Blogue Oficial da Academia de Letras de Trás-os-Montes || Email: academiadeletrasosmontes@gmail.com
27 julho 2012
01 junho 2012
Artes e Letras
Numa organização conjunto do Município de Bragança e da Academia de Letras de Trás-os-Montes, decorre, entre 6 e 10 de Junho, no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira / Biblioteca Municipal, nova edição de Artes e Letras, com o seguinte programa:
6 de Junho, 10h00 | Apresentação do livro “Os meninos de ventos”, de Hugo Girão, seguido de workshop dinamizado pelo Centro de Idiomas da Fundação Rei Afonso Henriques.
14h30 | Apresentação do livro “ Iniciação à Vida” (infantil) de Elisa Flora, seguido de Workshop dinamizado por Rosa Silva.
21h30 | Lançamento do livro “Trás-os-Montes e Alto Douro Mosaico de Ciência e Cultura”, de António Neto.
7 de Junho, 15h00 | Apresentação do livro “AutoDefesa Energética” do Mestre Denis Alves Viatico, seguido de Workshop de Autodefesa Energética.
21h30 | Apresentação do livro “Roteiro do Culto Mariano em Terras de Bragança e Zamora”, de Rui Feio.
8 de Junho, 10h30 | Apresentação do livro “A menina que sonhava com rosas”, de Vitor Alves Morais.
15h00 | Lançamento da “Bibliografia do Distrito de Bragança”, Volume II, de Hirondino da Paixão Fernandes, seguido de debate.
21h45 | Apresentação do livro “Caminhos da Vida”, de Manuel Amendoeira.
9 de Junho, 15h00 | Apresentação do livro “Camilo Castelo Branco, por terras de Barroso e outros lugares”, de Bento Cruz.
16h30 | Apresentação do livro “Derivação do Ser”, de Idalina Brito.
21h45 | Apresentação do livro “Na demanda do ideal”, de Armando Sena, antecedida de um momento musical.
10 de Junho, 15h00 | No dia de Camões, autores falam das suas obras:
“Histórias do Tomás”, de Tomás Silvestre.
“Histórias que o Povo Tece - Contos do Marão”, de Maria Hercília Agarez.
“Quadros da Transmontaneidade”, de António Sá Gué.
“Cruzes de Guerra” (Romance do Fim do Império), de Henrique Pedro.
05 maio 2012
Convite de Pêra Fernandes
Saúdo e convido V. Ex.ª, família e amigos a assistir à apresentação
do livro “Mariana no Ponto”, a ter lugar no próximo dia 16 de Maio
(quarta-feira), pelas 18 horas, na Livraria Rosa d’Ouro – Bragança.
O convite é extensivo a todos os amantes da leitura.
Ficarei muito honrado com a vossa presença.
O autor,
José Augusto de Pêra Fernandes
03 maio 2012
Assembleia Geral: Acta
ASSEMBLEIA
GERAL
REALIZADA
NO DIA 17 DE MARÇO DE 2012, EM BRAGANÇA
ACTA
Aos dezassete dias do mês de Março de
dois mil e doze, realizou-se, no Centro Cultural Municipal de Bragança, a
Assembleia Geral da Academia de Letras de Trás-os-Montes, sob a direção do seu
Presidente, António Manuel Pires Cabral, com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1.
Leitura
da acta da última reunião;
2.
Homologação
do novo Vice-Presidente da Direcção, António Tiza;
3.
Aprovação
do Relatório e Contas de 2011;
4.
Aprovação
do Plano de Actividades para 2012;
5.
Outros
assuntos.
Por
falta de quórum à hora marcada, e em conformidade com os Estatutos da Academia,
a sessão iniciou-se trinta minutos depois.
Na
falta do Secretário, o associado António Tiza disponibilizou-se para desempenhar
estas funções, o que foi aceite.
No
primeiro ponto da Ordem de Trabalhos, foi aprovada, por unanimidade, a acta da
AG anterior, tendo-se dispensado a sua leitura por se encontrar publicada no
blogue da Academia e, portanto, todos os associados dela terem tomado
conhecimento.
