Blogue Oficial da Academia de Letras de Trás-os-Montes || Email: academiadeletrasosmontes@gmail.com
18 abril 2014
ESCRITORAS TRANSMONTANAS - Ilda Fernandes
Ilda Fernandes, filha de João José Fernandes e de Maria Joaquina de Andrade - proprietários agricultores, nasceu em Maçores - Moncorvo, em 3 de Julho de 1939.
Em 1964 completou o Curso do Magistério Primário na Escola do Magistério Primário de Coimbra, em 1984 licenciou-se em Ciências Históricas na Universidade Livre do Porto, em 1993-1996 concluiu o Mestrado em História Ibero-Americana na Universidade Portucalense Infante D. Henrique do Porto, desde 2002 Doutora da em História na Universidade Portucalense Infante D. Henrique do Porto com a Dissertação, Mirandela Tradição e Modernidade.
Em 1994, por solicitação do Ex.º Senhor Bispo da Diocese de Bragança, D. António Rafael, efectuou uma Sinopse Monográfica de Maçores - Moncorvo.
Em 1996 defendeu Tese de Mestrado com o Trabalho de Dissertação, Aspectos Económico-Sociais de Torre de Moncorvo nos Finais do Século XIX.
Executou entre outros, os trabalhos de maior destaque: Usos e Costumes da Minha Terra, Índios do Brasil e para Seminário de Licenciatura - Doações ao Mosteiro de S. Bento de Santo Tirso. Para Mestrado, além de outros, elaborou Escravatura no Brasil, Emigração para o Brasil (1850-1930).
Colaborou no Jornal de Matosinhos, Revistas da Romaria da Senhora da Hora, conferenciou, escreveu em prosa e verso sobre as Origens da Vila da Senhora da Hora, As Romarias em Portugal, Presente Passado e Futuro da Romaria da Senhora da Hora, Raízes Cristãs da Senhora da Hora, O Valor da Leitura, A Liberdade, A Criança e o Professor, Origem e Tradições do Carnaval, Património Histórico-Cultural do Centro Histórico da Senhora da Hora, Tradições Carnavalescas do Concelho de Esposende.
Como professora do Ensino Básico e Secundário, leccionou na Escola Industrial de Pombal, Escola Masculina de Sobrado - Valongo, Escola de S. Pedro do Avioso - Maia, Escola Mista das Areias - Carrazeda de Ansiães, Escola C+S de S. Martinho do Campo - Santo Tirso e Escola N.º 2 da Senhora da Hora.
Livros Publicados:
1996 - Senhora da Hora Subsídio para a Sua Monografia.
2000 - Senhora da Hora Monografia.
2001 - Frechas Tradição e Modernidade.
2001 - Torre de Moncorvo Município Tradicional.
Incluída no 2.º volume do Dicionário dos Mais Ilustres Transmontanos, é sócia e voluntária na Casa do Caminho da Senhora da Hora, membro e colaboradora da Associação Cultural da Senhora da Hora, Associação Cultural e Recreativa de Maçores - Moncorvo, Associação Cultural de Esposende e Lions Clube da Senhora da Hora.
Como professora do Ensino Básico e Secundário, leccionou na Escola Industrial de Pombal, Escola Masculina de Sobrado - Valongo, Escola de S. Pedro do Avioso - Maia, Escola Mista das Areias - Carrazeda de Ansiães, Escola C+S de S. Martinho do Campo - Santo Tirso e Escola N.º 2 da Senhora da Hora.
Livros Publicados:
1996 - Senhora da Hora Subsídio para a Sua Monografia.
2000 - Senhora da Hora Monografia.
2001 - Frechas Tradição e Modernidade.
2001 - Torre de Moncorvo Município Tradicional.
Incluída no 2.º volume do Dicionário dos Mais Ilustres Transmontanos, é sócia e voluntária na Casa do Caminho da Senhora da Hora, membro e colaboradora da Associação Cultural da Senhora da Hora, Associação Cultural e Recreativa de Maçores - Moncorvo, Associação Cultural de Esposende e Lions Clube da Senhora da Hora.
