21 fevereiro 2014

Assembleia Geral a realizar dia 1 de março Documentos

  
Plano de Actividades – 2014

            Tendo presentes o objecto e as atribuições estabelecidos nos Estatutos da Academia de Letras de Trás-os-Montes, a sua Direcção propõe à Assembleia-Geral, para sua aprovação e em síntese, as seguintes actividades, a realizar no decorrer do ano de 2014.
 

1.      Prosseguimento do apoio/colaboração prestados à edição da obra completa do Padre António Vieira, já iniciada, em 30 volumes, sob a responsabilidade do Círculo de Leitores.

2.      Finalização da primeira série da realização de documentários em DVD sobre escritores transmontanos, pelo realizador Leonel Brito.

Apresentação dos referidos documentários, em sessões de homenagem a cada um dos escritores contemplados, nos municípios da sua residência ou naturalidade ou em ambos, para as quais contamos com colaboração das respectivas câmaras municipais.

3.      Realização, em colaboração com a Câmara Municipal de Bragança, do evento literário, encontro de escritores, feira do livro Artes e Livros, na primeira quinzena do mês de Junho ou em data a estabelecer pelas entidades organizadoras.

4.      Organização e publicação de uma antologia de mulheres escritoras transmontanas, que desempenharam um papel relevante na valorização da escrita, a nível regional ou nacional, nos diversos géneros literários.

5.      Reuniões com câmaras municipais com a finalidade de programar a publicação de obras inéditas (ou, sendo necessário e oportuno, já editadas) de escritores oriundos dos seus municípios.

6.      Visita de uma delegação da Academia a Belém do Pará (Bragança do Pará), Brasil, para a participação num ou mais eventos literários, da responsabilidade da Academia de Letras daquela cidade ou estado brasileiro.

7.       Prosseguimento da realização do programa de rádio Academia de Letras, na Rádio Brigantia, com uma periodicidade mensal. Como vem sendo habitua, cada edição versará sobre a vida e obra de um escritor, contando, para isso, com a sua presença. Após a sua emissão, o programa será inserido no blog e sítio da internet da Academia; desta forma, os programas poderão ser ouvidos por todos os interessados, em qualquer parte em que se encontrem.

8.      Estabelecimento de contactos com a Câmara Municipal de Montalegre, Museu do Barroso… para a organização do arquivo de documentos, trabalhos, registos, etc. do Padre António Lourenço Fontes.

9.      Dinamização do sítio da internet, blog e facebook da Academia, por forma a torná-la mais visível e actuante na divulgação dos autores transmontanos, suas obras, promovendo eventos literários e viabilizando participação dos associados e escritores em geral.

10.  Organização ou colaboração em eventos literários, sobre e com autores transmontanos, nos municípios que se manifestem interessados na sua realização.

11.  Realização de uma campanha de sensibilização junto dos associados, no sentido de regularizarem ou manterem em dia o pagamento das respectivas quotas.

12.  As reuniões da Direcção serão realizadas em localidades diferenciadas da região, consoante as circunstâncias ou aproveitando a presença dos seus membros em eventos que aconteçam nessas localidades.
 

O presente Plano de Actividades será apresentado, para sua aprovação, à Assembleia-Geral aprazada para o dia 1 de Março de 2014.
 

Bragança, 31 de Janeiro de 2014
 
A Direcção,

 
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RELATÓRIO DE ACTIVIDADES

Período de 14 de Setembro a 31 de Dezembro de 2013

 
            Considerando que, na reunião da Assembleia Geral e Eleitoral de 14 de Setembro, foi apresentado o Relatório de Actividades realizadas à referida data, por então se encerrar o mandato da Direcção presidida por Ernesto Rodrigues, o presente Relatório reporta-se somente ao terceiro trimestre de 2013. Durante este período, as actividades realizadas resumem-se, basicamente, ao registo videográfico de entrevistas a escritores transmontanos, aos programas mensais de rádio e à dinamização do blog da Academia.