Dando
seguimento à Ordem de Trabalhos, no seu segundo ponto, foi apresentado e
homologado, por unanimidade, o nome de António André Pinelo Tiza para exercer
as funções de Vice-Presidente da Direcção, em substituição de Fernando de
Castro Branco, que, por motivos pessoais, havia apresentado a sua demissão.
No
terceiro ponto da Ordem de Trabalhos, o Presidente da Direção da Academia,
Ernesto José Rodrigues, expôs os conteúdos do Relatório de Actividades e Contas
de 2011, o qual se dá por transcrito, por se encontrar publicado no blogue da
Academia. Ambos os documentos foram aprovados por unanimidade.
Igualmente,
o Presidente da Direcção, no ponto quatro da Ordem de Trabalhos, apresentou o
Plano de Actividades para o ano de 2012, que assim se pode sintetizar:
1.
Criação
de conteúdos para publicar no sítio da internet da Academia; nesse sentido, a
Direcção vai começar a inserir na página web textos e artigos dos associados e
de outros autores transmontanos.
2.
Antologia
dos associados. Para esta obra, cada autor apresentará um texto ou uma selecção
de textos, éditos ou inéditos, até ao máximo de dez páginas, para publicação.
Pretende-se que seja um trabalho o mais completo possível, que expresse o que
cada um faz e que seja representativo da própria Academia.
3.
Homenagem
a Bento da Cruz. Esta acção estava prevista para este dia; contudo, por
impossibilidade do autor, teve que ser adiada para uma data em que ele próprio
possa estar presente, que, em princípio, será o próximo mês de Junho.
4.
Feira
do Livro de Bragança. Um evento no qual a Academia colabora com a Câmara
Municipal de Bragança, em data a marcar.
5.
Tertúlias.
São actividades que se têm vindo a realizar e que devem ter a devida
continuidade. A próxima tertúlia será dedicada à poetisa Eduarda Chiotte.
Entretanto, outras se realizarão.
6.
Exposição
cartográfica e bibliográfica sobre a presença de Portugal na Hungria, e da
Hungria em Portugal, organizada pela Embaixada da Hungria em Portugal.
7.
Relacionamento
entre academias: de 30 de Março a 9 de Abril, desloca-se ao Brasil (Belém do
Pará e Bragança do Pará) uma delegação da nossa Academia, a fim de estabelecer
e aprofundar a cooperação com as Academias de Letras deste estado brasileiro.
8.
Criação
de um programa de rádio sobre escritores transmontanos; uma iniciativa que
poderá alargar-se aos jornais e revistas regionais.
O
Plano de Actividades foi aprovado por unanimidade.
No
ponto da agenda “Outros assuntos”, o Presidente da Direcção apresentou a
iniciativa de reunir em Bragança as academias portuguesas, de todas as
valências, a propósito de um evento, e em data a determinar, após diligências
que a Direcção vai efectuar nesse sentido.
A
propósito da edição da antologia de autores transmontanos, a associada Idalina
Brito sugeriu que servisse para a angariação de fundos financeiros para a
Academia, e como incentivo à publicação de outras obras. Outra sugestão foi no
sentido de que a Academia estabelecesse um protocolo de colaboração com uma
editora para a publicação de obras dos associados.
O
Presidente da Direcção esclareceu que já existe uma intenção de protocolo com a
editora Âncora. A sugestão de Idalina Brito tem que ser pensada para daqui a
dois anos. Há que seleccionar as obras a publicar e elaborar a respectiva
programação.
O
Presidente da Mesa, António Pires Cabral, sugeriu que se estabelecessem
contactos com escritores do outro lado da fronteira e acrescentou que já
existem contactos com a região da Galiza.
Marcolino
Cepeda sugeriu que, no aniversário da Academia, se convidasse um escritor de um
outro país de Língua Oficial Portuguesa.
O
Presidente da Direcção propôs que Roger Teixeira Lopes, autor e editor, fosse
considerado “sócio honorário” da Academia. A proposta foi aprovada por
unanimidade.