17 abril 2014
ESCRITORAS TRANSMONTANAS - Raquel Serejo Martins
Raquel Serejo Martins nasceu em Trás-os-Montes (Vilarandelo, Valpaços). É licenciada em Economia, vive em Lisboa. Colaborou com a Rádio Universitária de Coimbra e e com o Diário de Coimbra. Tem dois gatos, o Xana e o Ícaro, pratica ioga, e tenta escrever poemas, fados e outras canções. Comove-se com as palavras de Lobo Antunes, Joaquín Sabina e Chico Buarque, com as pinceladas de Paula Rego, e com o cheiro a terra molhada em entardeceres de verão.
Uma mentira que foi verdade (2), por Amadeu Ferreira
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ESCRITORAS TRANSMONTANAS - Adília Fernandes
Adília Fernandes nasceu no Felgar, concelho de Torre de Moncorvo. Iniciou aqui os seus estudos.É licenciada em História pela Universidade do Porto e mestre na mesma área pela Universidade do Minho, em Braga,à qual continua ligada como investigadora. Tem vários trabalhos publicados, com particular incidência no âmbito da sua especialidade, História das Mulheres .É fundadora e elemento da direcção do CEPIHS– Centro de Estudos e Promoção da Investigação Histórica e Social – com sede em Torre de Moncorvo.
Publicou,além de DE ASYLO A FUNDAÇÃO – 100 ANOS DE UM AGIR SOLIDÁRIO EM TORRE DE MONCORVO,2008,O LUGAR FEMININO NO LICEU DE SÁ DE MIRANDA, BRAGA (1930 – 1947),2009,e,em 2010,HISTÓRIA DA PRIMEIRA REPÚBLICA EM TORRE DE MONCORVO 1910 – 1926.
Publicou,além de DE ASYLO A FUNDAÇÃO – 100 ANOS DE UM AGIR SOLIDÁRIO EM TORRE DE MONCORVO,2008,O LUGAR FEMININO NO LICEU DE SÁ DE MIRANDA, BRAGA (1930 – 1947),2009,e,em 2010,HISTÓRIA DA PRIMEIRA REPÚBLICA EM TORRE DE MONCORVO 1910 – 1926.
Caros associados da Academia de Letras de Trás-os-Montes:
Como
deve ser do vosso conhecimento, a nossa Academia acompanha o ritmo das actuais técnicas de comunicação/informação, mantendo activos o blogue e o facebook. Se
nem todos se renderam à coqueluche do segundo, a todos é acessível o primeiro,
“alimentado” diariamente com a boa vontade e eficiência do sócio honorário, o
realizador Leonel Brito. Para tal é necessário que os sócios dêem o seu
contributo, enviando textos da sua autoria, éditos e/ou inéditos, para que a
voz dos transmontanos ecoe mais longe e que os frequentadores do blogue (em
número muito significativo) tomem contacto com a nossa cultura e identidade, se
consciencializem de que, neste interior enjeitado, nasceram e vivem mulheres e homens
cuja obra, por melhor que seja, não consegue, salvo raras excepções, transpor
fronteiras geográficas e impor-se nos grandes meios literários.
Todos nós temos, com certeza, a
atafulhar-nos as gavetas, escritos ansiosos por sair da clausura. Aqui está uma
oportunidade de lhes fazer a vontade. Ou então textos extraídos de obras
publicadas, fotografias, notícias de eventos como apresentação de livros,
tertúlias, seminários, etc. Pretende-se divulgar a actividade de cada um no
domínio da literatura e informar, com antecedência, todos os associados das
manifestações culturais a que lhes interessa assistir ou que os envolve.
Acima de tudo, queremos mostrar que a
Academia está viva e de boa saúde, que tem projectos em curso, sócios
dinâmicos, estando a sua direcção empenhada em dar-lhe cada vez mais
visibilidade.
Contamos convosco. Basta enviar a vossa
colaboração para o e-mail: academiadeletrasosmontes@gmail.com ou, por carta, para o seguinte endereço: Academia
de Letras de Trás-os-Montes
Centro Cultural Municipal Adriano
Moreira, Praça Camões
5300-104
Bragança
A Direcção.
A Direcção.