1.      Em conformidade com a informação veiculada na última Assembleia Geral, o realizador cinematográfico Leonel Brito procedeu ao registo sonoro e filmagens dos depoimentos em DVD dos seguintes autores transmontanos:


- Bento Gonçalves da Cruz;
- João Barroso da Fonte;
- António Lourenço Fontes;
- António Manuel Pires Cabral;
- António Passos Coelho;
- Hirondino da Paixão Fernandes
- António Modesto Navarro;
- Júlia Guarda Ribeiro.

Para concluir a realização destes documentários faltam apenas os retoques finais, nomeadamente, o genérico, apoios de câmaras municipais e entidades colaborantes e outros créditos.

Desta primeira série, não foi ainda possível o registo dos escritores Borges Coelho, Adriano Moreira e Aniceto Afonso. Julgamos que, num curto prazo, o trabalho estará finalizado.
 
2.      A produção e emissão do programa na Rádio Brigantia tem vindo a vindo a acontecer tal como o previsto, isto é, com a participação de um escritor em cada edição e com uma periodicidade mensal. Desde que o programa se iniciou, no passado mês de Abril, até ao final do ano de 2013, foram os seguintes os autores que nele participaram:



- António Pinelo Tiza (moderado por Rui Mouta);
      - Amadeu Ferreira;
      - Ernesto Rodrigues (inserido no evento Artes e Livros);
      - Maria Hercília Agarez;
      - José de Castro Branco;
      - Rogério Rodrigues;
      - Hirondino Fernandes;
      - Fernando Mascarenhas.
 
3.     A dinamização do blog da Academia, para além das intervenções que vinham sendo efectuadas, foi possível pelas novas participações, nomeadamente, a publicação dos programas de rádio, o que permite a sua audição a todos os interessados, mesmo em regiões ou países que estão fora do alcance das emissões da rádio Brigantia. Por outro lado, têm vindo a ser inseridos no blog textos vários de autores que, para o efeito os disponibilizam.
 
Bragança, 31 de Janeiro de 2014

A Direcção
 

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RELATÓRIO E CONTAS

Período de 14 de Setembro a 31 de Dezembro de 2013
  
Transitado do mandato anterior, em 14 de Setembro de 2013:......€ 931,37
 
            Receitas

Quotas e jóias de inscrição:..............................................................€ 150,00

 
Total:................................................................................................€ 1 185,37
 
             Despesas

Durante este período, não foram efectuados quaisquer pagamentos. Foram efectuadas despesas que serão liquidadas no decorrer do ano de 2014.

Aguardamos que os associados que não regularizaram a sua situação no que toca ao pagamento das suas quotas, o façam; este facto vai permitir-nos efectuar alguns pagamentos que temos em falta e satisfazer outras necessidades que venham a surgir.

 

Bragança, 31 de Janeiro de 2014
 
O Presidente da Direcção:


 
Visto e aprovado.

O Conselho Fiscal:
 

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ORÇAMENTO PARA O ANO DE 2014
 

 1.  Receitas

Quotas e jóias de inscrição dos associados                                   € 2 500,00

Subsídios                                                                                             € 2 000,00

TOTAL                                                                                                   € 4 500,00
 

2.  Despesas

Participação na edição da obra do Padre António Vieira         € 1 000,00

Documentários sobre os escritores transmontanos                 € 1 000,00

Antologia das escritoras transmontanas                                     € 1 000,00 

Deslocações                                                                                      € 1 000,00

Material informático e de secretaria                                              € 200,00

Correio                                                                                                 € 100,00

Outros                                                                                                  € 200,00

TOTAL                                                                                                 € 4 500,00

 