Numa
recomendação à Mesa, Marcolino Cepeda levantou a possibilidade da reabilitação
do antigo edifício da Biblioteca Calouste Gulbenkian de Bragança para sede da
Academia.
O
Presidente da Mesa da Assembleia, António Pires Cabral, apresentou a proposta
de um voto de pesar pelo falecimento do Dr. João de Sá, admirável escritor e
membro da nossa Academia. A proposta foi aprovada por unanimidade.
A
acta foi lida e aprovada, em minuta, por unanimidade.
E
nada mais havendo a tratar se deu por encerrada a sessão, da qual se lavrou a
presente acta que, vai ser assinada por mim, na qualidade de Secretário, e pelo
Presidente da Direcção da AG.
16 abril 2012
Antologia de Autores Transmontanos
O presidente da Direcção da Academia de Letras de Trás-os-Montes propôs, na Assembleia-Geral de 17 de Março de 2012, uma Antologia de Autores Transmontanos colaborada pelos seus membros. A iniciativa insere-se na programação do segundo ano de mandato desta Direcção, pelo que o volume deverá ser editado até Março de 2013.
A coordenação é de Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira, para as línguas portuguesa e mirandesa, respectivamente, os quais ficam ainda responsáveis pelo alinhamento dos textos e eventual apresentação geral.
Aos interessados oferece-se um máximo de doze páginas em A/4, corpo 12, a 2 espaços, cujo ficheiro em Word deve ser remetido, até 12 de Junho, para altmontes@gmail.com. Requer-se unidade de género (poesia, ficção, teatro, crónica, memórias, crítica, ensaio, etc.), de modo a evitar que um autor compareça em lugares distintos, caso se entenda uma ordenação por géneros. Os textos são éditos ou inéditos.
Cada nome será acompanhado do local e data de nascimento, bem como das obras publicadas, por data de saída.
O editor, ainda por escolher, compromete-se a oferecer um exemplar a cada autor, além de colocar a obra no circuito comercial. Oferece, também, à ALTM alguns exemplares, podendo a respectiva sede, se o editor assim entender, ser depositária dos volumes a entregar aos participantes.
Relatório de 2011
altmontes@gmail.com
http://altm.weebly.com
altm-academiadeletrasdetrasosmontes.blogspot.com
Direcção da
Academia de Letras de Trás-os-Montes
2011
Relatório
Sumário
1. A Terra de Duas Línguas. Antologia de Autores Transmontanos
2. Livros em Junho
3. Aqui e Agora Assumir o Nordeste
4. Tertúlias
5. Centro de Documentação
6. Blogue, site, Facebook
7. Assuntos internos
7. 1. Situação financeira
8. Protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal de Bragança e a ALTM
9. Relações inter-académicas e literárias
1.
A Terra de Duas Línguas. Antologia de Autores Transmontanos, organização de Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira, com prefácio de Adriano Moreira e iconografia de Graça Morais, foi a primeira iniciativa de vulto da ALTM, e verdadeiro cartão de visita na nossa internacionalização.
Com efeito, encomendada em cima da hora pela Presidência do Instituto Politécnico de Bragança, com delegação em Anabela Martins – a quem cabe um agradecimento −, conseguimos, em poucos meses, com a colaboração de Atilano Suarez e da Textype – Artes Gráficas (Lisboa), oferecer um volume digno, por todos celebrado no acto do lançamento, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança, no dia 8 de Junho, na presença dos mais de quatrocentos participantes (aos quais foi entregue um exemplar) no XXI Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa, que figura como editora de facto.
Além de apoios comunitários, contou, ainda, com a participação financeira da Câmara Municipal de Bragança, que procedeu a um segundo lançamento, na Biblioteca Municipal, em 12 de Junho, quando a ALTM perfazia um ano de existência.
Obra muito requisitada, com parcos exemplares oferecidos pelo IPB à ALTM, para ofertas selectivas, entende a direcção que, dado não ter entrado no mercado livreiro, seria útil avançar para uma segunda edição, razão pela qual há um entendimento de princípio com a Âncora Editora, que aguarda melhor oportunidade económica, em termos nacionais.