16 abril 2014
“Modernidade avulso: escritos sobre arte” de Isabel Nogueira
A livraria Traga-Mundos foi convidada para estar presente com uma banca de livros da autora no lançamento do livro “Modernidade avulso: escritos sobre arte” de Isabel Nogueira, com apresentação por Jorge Figueira, na Biblioteca Municipal Júlio Teixeira em Vila Real, no dia 17 de Abril de 2014, pelas 21h30.
Tiago Patrício no JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias) nº 1135
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15 abril 2014
40 anos de vida literária de Ernesto Rodrigues
O POETA E O FRADE
Em 2006, o Ernesto e eu fomos à Feira do Livro de Braga. Ao passarmos perto do Seminário de Montariol, o Ernesto comentou:
- Foi ali que aos 16 anos mandei imprimir o meu primeiro livro de poesia- «INCONVENCIONAL», pago pelo meu pai, é claro.
- Ali? Mas ali é um seminário franciscano!
-Sim, mas tinham lá uma gráfica. Era um frade que tomava conta dela. Um tal Frei Perdigão. Deve ter morrido há muito. Já era velho nesse tempo.
-Velho? Tu tinhas 16 anos qualquer um te parecia velho! Vamos mas é lá ver se o homem morreu ou não!
Levei o Ernesto atrás de mim, e chegámos à recepção. Camilianamante, pergunta :
- Frei Perdigão ainda é vivo?
Uns olhos muito abertos respondem:
-Sim... Está além naquele anexo. E apontava para o fundo do jardim. O Ernesto faz um ar intrigado e já eu...
-Vamos lá falar com ele!
E fomos. Um homem ainda bem conservado, soubemos depois que tinha 66 anos, olha para nós, curioso. O meu companheiro avança em direcção ao frade:
-Frei Perdigão?
-Sim. Quem me procura?
- Ernesto Rodrigues.
-Mas não é de Bragança, pois não?
-Sim... Do distrito de Bragança, da Torre de Dona Chama.
- Ora uma destas !
E nós ainda mais espantados do que ele.
- Então você é aquele catraio que me entrou aqui num dia de temporal com um livrinho de poesia para eu editar?!
- Siimm... Sou eu ...- gaguejou o Ernesto.
-Não me diga!
- Hum...
- E o que e que faz na vida o poetinha?
-Sou professor em Lisboa... na Faculdade de Letras.
- Logo vi! Logo vi que ali havia coisa com futuro!
O Ernesto emudeceu e eu atalhei.
-Mas porquê, Frei Perdigão?
- Porque eu recebia aqui quilos de poesia boa para embrulhar mercearia e de repente aparece-me um livrinho diferente, um livrinho catita e eu disse com os meus botões: sim senhor, este catraio é bom! Temos aqui homem!
-Então e continua a ser poeta, não é verdade?
- Sim...
E eu:
-Poeta e romancista... Pelo menos...
Frei Perdigão sorriu quis saber o "pelo menos", informou-se dos títulos, cada vez mais encantado. Um fantasma aparecera-lhe assim de repente do passado, não era para menos. Olha-me sorridente:
- Sabe que não o deixei ir embora nesse dia ? Começou a trovejar e disse-lhe:
-O menino hoje não sai daqui com este temporal! Vai dormir ali numa cela ...
E o frade contava , contava...
Interrompo : Frei Perdigão, o senhor que idade tinha nesse tempo?
Sorriso franco e nostálgico:
-Oh! nesse tempo era ainda um rapaz novo. Deixe ver... Tinha os meus 36 anos...
Já recompostos da emoção, na descida de Montariol, não resisti:
- Com que então, Ernesto, quando tu tinhas 16 anos o frade já era velho, muito velho...
-Longa vida, Frei Perdigão!
Teresa Martins Marques, 18 de Março de 2014.
Em 2006, o Ernesto e eu fomos à Feira do Livro de Braga. Ao passarmos perto do Seminário de Montariol, o Ernesto comentou:
- Foi ali que aos 16 anos mandei imprimir o meu primeiro livro de poesia- «INCONVENCIONAL», pago pelo meu pai, é claro.
- Ali? Mas ali é um seminário franciscano!
-Sim, mas tinham lá uma gráfica. Era um frade que tomava conta dela. Um tal Frei Perdigão. Deve ter morrido há muito. Já era velho nesse tempo.