Bragança, 31 de Janeiro de 2014

A Direcção,

20 fevereiro 2014

"O Coronel que morreu de sentido",por Afonso Praça


Afonso Emílio Praça (Felgar, Torre de Moncorvo, 13 de Janeiro de 1939 - Lisboa, 3 de Maio de 2001) foi um jornalista e escritor português. Estudou nos Seminários de Vinhais e Bragança, de 1951 a 1958 (onde concluiu o 2º ano do Curso de Filosofia), no Colégio de S. João de Brito, em Bragança, e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Filologia Românica, em 1968.
Começou a actividade jornalística na revista Flama, em Setembro de 1961, vindo a profissionalizar-se, sete anos depois, no Diário de Lisboa, onde se manteve até Janeiro de 1972. Ingressou então no República, regressando em Dezembro de 1974 ao Diário de Lisboa, onde se manteve até Agosto de 1975, altura em que passou para o semanário O Jornal, de que foi um dos fundadores. Entre 1973 e 1975 pertenceu também ao quadro redactorial da revista Vida Mundial, tendo ainda colaborado na delegação de Lisboa do Diário de Moçambique.
No grupo de O Jornal foi também director de O Jornal da Educação e dos semanários Se7e e O Bisnau (semanário humorístico e satírico), além de colaborador do Jornal de Letras. Foi ainda redactor da revista Visão e autor do programa televisivo Portugal de Faca e Garfo. Na RTP colaborou noutros programas, como Memória dum Povo, Um, dois, três (de Carlos Cruz), Faz de Conta (de Raúl Solnado) e Quem conta um conto (de Mário Zambujal), e foi autor de textos para vários documentários. Foi co-autor, com Fernando Assis Pacheco, da adaptação (a partir do romance de Manuel Mendes, Pedro - Romance dum vagabundo) e diálogos do filme Pedro Só, de Alfredo Tropa, e actor do filme Bárbara, do mesmo realizador.

Presidente do Sindicato dos Jornalistas em 1974 e 1975, pertenceu por mais de uma vez aos corpos directivos da Casa da Imprensa e foi professor da Escola Superior dos Meios de Comunicação Social (1976/77), da Escola Secundária dos Olivais (1980/81) e do Departamento de Língua e Cultura Portuguesa da Faculdade de Letras de Lisboa. Participou como monitor em cursos de formação na área da Comunicação, nomeadamente nos que foram promovidos pela Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro-Escola Superior de Educação de Bragança, pela Conferência Episcopal Portuguesa e pelas dioceses de Aveiro, Viana do Castelo, Algarve e Évora.
Colaborações jornalísticas

Flama
Diário de Lisboa — Profissionalização jornalística e Redactor
República
Vida Mundial — Redactor
Diário de Moçambique
O Jornal — Fundador
O Jornal da Educação — Director
Se7e — Director
O Bisnau — Director
Mensageiro de Bragança
A Voz do Nordeste
A Voz Portucalense
Jornal do Fundão
Aurora do Lima
Ribatejo
Brados do Alentejo
Seara Nova
Record
Rádio & Televisão
Volta do Mundo
Bragantia
JL (Jornal de Letras)
Visão — Redactor


O Regionalismo em Trindade Coelho (separata do Boletim da Sociedade da Língua Portuguesa), SLP, 1961
25 de Abril (em co-autoria), 1974
Um momento de Ternura e Nada Mais (crónicas), Editorial Notícias, 1995
Bragança, 1944/45: um ano na Vida de Virgílio Ferreira (separata da revista Brigantia, 1995)
O Coronel que Morreu de Sentido (ficção), Editorial Notícias, 1996.
Onde, a propósito de petiscos, se recorda um abade (prefácio ao volume dedicado a Trás-os-Montes da colecção sobre cozinha regional, de Maria Odete Cortes Valente), Círculo de Leitores
Dicionário de Calão, Editorial Notícias, 2001
Ligações externas