2.
No âmbito da iniciativa Artes e Livros, promovida pela Câmara Municipal de Bragança, entre 6 e 12 de Junho, no anfiteatro do Centro Cultural Municipal, organizou a ALTM o lançamento de obras recentes de alguns sócios, em tardes muito participadas.
Assim, no dia 9, Maria Hercília Agarez apresentou o romance Angola Amor Impossível, de A. Passos Coelho.
No dia 10, procedeu-se ao lançamento do romance Tempo de Fogo/ La Bouba de la Tenerie, de Amadeu Ferreira/Fracisco Niebro. A apresentação esteve a cargo de Teresa Martins Marques e Alfredo Cameirão.
No dia 11 de Junho, foi a vez de (Re)Cantos d´Amor Morto, de Pedro Castelhano [Rogério Rodrigues], apresentado por Amadeu Ferreira.
Fora deste âmbito, foi lançado, em 15 de Setembro, O Romance do Gramático, de Ernesto Rodrigues.
3.
Aqui e Agora Assumir o Nordeste foi ideia desta Direcção, que encarregou duas especialistas da obra de Pires Cabral – Isabel Alves e M. Hercília Agarez − para, em tempo breve, celebrarmos o também presidente da nossa Assembleia-Geral, nos seus 70 anos. Responsabilizou-se pelo volume, que sobrevoa a actividade literária do autor desde 1974, a Âncora Editora.
A apresentação fez-se na Biblioteca Municipal de Macedo de Cavaleiros, em 13 de Agosto. A autarquia, representada no acto, convidou, seguidamente, para um almoço.
Segunda apresentação teve lugar no Grémio Literário Vila-Realense, em 8 de Novembro.
4.
De parceria com a Câmara Municipal de Bragança, organizámos, na Biblioteca Municipal, três tertúlias.
Em 28 de Abril, Fernando de Castro Branco coordenou “Poesia e Poetas Transmontanos”.
Em 29 de Setembro, com moderação de Fernando de Castro Branco, João Cabrita evocou Trindade Coelho, nos 150 anos do seu nascimento.
Em 24 de Novembro, “Escritoras Transmontanas – Luísa Dacosta” teve animação dramático/poética sobre a autora, pelo Grupo de Teatro da Associação Bragança Histórica, seguida de “Vida e obra de Luísa Dacosta”, por M. Hercília Agarez.
5.
Os títulos oferecidos à ALTM estão, já, catalogados no nosso site.
Fica um agradecimento à directora da Biblioteca Municipal de Bragança, Maria do Céu do Espírito Santo.
6.
O blogue da ALTM (altm-academiadeletrasdetrasosmontes.blogspot.com), activo desde Dezembro, vem registando as informações, e participações, mais variadas, além de inserir os estatutos da ALTM uma ficha de inscrição facilmente descarregável pelos novos sócios.
Relevamos os textos de apresentação de obras dos nossos associados, independentemente de ser iniciativa, ou não, da ALTM.
Com o lançamento de um site (http://altm.weebly.com) e registo no Facebook (http://www.facebook.com/altmontes), textos, informações e vídeos podem ser, agora, colocados nos espaços apropriados.
Procurámos, enfim, um endereço electrónico sucinto: altmontes@gmail.com. Mantém-se, todavia, o primeiro, enquanto não se fizer a migração completa: academiadeletrasosmontes@gmail.com.
É justo louvar, neste apartado, o trabalho informático de José Pedro Santos, assistente técnico da Biblioteca Adriano Moreira.
7.
Após contactos havidos, em Junho, entre o presidente da Direcção e J. Rentes de Carvalho, aceitou este ser membro honorário da ALTM, o que foi confirmado em reunião de Direcção, a 15 de Setembro.
Na mesma reunião, foi aprovada a designação de António Baptista Lopes, responsável pela Âncora Editora, como associado honorário da ALTM. A proposta fora anunciada publicamente em 13 de Agosto, no âmbito do lançamento, em Macedo de Cavaleiros, de A. M. Pires Cabral, Aqui e Agora Assumir o Nordeste, antologia por aquele editada.