-Velho? Tu tinhas 16 anos qualquer um te parecia velho! Vamos mas é lá ver se o homem morreu ou não!
Levei o Ernesto atrás de mim, e chegámos à recepção. Camilianamante, pergunta :
- Frei Perdigão ainda é vivo?
Uns olhos muito abertos respondem:
-Sim... Está além naquele anexo. E apontava para o fundo do jardim. O Ernesto faz um ar intrigado e já eu...
-Vamos lá falar com ele!
E fomos. Um homem ainda bem conservado, soubemos depois que tinha 66 anos, olha para nós, curioso. O meu companheiro avança em direcção ao frade:
-Frei Perdigão?
-Sim. Quem me procura?
- Ernesto Rodrigues.
-Mas não é de Bragança, pois não?
-Sim... Do distrito de Bragança, da Torre de Dona Chama.
- Ora uma destas !
E nós ainda mais espantados do que ele.
- Então você é aquele catraio que me entrou aqui num dia de temporal com um livrinho de poesia para eu editar?!
- Siimm... Sou eu ...- gaguejou o Ernesto.
-Não me diga!
- Hum...
- E o que e que faz na vida o poetinha?
-Sou professor em Lisboa... na Faculdade de Letras.
- Logo vi! Logo vi que ali havia coisa com futuro!
O Ernesto emudeceu e eu atalhei.
-Mas porquê, Frei Perdigão?
- Porque eu recebia aqui quilos de poesia boa para embrulhar mercearia e de repente aparece-me um livrinho diferente, um livrinho catita e eu disse com os meus botões: sim senhor, este catraio é bom! Temos aqui homem!
-Então e continua a ser poeta, não é verdade?
- Sim...
E eu:
-Poeta e romancista... Pelo menos...
Frei Perdigão sorriu quis saber o "pelo menos", informou-se dos títulos, cada vez mais encantado. Um fantasma aparecera-lhe assim de repente do passado, não era para menos. Olha-me sorridente:
- Sabe que não o deixei ir embora nesse dia ? Começou a trovejar e disse-lhe:
-O menino hoje não sai daqui com este temporal! Vai dormir ali numa cela ...
E o frade contava , contava...
Interrompo : Frei Perdigão, o senhor que idade tinha nesse tempo?
Sorriso franco e nostálgico:
-Oh! nesse tempo era ainda um rapaz novo. Deixe ver... Tinha os meus 36 anos...
Já recompostos da emoção, na descida de Montariol, não resisti:
- Com que então, Ernesto, quando tu tinhas 16 anos o frade já era velho, muito velho...
-Longa vida, Frei Perdigão!
Teresa Martins Marques, 18 de Março de 2014.
14 abril 2014
Tempo e Memória,por António Chaves

Dizem os que queimaram pestanas a ler documentos antigos que a ignorância
das letras foi uma constante em Barroso, durante os últimos séculos; a lendária
ignorância desta boa gente foi já assinalada por Frei Bartolomeu
dos Mártires, Bispo Primaz de Braga, quando da sua visita pastoral à região, em
1564, onde se demorou cerca de quatro meses, a percorrer todas as paróquias, em
contato com o povo.
Nascido do desdobramento do concelho de Montalegre em 1836, o concelho de
Boticas na data da sua criação não dispunha de qualquer estabelecimento de
ensino público. A primeira escola pública só começou a funcionar ali em 1838; o
edifício construído para esse fim foi concluído apenas em Outubro de 1871,
graças a um valioso donativo de 144 contos
para 120 escolas, por parte do Conde de Ferreira em 1866, um emigrado que enriqueceu no Brasil e Angola,
sensibilizado com a falta de instrução dos portugueses emigrantes.
Em reunião de Câmara de 20 de Maio de 1875 foi evocada a necessidade de abrir
na sede do concelho uma biblioteca pública, aspiração que veio a ser
concretizada apenas em 1 de Junho do ano 2000, isto é, 125 anos mais tarde.