Biografia de Afonso Praça (Diário de Trás-os-Montes, 3 de maio de 2001)
A Língua à Mostra - Texto de Pedro Mexia sobre o Dicionário de Calão (Diário de Notícias, 4 de outubro de 2005)
Afonso Praça no IMDB (em inglês)


http://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Pra%C3%A7a

16 fevereiro 2014

FASTIGÍNIA de Tomé Pinheiro da Veiga, por Ernesto Rodrigues




ERNESTO RODRIGUES (1956), escritor, ensaísta e tradutor, é professor na Faculdade de Letras de Lisboa. Estreou-se na poesia em 1973, na ficção em 1980, destacando-se os romances A Serpente de Bronze (1989), Torre de Dona Chama (1994), O Romance do Gramático (2011) e A Casa de Bragança (2013). Na edição, relevemos As Farpas Completas (2006-2007), de Ramalho Ortigão, e a edição crítica de Fastigínia (1605; 2011), de Tomé Pinheiro da Veiga. Outros títulos: Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal (1998), Cultura Literária Oitocentista (1999), Visão dos Tempos. Os Óculos na Cultura Portuguesa (2000), Verso e Prosa de Novecentos (2000), Crónica Jornalística. Século XIX (2004), Padre António Vieira, Sermões, Cartas, Obras Várias (2008), A Corte Luso-Brasileira no Jornalismo Português (1807-1821) (2008), «O Século» de Lopes de Mendonça: O Primeiro Jornal Socialista (2008), Camilo Castelo Branco, Poesia (2008), 5 de Outubro - Uma Reconstituição (2010). Tradutor de literatura húngara em Portugal, desde 1983, verteu cinco títulos do Prémio Nobel (2002) Imre Kertész e quatro de Sándor Márai, além de Kosztolányi e Magda Szabó, entre outros.
http://ernestorodrigues.blogspot.pt/



Ficha de inscrição na ALTM

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15 fevereiro 2014

O MÍNIMO SOBRE A LÍNGUA MIRANDESA, por Amadeu Ferreira

1. O que é o mirandês?

O mirandês, ou língua mirandesa, é o nome de uma língua falada no Nordeste de Portugal, desde antes da fundação da nacionalidade portuguesa. Quanto à estrutura é uma língua românica, que teve a sua principal origem a partir do latim. Históricamente pertence à família de línguas astur-leonesas, onde também se incluem o asturiano e o leonês.
Até 1884 foi uma língua apenas oral. Desde então, tem sido também escrita, dispondo de uma Convenção Ortográfica desde 1999. Nomeadamente a partir do século XVI e apesar de ser uma língua falada em Portuugal desde o começo da sua existência, o mirandês é uma língua menorizada quer em termos culturais e sociológicos quer em termos políticos, levando a que Portugal fosse apresentado, até há muito pouco tempo, como o único país monolingue da Europa, afinal falsa excepção à regra do bilinguismo ou multilinguismo dos diversos países. Em 1999, com a lei nº 7/99, de 29 de Janeiro, o mirandês foi oficialmente reconhecido como língua regional de Portugal,

2. Onde se fala mirandês?

A língua mirandesa é falada em todas as aldeias do concelho de Miranda do Douro, com excepção de duas (Atenor e Teixeira), e em três aldeias do concelho de Vimioso (Vilar Seco, Angueira e Caçarelhos), no distrito de Bragança. O mirandês foi, apressadamente, dado como extinto em aldeias como Caçarelhos, porém, apesar de muitíssimo debilitado, continua aí a ser falado por pessoas de idade. A área ocupada pela região onde se fala o mirandês tem à volta de 500 km2 de superfície e situa-se na fronteira com a província espanhola de Zamora (Aliste e Sayago). O mirandês é também falado por muitos mirandeses que imigraram para as principais cidades do país ou que emigraram para o estrangeiro.

