além disso, sendo elas as primeiras educadoras dos seus filhos, é de toda a conveniência que saibam o que dizem. Também como esposas a instrução lhes é útil, como explicita na seguinte passagem: “ Persuado-me que a maior parte dos homens casados que não fazem gosto de conversar com suas mulheres, e vão a outras partes procurar divertimentos pouco inocentes, é porque as acham tolas no trato; e é este o motivo que aumenta aquele desgosto que naturalmente se acha no contínuo trato de marido com mulher. Certo é que uma mulher de juízo exercitado saberá adoçar o ânimo agreste de um marido áspero e ignorante, ou saberá entreter melhor a disposição de ânimo de um marido erudito, do que outra que não tem estas qualidades”.
    Se, anteriormente ao século XX, a mulher instruída era vista como invasora de território reservado ao homem, o caso agravava-se quando ousava com ele competir no manejo da pena. A tal se atreveu, no século XVIII, a Marquesa de Alorna, considerada a Madame de Staël portuguesa e que nos legou as suas Obras Poéticas, em seis volumes, onde deixa transparecer características estéticas de uma sensibilidade romântica. Alexandre Herculano haverá de lhe ficar reconhecido pelo magistério que exerceu no seu famoso salão e cujo principal discípulo foi o poeta pré-romântico Filinto Elísio.
    Não fossem as circunstâncias conhecidas da vida de Ana Plácido, companheira de vida e de infortúnios de Camilo Castelo Branco, teria ela provavelmente ocupado um lugar de destaque nas letras oitocentistas. Colaboradora de jornais e revistas, cultivou a poesia e foi autora de dois romances, sendo o mais conhecido Luz Coada por Ferros que, como o título indicia, foi escrito nos dias que passou encarcerada com o escritor na Cadeia da Relação do Porto. Esta sua actividade literária terá sido estimulada pelo próprio novelista e tê-la-á feito abortar a falta de disponibilidade mental causada por múltiplos desgostos.
    Terá sido esta mulher, por razões sentimentais, uma excepção ao modo como o homem de Ceide encarava as mulheres escritoras. A ilustrá-lo, apoiemo-nos na polémica pessoal que o envolveu com uma princesa francesa, descendente dos Bonapartes pelo lado materno, mulher de complexa, aventurosa e faustosa existência, com um “currículo” donde sobressai o facto de ter sido amante de Victor Hugo. Dedicou-se ao jornalismo e à literatura e visitou vários países, entre os quais Portugal, onde fez “estragos” e gerou controvérsias. Aqui pretendeu impor-se como escritora, cultivando amizades nos meios sociais, políticos e artísticos, tendo sido famosas as recepções em que tudo fazia para insinuar-se e ganhar notoriedade a qualquer preço.
    Não terá conseguido os seus intentos. Despeitada, publicou o livro Portugal à vol d’oiseau, resultante das duas viagens que fez ao nosso país em 1876 e 1879, traduzido em 1881 com o título Portugal de relance. Nele faz a autora considerações críticas que atingem vários alvos: o clero (para ela representado pela figura do Padre Amaro de Eça), a história de Portugal, a política e seus destacados membros, o jornalismo, a vida íntima dos portugueses, a aristocracia, o sector hoteleiro (refere que os hotéis de Lisboa têm ratos e percevejos), a literatura em que são zurzidos, entre outros, Herculano, Castilho, Bulhão Pato, Júlio Dinis, Mendes Leal e…obviamente, Camilo.
    Quem conhece o carácter quezilento e irascível do escritor, a sua tendência a entrar, por tudo e por nada, numa boa polémica, compreenderá que lhe seria impossível não sair a terreno para defender a sua dama, neste caso a sua obra, encabeçando a legião dos esperados contestatários. Assim, publica em 1880 o folheto A Senhora Rattazzi em cujo preâmbulo, a reboque de D. Francisco Manuel de Melo (“ Mulheres doutoras, autoras e compositoras dava-as o diabo”) exprime a sua opinião sobre as mulheres escritoras. Estaria a pensar em Les Femmes Savantes de Molière?
   