Conquanto no início do século XX a Inglaterra tivesse apenas 3% de
analfabetos, essa pavorosa praga atingia ainda, nessa altura, 78% da população
portuguesa, o que levara Eça de Queiroz, anos antes, a lançar este grito angustiado: «os que sabem dar a verdade à sua pátria não
a adulam, não a iludem, não lhe dizem que é grande, porque tomou Calecute;
dizem-lhe que é pequena porque não tem escolas. Gritam-lhe sem cessar a verdade
rude e brutal. Gritam-lhe: tu és pobre, trabalha! Tu és ignorante, estuda! Tu
és fraca, arma-te!».
Decorrido mais de um século sobre esta proclamação, chegamos à atualidade com
algumas povoações do concelho de Montalegre a registar ainda taxas de
analfabetismo superiores a 40%. Se isto não é atraso civilizacional, como
devemos qualificá-lo?
13 abril 2014
Mil Novecentos e Setenta e Cinco, por Tiago Patrício
Tiago Patrício nasceu no Funchal em 1979 e foi viver para Carviçais com apenas 9
meses. Estudou na telescola, andou em carroças, conduziu carros sem carta, fez
corridas de motorizada sem capacete e aos 19 anos ingressou na Escola Naval.
Regressou à vida clvil para estudar na
Facilidade de Farmácia e em 2007 começou a trabalhar como farmacêutico. No
mesmo ano venceu o premio Jovens Escritores e foi seleccionado pelo Clube
Português de Artes e ideias para uma residência em Praga. Escreveu a peça Checoslovóquia e o livro
Cartas de Praga, apresentado em Skopje em 2009. Depois disso nunca mais
conseguiu largar os livros nem o teatro.
Venceu os prémios Daniel Faria e Natércia Freire em poesia
e o Prémio Agustina Bessa-Luís em 2011 com o seu romance Trás-os-Montes.
Participou em algumas residências literárias: Turquia,
Tunisia, EUA, Repúblicas Bálticas e alguns dos seus textos foram publicados no
Egipto, Eslovénia, Espanha e República Checa.
Mantém o blog
http://cartasdepraga.wordpress.com
BARROSO DA FONTE: 60 ANOS DE JORNALISMO DE CAUSAS E CASOS
Academia de
Letras homenageou Barroso da Fonte
(Reproduzimos o texto do nosso sócio António Chaves)
A Academia de
Letras de Trás-os-Montes reuniu na sua sede, em Bragança, dia 23 de Março e,
após a sessão da Assembleia Geral, decorreu uma segunda sessão presidida pelo
Doutor Ernesto Rodrigues, ladeado pelo representante da Câmara, Vereador Engº
Hernâni Silva e pelo homenageado que, em 24 de Janeiro, completou 60 anos de
Jornalismo. O autor desta nota foi encarregado de falar do seu conterrâneo e
amigo desde que se conheceram no serviço militar obrigatório. Aí disse:
encontrei pela primeira vez o Barroso da Fonte na Estação de S. Bento, no
Porto, quando esperávamos o comboio da noite para seguirmos para Mafra, onde
íamos iniciar a vida militar. Tinha ele 24 anos de idade e eu 20. Nessa noite
estipulámos que a condição de Barrosão e transmontano se iria impor acima de
qualquer outro considerando, o que nem sempre se revelou fácil, pois vínhamos
de mundos muito diferentes, com referenciais de vida e de pensamento, por vezes
antagónicos. Tivemos muitas e vivas discussões, mas nunca perdemos a referência
maior da noção territorial de criação. Convivemos estreitamente, dentro e fora
do quartel ao longo dos sete meses de instrução militar, tempo estabelecido
para aquela incorporação de Janeiro de 1964. Nos intervalos dos exercícios de
instrução enquanto nós descansávamos um pouco, o homem de Codeçoso ia sentar-se
sozinho a rabiscar uma crónica ou a dedicar um poema a um palminho de cara com
quem cruzara o olhar, na tarde anterior. Cheguei a considerar excessiva e
incompreensível aquela ânsia de aproximação ao sexo oposto. Só muito depois
entendi essa perspectiva quando verifiquei melhor o que era viver fechado como
animal no curral, a sonhar com sorrisos e ternura feminina e saber que nem um
breve engano podia ter, como referia Camões. Pela mesma razão, já enquanto trabalhou
nos Pisões, na construção da Barragem, vinha sempre que podia com outro amigo à
paragem das camionetas para ver as moças que chegavam ou partiam e as que
continuavam viagem.