Na cidade de Miranda do Douro, onde segundo alguns autores deixou de se falar mirandês no início do século XVII, a língua tem vindo a regressar com as pessoas das aldeias que, nos últimos anos, têm vindo a fixar residência. Também desdealguns anos as crianças da cidade usufruem do ensino da língua mirandesa nas escolas públicas. Apesar disso, a fala mirandesa não é de uso normal na cidade, mas sim o português e, dada a quantidade de turistas espanhois que a visitam para fazer compras ou simplesmente comer, o castelhano. Daí que, para se ouvir falar mirandês, a cidade de Miranda do Douro não seja o local adequado, razão porque são apressadas e sem fundamento as conclusões que apontam para a extinção do mirandês pelo facto de não se falar na cidade que é capital administrativa da terra de Miranda.
O espaço onde se falou mirandês ou outras variedades do astur-leonês foi bastante mais vasto, incluindo, em traços gerais e grosseiros, toda a zona do distrito de Bragança que se situa entre a margem esquerda do rio Sabor e a fronteira com Espanha. Terá sido assim na Alta Idade Média, regredindo progressivamente em direcção à fronteira. Além do mirandês, outras falas astur-leonesas se mantiveram atépouco tempo na zona fronteiriça do concelho de Bragança, chamada Lombada, em particular nas aldeias de Rio de Onor, Guadramil, Deilão e Petisqueira. Porém, a fala leonesa tem sido dada como extinta nestas aldeias, embora não seja totalmente clara a situação de Rio de Onor.
Apesar de não se falar mirandês nessa região mais vasta, ainda pode falar-se de uma cultura comum, em particular na área correspondente à medieval Terra de Miranda (concelhos de Miranda do Douro, Vimioso, Mogadouro e parte dos concelhos de Freixo de Espada à Cinta, de Bragança e de Macedo de Cavaleiros), cultura essa que se manifesta pelo ar de família que o vocabulário usado continua a manter, pela fonética e muitas construções sintácticas do português falado nessa zona, pela similitude de festas, tradições, música e dança.

09 fevereiro 2014

A OITAVA COLINA, DE MODESTO NAVARRO

    António Modesto Navarro (Vila Flor, 1942) é um dos escritores mais fecundos da literatura trasmontana, com uma vasta obra no campo da ficção, a que acaba de acrescentar A oitava colina, 2013, romance publicado pela editora Página a Página, de Lisboa.
                Tal como em tantos dos seus romances, Modesto Navarro narra uma história de resistência ao fascismo. Lê-se na contracapa:
«Na década de 1960 principiaram a guerra colonial e a emigração para a Europa. A experiência da vida de então em Lisboa, a resistência, a formação dos soldados, a guerra em África e a construção do 25 de Abril na clandestinidade e no movimento democrático (CDE) estão nestas páginas, na vontade de viver e de lutar dos trabalhadores e dos intelectuais conscientes e interventivos, na prisão e na tortura, na Revolução e depois, até agora, numa nova resistência que se impõe para transformarmos a vida.
Este é um livro de amor, de libertação e afirmação humana no interior do país e em Lisboa.»
O romance distingue-se pela agilidade narrativa e por uma prosa amadurecida e envolvente. 

            