    Mulher escritora, por via de regra pouco exceptuada, é um homem por dentro. O coração, que lhe devia ser urna de suavíssimas lágrimas, faz-se-lhe botija de tinta; e as doces penas da alma metalizam-se-lhe aguçadas em penas de aço. O fuso de Lucrécia e da rainha Berta desfez-se em canetas. Em vez de tecerem o seu bragal, urdem intrigas.
    […] Não há feminilidades que se respeitem desde que a mulher se masculiniza, e, como escritora virago, salta as fronteiras do decoro, sofraldando as espumas das rendas até à altura da liga azul-ferrete.
[…] Eu, criado no velho noticiário, tendo de anunciar o produto duma dama dado à luz, antes quisera, em vez dum livro bom, anunciar um menino robusto. Acho muito mais simpática a feminilidade de mães pálidas, com olheiras, emaciadas, que aconchegam dos seios exuberantes a criancinha rosada, recém-nascida. Não me comove nem alvoroça o espectáculo de uma autora que se remira e envaidece na brochura que deu à luz, obra entre cinco e sete tostões – 740 réis com estampilha. Por isso, antes quero noticiar um menino robusto que um oitavo compacto.

    No corpus do texto polémico, Camilo regista e contesta as várias barbaridades contidas numa publicação cujo título sugere a superficialidade das abordagens feitas. A terminá-lo, regista:

            Vence-me o tédio; mas não me punge o remorso de ter lido 415 páginas. Tenho, porém vergonha de que um ou outro português, desnacionalizado por despeitos pessoais e políticos, se compraza de ver os seus conterrâneos enxovalhados pela srª Rattazzi, cuja maledicência é notoriamente europeia. O seu renome de estilista desbragada sem cerimónia ganhou-o em Itália e Paris a ponto de lhe imputarem as brochuras crapulosas do infame bandido Vésinier, um corcunda petroleiro que espingardearam em 71.
    Que escreve a princesa escritora sobre Castelo Branco? Pouco mais do que isto:

Todos os romances do solitário de S. Miguel de Ceide contêm infalivelmente um tipo de brasileiro, uma rapariga que se recolhe a um convento, um fidalgo de província e um romântico apaixonado e transparente. É invariável como a chuva e o bom tempo. De forma que o primeiro romance que se lê do Sr. Branco parece muito interessante, o segundo acorda reminiscências, e o terceiro adivinha-se; o quarto sabe-se de cor, volta-se a página sabendo-se o que vai passar-se. É uma galeria de personagens que raramente se renova, como a dos museus de figuras de seda.

    Esta opinião remete para a de Miguel Torga:

     Este Camilo, com o devido respeito, lembra-me sempre uma romaria…
 Muita gente, muito vinho, música, a procissão com o Brasileiro que paga tudo à vara do pálio, a missa, o sermão, a menina que comunga, o homem da vermelhinha, o jantar na Residência, e o arraial à noite, com foguetes de lágrimas, onde se acaba tudo aos tiros e às facadas.

                                                                                                                                 Diário I

Do Movimento Operário e Outras Viagens de Ernesto Rodrigues, por Norberto da Veiga

Do Movimento Operário e Outras Viagens de Ernesto Rodrigues

Por Norberto Francisco Machado da Veiga[1]