A actividade como
jornalista e poeta constitui para Barroso da Fonte um bálsamo refrescante de
vida, o ar que respira, em liberalidade só igualada pela prodigalidade que
confere sentido ao valor absoluto da amizade, à entrega ao próximo, à defesa do
mais frágil, do mais desprotegido. Disso não fala ele tanto, e faz muito bem. Só
quem o conhece de perto adquire a preciosa noção da ternura e do desvelo que
comporta cada seu gesto. Creio que sempre cultivou a arte como uma forma de
transcendência, de ultrapassagem das pesadas agruras da existência, mesmo sem
ter, por vezes, plena consciência disso. O nosso trajecto de amizade conta já
perto de meio século, apoiado num apreço sem desfalecimento, numa
disponibilidade total quando requerida, numa convivência sã e fraterna.
Estivemos sempre presentes nos momentos importantes da vida de cada um. Quando
há poucos anos me pediram um breve testemunho sobre Barroso da Fonte, escrevi o
seguinte:
O livro agora
distribuído, da autoria do Coronel Dias Vieira e de João Pedro Miranda
constitui um trabalho meritório e bem concebido que merece ser lido, conhecido
e apreciado. Fornece uma panorâmica mais alargada e completa do que foi a vida
de Barroso da Fonte, como homem, historiador e jornalista.
Quero por fim
expressar à Academia de Letras de Trás-os-Montes e aos seus principais mentores
o meu obrigado pelo convite para participar neste gesto de elevado significado,
revelador de que a Academia não é indiferente aos momentos importantes da vida
dos seus associados, demonstração de que os transmontanos e em particular os
seus homens de letras continuam sábios guardiões do património de gratidão
legado pelos seus maiores, mantendo aceso o farol dessa identidade preciosa que
resiste contra ventos e marés, perante a voracidade hegemónica e aniquiladora
da diversidade do que é específico, autêntico e de direito próprio.
O Coronel Dias
Vieira, co-autor do livro ali apresentado também usou da palavra para enaltecer
as qualidades do seu conterrâneo e amigo e também para explicar as pesquisas
que fez através da colecção do Semanário A Voz de Trás-os-Montes para escrever
os primeiros anos de jornalismo deste que volvidos 60 anos ainda continua a
colaborar no Jornal-Escola.
Por António Carneiro Chaves
Fonte: http://nordestecomcarinho.blogspot.pt/2013/04/academia-de-letras-homenageou-barroso.html
12 abril 2014
Domus Brigantiae,por José Mário Leite
Não é facil ler o Ernesto José Rodrigues! O narrador é um camaleão metamorfótico
que vai variando ao longo da trama que desafia constantemente o leitor a rever,
a reler, a focar-se e interrogar-se sobre o fio da história que o autor nos
conta. É assim no Romance do Gramático. É difícil mas igualmente desafiante.
Contudo, esta dificuldade e desafio transformam-se em prazer e
fascínio na sua obra mais recente: A Casa de Bragança. Porque esta, ao contrário
daquela, não é uma historia que se acompanha e segue atentamente, antes é um
conjunto harmonioso de histórias que nos procuram, que nos agarram, que nos
envolvem. Leio o Ernesto de forma sequencial mas adivinho-me a relê-lo de forma
arbitrária saltando de capitulo em capítulo certo que a mensagem não se adultera,
antes se confirma e tomará, quiçá novas formas, novas mensagens, novas
sensações. A metamorfose aqui é das circunstancias e não do narrador que
“apenas” lhe vai dando (mesmo que com sujeitos diferentes) o fio que as une e
que as conduz. Sendo relatores de todas as peripécias brigantinas, os vários
sujeitos que nos falam, apagam-se por trás dos fascinantes episódios e são
estes que nos prendem a atenção. Aqueles subentendem-se com naturalidade independentemente
da sua verdadeira identidade!
Para classificar a obra haverá gente bem melhor apetrechada e
documentada que eu. Do que eu quero falar é das sensações que o livro me
desperta… admitindo desde já a minha incapacidade de me distanciar, do local,
do tempo e do autor.