Foram entregues cartões de sócio aos membros da ALTM. Graficamente modestos, serão, um dia, substituídos por outros mais condignos.
Em 26 de Setembro, Fernando de Castro Branco pediu a substituição como vice-presidente da ALTM. Foi convidado para o seu lugar, em 6 de Outubro, António A. Pinelo Tiza, que aguarda homologação da Assembleia-Geral.
7.1.
O pagamento de quotas (20 euros anuais, acrescidos de jóia de inscrição no montante de dez euros, no caso de novos inscritos), via bancária (NIB: 0035 0417 00023749 430 35), cedo conduziu a um superavit.
8.
Em 12 de Junho, procedeu-se à assinatura de um protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal de Bragança e a ALTM, conforme o texto seguinte, por aquela votado unanimemente em Reunião Ordinária de 26 de Abril de 2011:
PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO ENTRE O MUNICÍPIO DE
BRAGANÇA E A ACADEMIA DE LETRAS DE TRÁS-OS-MONTES
O Município de Bragança, Pessoa Colectiva de Direito Público número 506 215 547, com sede no Forte de S. João de Deus, em Bragança, representado pelo Presidente da Câmara Municipal, Engenheiro António Jorge Nunes,
e
A Academia de Letras de Trás-os-Montes, Pessoa Colectiva n.º 509 465 161, com Sede no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira, em Bragança, representada pelo seu Presidente, Professor Doutor Ernesto José Rodrigues,
Considerando que compete aos órgãos municipais, no âmbito das atribuições cometidas aos municípios em matéria cultural, apoiar actividades culturais de interesse municipal;
Considerando que o Município de Bragança incentivou a constituição da Academia de Letras de Trás-os-Montes, com o objectivo de divulgar o património literário e incentivar a produção literária de Trás-os-Montes, as suas gentes, a sua cultura e a sua história, dando a conhecer a riqueza cultural existente nesta região;
Considerando que a Academia de Letras de Trás-os-Montes, no âmbito das atribuições definidas no artigo 4.º dos Estatutos, pretende divulgar as obras literárias produzidas por escritores de Trás-os-Montes, propondo-se para o efeito criar um Centro de Documentação de escritores transmontanos.
Entre as entidades signatárias, é celebrado e mutuamente aceite o presente Protocolo de colaboração que se regerá pelas cláusulas seguintes:
Cláusula Primeira
(Objecto)
Este Protocolo visa definir os termos de colaboração, tendo em vista criar as melhores condições para a operacionalidade da ALTM.
Cláusula Segunda
(Obrigações do Município de Bragança)
a) O MB compromete-se a ceder à ALTM, a título gratuito, um espaço no Centro Cultural Adriano Moreira, devidamente identificado para o efeito, que funcionará como sede da Academia e onde reunirão os seus órgãos e se constituirá o Centro de Documentação dos escritores transmontanos. Permitirá, ainda, a utilização por parte da ALTM, a título gratuito, do Auditório do Centro Cultural Adriano Moreira, para quaisquer actividades inseridas no âmbito dos respectivos estatutos.
b) O MB compromete-se assegurar, um dia por semana, a afectação de um funcionário do MB para apoiar administrativamente a ALTM, sob orientação da Direcção da Academia, incumbido de proceder ao tratamento da correspondência da Academia, bem como à organização do Centro de Documentação, podendo a afectação ser, pontualmente, superior, se as necessidades de trabalho o exigirem.
c) O MB compromete-se a conjugar esforços com a ALTM no sentido de encontrar outra sede para a Academia, caso as necessidades e o trabalho desta o justifiquem.
Cláusula Terceira
(Obrigações da Academia de Letras de Trás-os-Montes)
a) A ALTM assegurará a criação de um Centro de Documentação de escritores transmontanos;
b) Permitirá aos utilizadores da Biblioteca Municipal e Biblioteca Adriano Moreira o acesso ao respectivo acervo bibliotecário;
c) Compromete-se a programar iniciativas culturais, que poderão ter a colaboração do MB, sejam de índole editorial ou outra, a estabelecer caso a caso;
d) Prestará ao MB o apoio literário que lhe seja solicitado, caso a caso, em iniciativas que não ponham em causa a autonomia da ALTM.