Este livro de poesia é composto por quarenta poemas, elaborados como resposta aos estímulos das deambulações do poeta, como se infere da leitura do título “Outras Viagens”. Os topónimos poetizados por Ernesto Rodrigues são as cidades míticas que enformaram a sua cultura, nessa busca interminável do ser por ele próprio e, através dele, pelo outro, lato sensu, pelo homem em busca da sua felicidade, que o poeta só consegue descortinar pelo amor à língua, cultura e civilização.
A obra abre com a composição poética que dá título ao livro “Do movimento operário” onde, para além de se fazer uma sentida homenagem ao honesto trabalho com o qual o Homem ganhará o pão, metaforizada no pai do poeta, se compara o ofício da forja, isto é, do ferreiro ao ofício cantante, ou seja, à ars poetica. Assim, para o eu lírico, o processo alquímico é análogo, pois, tal como o ferreiro domina e molda o ferro em brasa para dar forma aos mais belos e proveitosos utensílios, o poeta funde, molda e dá forma às palavras para escrever o verso mais perfeito que consiga auxiliar o leitor na sua autognose permanente.
O segundo poema é um soneto, embora a arquitetura estrófica não seja a canónica, uma vez que é composto por um dístico e três quadras, dedicado à mãe do poeta, onde se patenteia o carinho e a ininterrupta preocupação maternal. Parece-me que o dístico resultaria melhor no final, visto tratar-se da súmula do poema, funcionando, assim, como chave de ouro.
Os poemas deste livro podem agrupar-se, segundo creio, em dois grupos: o primeiro marcado pelo tom mais intimista, ou seja, mais lírico, presente nos sete sonetos e nas composições mais curtas, onde se ouve a voz dolorida do poeta murmurando com saudade as doces alegrias pretéritas; o segundo, e mais amplo, compreende o grande número de poemas narrativos, que, na minha ótica, se organizam em torno de duas realidades, significativas a todos os níveis para o poeta, a saber: Europa, e Portugal/Nação/Pátria.
No primeiro grupo, encontramos textos sobre topónimos da Hungria e de outras cidades e países da Europa, que enformaram culturalmente o poeta. Nestes poemas de grande fôlego o tom épico alterna com o lírico facilitando a comunicação com o leitor.
O seguinte reúne poemas sobre o país, assunto de questionação constante pelo poeta, onde o tom épico secundariza, de vez, a voz lírica, nos quais o eu poemático assume, sem ambages, a atitude prometaica da poesia. Esta atitude leva-o a declarar abertamente o seu intento, que passa por provocar a reflexão no leitor e levá-lo à ação, para que, em conjunto, se possa construir um mundo melhor. Nem outra função pode ser cometida à poesia a não ser inventar novas realidades a partir do real concreto. 
Permitam-me destacar o poema épico «Outra Pátria», em jeito de súmula do que afirmei atrás. Esta composição apresenta a estrutura interna da epopeia pois encontra-se dividido em quatro partes: proposição, invocação, dedicatória e narrações. Aqui, creio que o modelo é Camões, uma vez que as epopeias clássicas não apresentam, na sua estrutura interna, a dedicatória. Poema singular e fulcral na arquitetura do livro onde imitador e imitado se confundem num derradeiro esforço de refundação da pátria que, por incrível que pareça, continua numa austera, apagada e vil tristeza. Não falo nas aproximações estilísticas, realço, tão só, os motivos e propósitos enunciados no incipit do poema “A luz, a cor, o dom de minha terra / canto, no tempo mau em que navego.” [P. 50, sublinhado meu]. Resulta, também, feliz a decomposição dos versos da “proposição” em elementos realçando, desta forma, o ritmo e a compreensão da leitura. A primeira estrofe da composição 4 da narração corrobora a ideia de privação e do abatimento que persiste em acompanhar o país, no presente, como se percebe pela interrogação com que termina a estrofe: “Que bravia sombra vem, / ronronante, levando-me por sobre / sonhos gastos de pátria tão pobre?” [P. 61]       
É, ainda, pertinente salientar que este carme é antecedido pelos poemas «Língua» em que lê-mos: “Eu comovo-me, povo, com teu fado, / a coragem de ser além de nós, / tão pequeno, já solo embarcado, / para longes contactos, uns após // outros – em sintonia cor e língua.” [P. 44]; «História de Portugal» no qual se revisitam os acontecimentos fundadores da nossa identidade como Nação; «Pátria» onde “Chão, Deus, água, valor, língua, / são quinas de Portugal” [P. 46]; «Rimas Pobres» em dois andamentos: no primeiro o poeta apresenta um retrato mórbido do país como se pode constatar pela primeira quadra “A maldade tomou conta de nós. / Prometia baixar impostos; dar / emprego a milhares; ser correcto; / ajudar quem precisa, e avós.” [P. 47] A segunda parte encerra com um aviso e a convocação à não resignação dos leitores/eleitores para que não embalem no falar melífluo dos governantes. “Mas, se fores // na conversa, em ti chorarás quanto / buscou evitar-te este meu canto.” [P. 47, sublinhado meu] O vate acredita na possibilidade de a poesia “este meu canto” ajudar a transformar o mundo e a tornar o ser humano mais cônscio; “Governo” onde se faz uma crítica desvelada à imigração e se apela à pátria, adjetivada de amada, para que tal como uma mãe continue a sustentar os seus filhos, “O exílio // não é vocação - pesa-, ó amada pátria: sê grande, mas em ti; cria bens;” [P. 48]. A composição «Outra Pátria» precede o poema «Democracia» um longo poema narrativo organizado em seis partes no qual o poeta, recorrendo a adágios populares e a frases feitas, continua a pintar um quadro do país com cores esmaecidas, onde, apenas, é nítida a falta dessa mesma liberdade que dá título ao carme. O sujeito lírico chega ao ponto de a apostrofar, “Sê, democracia, igual aos que te desejam recta, cultivada.” [P. 64] Ato contínuo, o poeta continua a enumerar as desventuras da democracia, recorrendo, despojado das demais armas, à poesia como a derradeira salvação, “A ti cabe, amigo verso, tal / dedicatória (…) Por ti começa, verso, sermos outros.” [P. 65] Mas, e apesar destes desejos e incentivos para que a democracia seja o sol do país, a composição culmina de forma disfórica, como se pode constatar pela leitura destes versos, “Tens. Ó democracia, sangue vil em ti. / Não digas, pois, que és democracia. Oh, / mas que de ilusões o homem se sacia…” [P. 68] 
Parece-me que este conjunto de poemas sob o signo da portugalidade apresenta três momentos. O primário formado pelo conjunto de carmes que precedem «Outra Pátria» nos quais o poeta reflete sobre o país no passado, no presente e “sem futuro”. Por essa razão, ele propõe uma alternativa, seguindo no encalço de Camões, que passa por reedificar uma «Outra Pátria» acreditando que o canto/a poesia, como aconteceu com o épico, pode cumprir esse desígnio. Penso ser essa a inferência que se pode retirar da leitura da estrofe que encerra o referido poema “Honrar quem nos comove: língua, chão, / dignidade; ser grande na incerteza / lida de viver. Um poema não / faz muito - mas é cais, casa, desperta / asas do sim, que dão cor ao lugar. / Um poema faz-se para criar.” [P. 61, sublinhado meu]
Os antepenúltimos poemas do livro, «civilização» e «cultura», reacendem a proposta de Pessoa na Mensagem. No entanto, o que em Pessoa era sonho, crença e esperança nesse quinto império capaz de redimir o país é, no presente, para Ernesto Rodrigues desalento, pois “A civilização é um mal sem cura; / sobrevivemos?” É, ainda, miséria e sujeição “dependência, necessidades falsas – sonho de verbo-acto, adjetivo, / quando a vida é nome pobre.” [P.71] É, por fim, hipocrisia “Cresce sociedade / no equilíbrio certo / entre o ser e o ter. (…) Morrem / povos famintos. Voam / palavras, que encobrem / os ares; e não vende / arte fora de moda”. [P. 74] A deceção é total como se depreende da interrogação “Que mundo nos calhou, / tão desequilibrado?”
O livro de poesia Do Movimento Operário e Outras Viagens abre com um tom épico cantando as capacidades do homem que, transformando o mundo, pelo trabalho, se transforma. E finda com o registo lírico em tom autobiográfico no poema «Dono de mim, não perco nada. Séneca» e com a crença nas potencialidades da vida humana em «A vida não é uma linha; tem», onde as últimas palavras constituem um repto à não resignação do ser humano e à crença nas suas capacidades para transformar o mundo, “Faz / da dor teus pés de lã, rasgando lagos; / do riso, praia nua, que afago.”
Epilogando, este livro pode ler-se como uma sonata em três movimentos e em forma circular: o primeiro onde se faz a apologia épica do trabalho, o segundo onde ecoam algumas vozes resultantes da fadiga e do ceticismo emanados da espuma dos dias, para, no último andamento, se reforçar, de novo, as capacidades individuais do ser humano.