José Mário Leite
11 abril 2014
O que se falava na Terra de Miranda antes do domínio romano (3)
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À conversa com a escritora Isabel Mateus
À conversa com a escritora Isabel Mateus
também sobre a sua última obra “Farrusco, Um Cão de Gado Transmontano”
dia 19 de Abril, sábado, pelas 21h00
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real
Isabel Mateus marca encontro com os leitores no dia 19 de Abril, pelas 21h00, na livraria Traga-Mundos, em Vila Real, para falar um pouco de si e dar a conhecer melhor a sua obra. A autora vai revisitar os seus livros, dando destaque à novela “Farrusco – Um Cão de Gado Transmontano”.
Isabel Mateus nasceu em 1969 nas Quintas do Corisco, em Torre de Moncorvo. Obteve o grau de doutora em Literatura Portuguesa na Universidade de Birmingham, Reino Unido, onde reside desde 2001.
Sendo autora de sete livros, Isabel Mateus é mais conhecida por abordar na sua obra temáticas que incidem sobre a ruralidade portuguesa e a diáspora. Assim, em 2011, o seu livro "O Trigo dos Pardais" (contos da infância rural) foi incluído no Plano Nacional de Leitura. Depois, em 2012, deu início à coleção “Portuguese Insights – Bilingual Text Collection” com o volume "Contos do Portugal Rural/Tales of Rural Portugal", que compreende uma seleção de histórias de Outros Contos da Montanha. Em 2013, participou nas antologias "Bestiário Trasmontano e Alto-Duriense" e "A Terra de Duas Línguas II" e publicou a novela "Farrusco, Um Cão de Gado Transmontano".
O tema das migrações está bem presente nos livros "A Terra do Chiculate" (2011) e "A Terra da Rainha" (2013). No primeiro é abordada a emigração maioritariamente clandestina para França durante as décadas de 60/70 bem como as suas repercussões na actualidade enquanto que no segundo são retratados os velhos e os novos rostos da diáspora – aqueles que emigraram com pouca formação profissional e sem qualificações académicas e os diplomados.
Brevemente, a autora publicará em colaboração com a Universidade de Macau (Centro de Tradução do Departamento de Português) a versão bilingue Português-Chinês de "Contos do Portugal Rural".
Os livros estão disponíveis na livraria Traga-Mundos - livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
10 abril 2014
Tiago Rodrigues- Três dedos abaixo do joelho...
Mirandês, nome de língua (01), por Amadeu Ferreira
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09 abril 2014
Um conto de Albertina Martins Larinato
– Senhor Laureano! Senhor Laureano!
Socos aflitos subiam as escaleiras.
Era domingo. Muito perto das dez horas, Avó Ana, "Dona
Reverendona"; atravessava o adro da igreja levando pela mão os três filhos
mais novos, para ir ocupar o seu lugar à frente, à esquerda do altar. Avô
Laureano levava os dois mais velhos consigo para o coro, destinado aos homens,
que ainda tinham como alternativa o exclusivo privilégio de se postar
directamente frente ao Altar. Depois, sim, só depois vinham as mulheres. A
explicação do costume pode ficar para mais tarde, se não nunca mais daqui
saímos. Concordas, Camélia-da-Minha-Saudade?
Agora, sentados à mesa,
preparavam-se para jantar. Oliviana enchia e distribuía as tijelas. Avó Ana
colocava na mesa uma terrina a transbordar de arroz de carne com tomate,
cenoura e feijão vermelho. O avô partia pão, distribuía o vinho por hierarquias
(Zefa e os dois menores bebiam água; só a partir dos doze anos os rapazes
tinham direito a meio copo de vinho ao meio-dia e estávamos conversados. O mesmo se passava com o primeiro par de calças
compridas) e abençoava os filhos à medida que cada um esvaziava a sua malga.
– Entre, quem é!
Dois homens assomaram à entrada, resolutos.
– Então, que é que há?
– Senhor Laureano, venha com nós... Depressa! A senhora queira
desculpar entrarmos assim, mas aconteceu uma grande desgraça...
– Mas o que foi?
– O homem da Ti Teodora deu duas navalhadas no da Ti Luisa...