Cláusula Quarta
(Princípios de colaboração e boa fé)
As partes comprometem-se a prestar, reciprocamente, toda a colaboração que se revele necessária à boa e regular execução deste protocolo, pautando a sua conduta em obediência ao princípio da boa fé.
O presente Protocolo entra em vigor na data da sua assinatura pelas entidades subscritoras.
9.
Em 15 de Setembro, três membros da ALTM receberam a Professora Doutora Maria da Nazaré Paes de Carvalho, da Casa de Estudos Luso-Amazônicos − Universidade Federal do Pará e da Academia de Letras e Artes de Bragança do Pará, Brasil. Além da troca de ofertas, a visitante convidou a ALTM a deslocar-se àquela cidade, por um período de, no máximo, 15 dias, e comitiva até 15 elementos. Ernesto Rodrigues comprometeu-se a encontrá-la segunda vez, em Lisboa, durante o mês de Outubro, para confirmação de datas, o que foi feito.
Lançado o desafio desta viagem aos associados, ninguém se mostrou interessado. Considera, todavia, o presidente da Direcção que deveria a ALTM corresponder, minimamente, ao convite.
Tem sido frutuosa a relação, a título pessoal e oficial, com o grémio Literário Vila-Realense, cuja informação repassamos, para benefício dos autores.
Vários blogues, incluindo os de língua mirandesa, fazem-se eco das iniciativas institucionais e pessoais.
Programa para 2012
1.Divulgação de obras, textos e iniciativas de membros da ALTM.
1.1.Apoio, em especial, á edição de Bibliografia do Distrito de Bragança, de Hirondino da Paixão Fernandes.
2.Organização da documentação da ALTM e reforço do Centro de Documentação.
3. Criação de conteúdos para o site.
4. Antologia de associados da ALTM.
5. Homenagem a Bento da Cruz, com apresentação de obra dedicada a Camilo Castelo Branco.
6. Co-organização da Feira do Livro.
7. Tertúlias literárias. Em preparação, “Escritoras transmontanas – Eduarda Chiotte”.
8. Exposição cartográfica e bibliográfica (previsão: em Setembro): literatura húngara traduzida em Portugal e literatura portuguesa traduzida na Hungria.
9. Diligências para a criação de um programa radiofónico sobre escritores transmontanos.
ALTM no Pará
O presidente da Direcção da ALTM, Ernesto Rodrigues, deslocou-se, entre 31 de Março e 10 de Abril, a Belém e Bragança do Pará, convidado pela Academia Paraense de Letras e pela Academia de Letras e Artes de Bragança, numa organização a cargo de Nazaré Paes de Carvalho, do Centro de Estudos Luso-Amazônicos da Universidade Federal do Pará.
A deslocação foi apoiada pela Câmara Municipal de Bragança, representada na comitiva pela vereadora da Cultura, Fátima Fernandes, e pela chefe de Divisão Fátima Martins. Também convidada, mas a expensas suas, deslocou-se Teresa Martins Marques, que apresentou, em Bragança do Pará, uma comunicação sobre "A Bastarda de D. João VI".
No dia 2 de Abril, após visita ao Tribunal Regional Eleitoral, orientada pelo respectivo presidente, a Academia Paraense de Letras recebeu, em sessão especial, o presidente da ALTM, que apresentou a comunicação "Uma Academia de Duas Línguas". Simultaneamente, ofereceu um exemplar de A Terra de Duas Línguas. Antologia de Autores Transmontanos e convidou os anfitriões para um encontro em Portugal, em Junho de 2013.
Por seu lado, a Academia Paraense de Letras conferiu à ALTM a Medalha Comemorativa do Centenário de sua fundação (3 de Maio de 1900).
Por seu lado, a Academia Paraense de Letras conferiu à ALTM a Medalha Comemorativa do Centenário de sua fundação (3 de Maio de 1900).