Bragança, 31 de dezembro de 2014

[1] Doutorado em Literatura Portuguesa, poesia contemporânea, pela Universidade de Salamanca homologado pela Universidade do Minho.

19 dezembro 2014

Ernesto Rodrigues - 40 Anos de Vida Literária

Academia de Letras, PROGRAMA DE NOVEMBRO, na Rádio Brigantia - Dia do livro e do livreiro




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OS FILHOS DO (IN)FORTÚNIO, de Lídia Machado dos Santos e Pedro Bessa

OS FILHOS DO (IN)FORTÚNIO

Tudo o que sou claramente não é daqui. Mas tudo o que sou obscuramente pertence a este chão. A minha vida é uma corda de viola esticada entre dois mundos. No outro, oiço-lhe a música; neste sinto-lhe as vibrações.
Miguel Torga, Diário X
A vida na cidade nunca fora apenas uma opção. Fora a opção. A única realidade que haviam conhecido até então desde os tempos das diabruras mais feias na casa de uma tia tão tia cujo nome já se tinha perdido no tempo. Por essa altura, o mês de agosto, e só esse, era passado algures num parque remoto do país que nem parecia o seu. Chamavam-lhe Montesinho e ficava a dias de viagem de Lisboa. Pelo menos para os mais jovens da família, a viagem, no início dos anos 80, parecia ter a duração de uma eternidade.
Aquela viagem tinha sabor a aventura. Chica e o irmão Rodrigo preparavam-se durante semanas para receberem o cheiro a verde e a silêncio que o campo exalava.
Aos quinze anos, e já no final daquela década, a padecer das primeiras borbulhas, Chica passara a Francisca e recusara-se a deixar o ar cada vez mais putrefacto da cidade durante o verão por não acontecer, segundo ela, nada de moderno na montanha. Lá não havia as festas da moda, as pessoas exuberantes, os lugares requintados. O irmão seguira-lhe o raciocínio, a vontade e o exemplo. Afinal, ela era a mais velha e tinha sempre todas as respostas. Instalar-se-ia uma luta entre eles, os pais e a tia Montesinho, como era conhecida na família. Vencê-la-iam os dois petizes depois de algum tempo, de resto.
Um dia, porém, a opção seria definitivamente outra e ver-se-iam obrigados a regressar munidos de armas e bagagem. Sobretudo bagagem. A montanha contemplá-los-ia do alto da sua imensa pacatez e sabedoria e ensiná-los-ia a viver de novo na simplicidade de quem tudo tem e nada anseia.