– Ele pode lá ser, homem de Deus!
– Pode, sim, Senhor Laureano. As mulheres estavam a discutir...
eles chegaram e vai daí... já foram chamar a Guarda.
– Não estou a entender nada...
– Elas estavam a insultar-se. Os homens vieram e meteram-se ao
barulho... e agora o da Ti Luisa está para lá cheio de sangue. Venha daí,
Senhor Laureano!
– Eu vou, eu vou, deixai estar... – Avô Laureano levantava-se,
passava os olhos pela mesa, à procura de solução – Então tu não comes mais
nada, menino?
– É que eu já comi o caldo todo e o pai não disse bonito – Tomé
fazia beicinho.
– Bonito, bonito, meu filho, cresceste um palmo – O avô
despachava a fórmula consagrada e descia as escaleiras à frente dos outros.
Havia razão para aquela pressa e perplexidade. As duas famílias eram comadres,
sabe Deus desde quando e havia, inclusive, casamentos entre os rebentos mais
novos. Caso sério, como estás a ver, minha Maçã-Coradinha.
– Não sei o que possa fazer – refletia o avô em voz alta.
– Ele sempre lhe há-de lembrar alguma coisa, Senhor Laureano.
O avô entrou, primeiro, na casa da vítima, cuja mulher
vociferava ameaças.
– Ah, visto! Atacar assim o meu homem! Onde já se viu!... Mas
há-de ir preso, ora se não há-de.
– O que estás para aí a dizer, mulher? O que foi que aconteceu?
– O que aconteceu! O que aconteceu foi que
ela me insultou, a mim e à minha filha... e pensou que o meu homem se ficava...
Era o ficavas... Não queria ela mais nada! A Guarda não tarda aí e vai ver!
Avô Laureano já corria a casa de Ti Teodora.
– Já sabe o que se passou, Senhor
Laureano? – perguntou, chorosa.
– Já, já! Como é que isso foi acontecer, mulher?
– Olhe que nem sei, nem sei...
Eu só estava a defender a minha Rosa... Ela atirou-se a mim e vai daí o meu
homem chegou-se... Então, ele veio de lá...
Havia um bom pedaço de tempo que o avô se esforçava por
coordenar os factos e identificar mentalmente cada “ela” e cada “ele”.
– Olha lá, tu não tens nada? Nem um arranhão, sequer? –
perguntou ao navalhante, até ali sumido num canto.
– Nada, não senhor...
–Tens a certeza? Enfia-te na cama depressa!
– Para quê? Se já lhe disse que não tenho nada!
– Não discutas, faz o que te digo. Mete-te na cama.
– Mete-te na cama, homem, mete! Faz o que te diz o Senhor
Laureano.
Obrigado, o homem enfiou-se entre as mantas, macambúzio.
– Geme, ouviste? Geme bem alto, quando ouvires a Guarda.
– Mas se já lhe disse que não tenho nada!... – era por respeito
que o homem se não insurgia com mais eloquência.
– Geme, homem, geme, que
agora também já tens. Geme!
Avô Laureano acabava de rasgar eficientemente a orelha do
desgraçado. (Aqui não se reproduzem palavrões, sossega, minha Rosa-Pêssego).
A Guarda veio. Se um fora navalhado no braço, ao outro fora
rasgada uma orelha. Ninguém cuidou de saber dos palavrões nem das causas. O que
saltava bem à vista eram as consequências. A Guarda abarcou tudo de imediato.
No ardor da refrega, nenhum deles havia tido muita consciência do que fizera.
Era só isso, nada mais!
Ti Luisa tratou de avaliar bem a sangria do homem da outra.
Vai-se a ver, a desfeita era pouco mais ou menos a mesma... As coisas
acontecem, vá-se lá saber porquê. Trate você do seu homem que eu vou tratar do
meu... Isto de homens, já se sabe como é.
As mulheres descartavam a sua e exclusiva responsabilidade.
Satisfeitas uma e outra com a equidade do sangue derramado em sua defesa,
retornaram à sua vida. Mulheres! Mulheres! É tudo o que me diz, senhor meu avô?
Albertina Martins Larinato
08 abril 2014
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