08 fevereiro 2014

Livros e Autores Transmontanos,por Barroso da Fonte

43 capas de livros de autores transmontanos.Foto de arquivo.
 Indiferentes à crise os Transmontanos teimam em demonstrar que a cultura sobrevive e cada vez mais se afirma como luz da humanidade. De Chaves a Bragança, de Mirandela à Régua, de Vilar de Perdizes a Sabrosa tudo mexe. Os ciclos viciosos revelam-se mais em alturas destas. O poder político confronta-se com heranças falidas. A cultura é a primeira vítima. Os criativos multiplicam-se e essa sementeira revela-se em obras de arte: livros, pintura, escultura. Ao vazio central falta o que se procura no poder local. Mas a crise toca a todos. E até aquilo que durante anos foi a voz do povo anónimo, é hoje o espelho da magreza social. Refiro-me aos jornais regionais que prestam altíssimos serviços e que custam os olhos da cara a quem os gere e produz.
Trás-os-Montes e Alto Douro, antes e depois da revolução dos cravos, teve órgãos desses às dúzias.
Faziam falta aos emigrantes, aos industriais, aos empresários da modernidade, às instituições públicas, ao cidadão que gosta de andar bem informado e a tempo e horas. De repente todas essas classes ficam órfãs. Quem criou e geriu essas vozes públicas não resistiu às tempestades. Foram muitas, diversificadas e terríveis. O país sofreu um abalo sísmico. As regiões empobreceram. E nem sequer podem manifestar-se, de alegria ou de tristeza, por essas transformações que repercutiam o pensamento que fecundava a alma das gentes e entoava hinos ao criador.
Chaves tem hoje apenas um jornal. Bragança tem dois, tantos como Vila Real. Mirandela dois. Régua e Vila Pouca cada um seu. Boticas 1, Valpaços dois e Montalegre três. Só falo dos que conheço. E cito-os para os elogiar pela coragem dos seus responsáveis a quem todos devemos bater palmas. Já que sustentar um jornal regional em zonas do interior, custa tanto como mandar um foguetão ao espaço. Se esqueço algum é por ignorância.
Uma classe que muito sente essa falta é dos criativos. Eles e os órgãos de informação são aliados naturais. Os autores dos grandes centros urbanos não sentem essa falta. Têm as televisões, as rádios e os jornais que se atropelam. Cada vez que um intelectualóide dá um espirro, inicia o seu ciclo ascensional de efemeridade. Logo vem a turba multa mediática apregoá-la como obra de arte. Fabricam-se assim, os compadres, as comadres, as uniões de facto do oportunismo saloio que tão pernicioso tem sido ao país real.
Afloro este tema para exaltar os jornais que vão resistindo e que, apesar de toda a sua solidariedade, nem sempre podem garantir o espaço (ou tempo de antena) que os autores merecem. Esta é a síntese dos chamados ciclos viciosos que a crise nacional implementou, graças aos políticos que temos. Atento ao que se vai editando, sempre me alegrei com o número e qualidade daquilo que vai surgindo através dos criativos que não nascem em Lisboa, Porto e arredores. De quanto me chega procuro dar eco para que se saiba quem e que progresso vamos tendo. Ficam os nomes e títulos de alguns desses exemplos:
Alexandre Parafita surpreendeu-nos, desta vez com um ensaio biográfico a que chamou: A Máscara do Demo. O ressurgir de um bispo português que se chamou Frei João da Cruz, da Ordem dos Carmelitas Descalços que «governou com mãos de ferro, em meados do século XVIII, as dioceses do Rio de Janeiro e de Miranda do Douro».Obra admirável, enriquecedora e a não perder.
Ernesto Rodrigues (Torre de D. Chama) igualmente docente universitário e presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes. Um romance sobre a poderosa Casa de Bragança que teve os seus fortes e longínquos alicerces em todo o Norte do País até Vila Viçosa. Oportuna reconstrução histórica destes 600 anos de existência transcendental. A este livro de leitura obrigatória aumente-se A Terra de duas Línguas II Antologia de Autores Transmontanos. Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira, duas personalidades académicas de referência nacional, que puseram a Academia de Letras de Trás-os-Montes em linha de alta velocidade. São 55 autores que em Português e em Mirandês que ficam registados a chave de ouro.
António Jorge Nunes, autarca Brigantino reuniu em 384 páginas a chancela da sua faina concelhia. O melhor testemunho de Gestão do Município de Bragança entre 1998 e 2013, mostrando como se empreende e executa, desafiando o futuro. Honra e glória a quem colocou Bragança no Mapa.
Jorge Lage reapareceu com Memórias da Maria Castanha, última investigação sobre o tema que o transformou no mais esclarecido autor sobre a castanha. O vocabulário, a variedade, as expressões, os provérbios, as receitas tradicionais e outros saberes etnográficos acerca do castanheiro passam por aqui. Este tema é sinónimo de riqueza Transmontana e este Autor tem vindo a tratar, com olhos de quem sabe e quer promover aqueles que desprezam uma riqueza à vista dos olhos.