TRÊS QUADROS, OU À PROCURA DO NATAL, por Amadeu Ferreira


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D. AFONSO HENRIQUES - 900 ANOS (1111-2011)



Provérbios - Três por dia


1 - Da água mansa te guarda, que da rija, ela te guardará.
2 - Dá ao advogado o dinheiro de contado.
3 - Dá ao gato o que o rato há-de (tem de) levar.

Amanhã é outro dia, por Maria da Assunção Carqueja


Conversas à Lareira, por Valentina Paiva


Era Agosto e Chovia, por Elvira Santos



"LS Mielgos" ,de Manuel Bandarra, Francisco Niebro e João Bandarra


15 dezembro 2014

Academia de Letras, PROGRAMA DE DEZEMBRO, na Rádio Brigantia - ERNESTO RODRIGUES




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DITOS DEZIDEIROS - Provérbios Mirandeses, de Amadeu Ferreira

SINOPSE:
Nesta obra, Amadeu Ferreira procurou reunir todos os provérbios mirandeses até agora publicados, partindo da junção da sua colecção, disponível na página «Sendim em Linha» (www.sendim.net), à de António Maria Mourinho, editada na obra Ditos Dezideiros Mirandeses.
As colecções foram criteriosamente analisadas e estudadas, de forma a serem eliminadas as variantes não significativas, chegando-se a aproximadamente 5000 provérbios que revelam a essência dos saberes populares da cultura mirandesa.

CONTRACAPA:
«De agora em diante, esta passará a ser a mais completa lista de provérbios mirandeses, aproximadamente em número de 5000. A colecção de António Maria Mourinho apresenta um grau de criatividade relativamente elevado, quer em termos de ditos novos, quer em traduções, sobretudo do castelhano. Exigia-se colocar este cuidado na publicação dos provérbios mirandeses, pois eles são um vector fundamental da cultura do povo mirandês.»
«Zde agora an delantre, esta passará a ser la mais lharga i cumpleta lista de ditos dezideiros, an númaro de arrimado a 5000. La colecion de António Maria Mourinho apersenta inda ua amportante criatebidade, cun que tubímos que cuntar, seia quanto a ditos nuobos, seia quanto a traduciones, subretodo de l castelhano. Habie que poner este cuidado na publicacion de ls ditos mirandeses, yá que eilhes son ua lhinha fundamental de la cultura de l pobo mirandés.»
in Introdução / Antrada

BIOGRAFIA

12 dezembro 2014

Património Imaterial do Douro -III Fórum


Ernesto Rodrigues - PASSOS PERDIDOS

 SINOPSE
Um banco de investimento quer vender projecto de lei a deputado democrata-cristão há 40 anos sem intervenção no plenário da Assembleia da República. Quem é João Félix Filostrato? A que se deve esse silêncio? Em iniciativa mediada pela assessora do grupo parlamentar, Salomé, que promove encontro com o economista-chefe João Félix Exposto, Nádia e o estagiário João Félix, também narrador, sobressai a jornalista Joana, por quem passa a história do eleito por Vila Franca e a solução de alguns enigmas. Na sombra, cresce deputada da oposição, cuja biografia se enlaça na deste. Como se organiza a queda de um anjo? Entre comportamentos oblíquos e identidades sempre esquivas, um deputado-borboleta da extrema-esquerda torna-se vítima de predadoras e perdedoras, que visam vingança em várias frentes.
Quase dois séculos de regime parlamentar e discursos inócuos ou repetitivos reflectem outros tantos passos perdidos que a Constituição de 1975 e legislaturas fracas não transfor­maram. Reflexão sobre a democracia em semana pascal, esta fábula política é salva, no final, por um bem enredado discurso amoroso.

Biografia
Ernesto Rodrigues (Torre de Dona Chama, 1956) é poeta, ficcionista, cronista, crítico, ensaísta, editor literário e tradutor de húngaro. Antigo jornalista e leitor de Português na Universidade de Budapeste, é docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Celebrou 40 anos de vida literária, em 2013, com Do Movimento Operário e Outras Viagens, poesia, e A Casa de Bragança, romance. Deu ainda, na ficção: A Flor e a Morte, 1983; A Serpente de Bronze, 1989; Torre de Dona Chama, 1994; Histórias para Acordar, 1996; O Romance do Gramático, 2011. No ensaio: Mágico Folhetim – Literatura e Jornalismo em Portugal, 1998; Cultura Literária Oitocen­tista, 1999; Verso e Prosa de Novecentos, 2000;
A Corte Luso-Brasileira no Jornalismo Português (1807-1821), 2008; ‘O Século’ de Lopes de Mendonça – O Primeiro Jornal Socialista, 2008; 5 de Outubro – Uma Reconstituição, 2010. Editou Fastigínia, de Tomé Pinheiro da Veiga (2011).

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10 dezembro 2014

Ernesto Rodrigues : 40 anos de vida literária - Documentário


Ernesto Rodrigues - 40 Anos de Vida Literária - Cartaz


Ernesto Rodrigues  - 40 Anos de Vida Literária - Programa

MENSAGEM DA DIREÇÃO


Depoimentos:

(António Baptista Lopes)

(José Manuel Mendes)

(José Augusto França)

(Desidério Rodrigues)

(Amadeu Ferreira)

(Frei Henrique Perdigão)

(Hirondino Fernandes)

(José Mário Leite)

(Alcides Rodrigues)

(Teresa Martins Marques)

(José Manuel Neto Jacob)

(Carlos Pires)

(Jorge Nunes)

Ernesto Rodrigues : 40 anos de vida literária - Depoimentos (António Baptista Lopes)


António Baptista Lopes from Leonel Brito on Vimeo.

Ernesto Rodrigues - 40 Anos de Vida Literária - Cartaz

Ernesto Rodrigues  - 40 Anos de Vida Literária - Programa

MENSAGEM DA DIREÇÃO


40 anos de vida literária de Ernesto Rodrigues - Depoimentos:

(António Baptista Lopes)

(José Manuel Mendes)

(José Augusto França)

(Desidério Rodrigues)

(Amadeu Ferreira)

(Frei Henrique Perdigão)

(Hirondino Fernandes)

(José Mário Leite)

(Alcides Rodrigues)

(Teresa Martins Marques)

(José Manuel Neto Jacob)

(Carlos Pires)

(Jorge Nunes)

Ernesto Rodrigues : 40 anos de vida literária - Depoimentos (José Manuel Mendes)


José Manuel Mendes from Leonel Brito on Vimeo.

Ernesto Rodrigues - 40 Anos de Vida Literária - Cartaz

Ernesto Rodrigues  - 40 Anos de Vida Literária - Programa

MENSAGEM DA DIREÇÃO


40 anos de vida literária de Ernesto Rodrigues - Depoimentos:

(António Baptista Lopes)

(José Manuel Mendes)

(José Augusto França)

(Desidério Rodrigues)

(Amadeu Ferreira)

(Frei Henrique Perdigão)

(Hirondino Fernandes)

(José Mário Leite)

(Alcides Rodrigues)

(Teresa Martins Marques)

(José Manuel Neto Jacob)

(Carlos Pires)

(Jorge Nunes)

03 dezembro 2014

Ernesto Rodrigues - 40 anos de vida literária - Ementa de almoço

EMENTA DE ALMOÇO

Entradas
- Fumeiro, Chouriço, Alheira, Presunto, Queijos

Sopa
- Canja de Perdiz
- Sopa de Legumes

Pratos
- Túbaras Solarengas
- Arroz de Galinhola
- Posta de Vitela Mirandesa
- Veado ou Javali estufado em pote de ferro

 Sobremesas caseiras
- Sopa  de cerejas
- Bolo de castanha e noz
- Abobora dourada
- Doce da casa (mel, nozes e natas)
- Torta de laranja
- Bolo de chocolate
- Fruta da época

Dieta: Peixe fresco grelhado

Vinhos
- Cistus Reserva branco
- Cistus Reserva tinto