Já em Bragança do Pará, nos dias 3 e 4 de Abril, Ernesto Rodrigues falou sobre a história da cidade de Bragança e sobre "As origens da Casa de Bragança".
A Imprensa do Estado acompanhou de perto a nossa presença, com notícias n'O Liberal, Diário do Pará e Amazônia.
20 março 2012
Quadros da Transmontaneidade
O novo livro de António Sá Gué, Quadros da Transmontaneidade, é lançado no dia 23 de Março, às 14,30h, na Escola Secundária Ramiro Salgado, em Torre de Moncorvo.
19 março 2012
João de Sá (1928-2012)
Faleceu, em 23 de Fevereiro, o nosso associado João de Sá, nome grande das letras transmontanas, nascido em Vila Flor.
Integrado na antologia A Terra de Duas Línguas (2011), como forma de homenagem a um poeta, ficcionista e memorialista discreto e genuíno, fica a lembrança do seu trato amável, a par de obras que urgem um estudo aprofundado.
Principais títulos: Flores para Vila Flor (1996); Um caminho entre as oliveiras (1997); Mãe-d’Água. Ficções e memórias (2003); Assalto a uma cidade feliz (2006); Vila à flor dos montes (2008); Vozes além da fala (2008); E de repente é noite (2009); Pelo sinal da terra (2010); e Cantos da montanha (2010).
08 março 2012
Fermento de Liberdade
Lançamento de Fermento de Liberdade, de António Sá Gué, no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira, dia 15 de Março, às 18h.
Organização: Academia de Letras de Trás-os-Montes e Câmara Municipal de Bragança.
Vila Real homenageia Luísa Dacosta
A Câmara Municipal de Vila Real celebra, no dia 16 de Março, o Dia das Letras Trasmontanas e Alto-Durienses. É homenageada a escritora Luísa Dacosta, que estará presente.
A comemoração tem o seguinte programa:
17h30 – Descerramento de uma placa na Rua Cândido dos Reis.
21h00 – Palestra pela Dr.ª Maria Hercília Agarez, no Auditório da Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira.
07 março 2012
O Bairro
Carlos Ademar convida para o lançamento de O Bairro, a realizar no El Corte Inglés de Lisboa, no dia 7 de Março, 4ª feira, pelas 18h30.
17 fevereiro 2012
Bibliografia do Distrito de Bragança
Decorre no dia 20 de Fevereiro de 2012, às 18h00, no Teatro Municipal de Bragança (Sala de Actos do Município), a apresentação de Bibliografia do Distrito de Bragança (série Escritores, Jornalistas, Artistas), de Hirondino Fernandes.
Iniciativa integrada nos 548 anos de Bragança Cidade, inaugura-se, assim, uma série de volumes onde se encontrarão todos os nossos autores e artistas.
Saudamos um trabalho hercúleo, de décadas, que honra o Distrito, e relevamos a sacrificada devoção e generosa entrega à nossa cultura deste sócio honorário da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
13 fevereiro 2012
Trás-os-Montes e Alto Douro – Mosaico de Ciência e Cultura
Dia 18 de Fevereiro de 2012, às 18h00, no Auditório do Conservatório Regional de Música de Vila Real:
– Apresentação da antologia Trás-os-Montes e Alto Douro – Mosaico de Ciência e Cultura. Sessão integrada no Festival MusicAlvão.
10 fevereiro 2012
Assembleia-Geral
Convocatória
Nos termos legais, convocam-se os sócios da Academia de Letras de Trás-os-Montes para uma reunião da Assembleia-Geral da mesma, a realizar em 17 de Março de 2012, pelas 15.00 horas no Auditório do Centro Cultural Municipal Adriano Moreira, em Bragança, com a seguinte ordem de trabalhos:
1. Leitura da acta da reunião anterior.
2. Homologação do nome de António A. Pinelo Tiza como vice-presidente da ALTM.
3. Aprovação do relatório e contas do exercício de 2011.
4. Aprovação do plano de actividades e do orçamento para 2012.
5. Outro assuntos.
Se à hora marcada não houver quorum, a reunião realizar-se-á 30 minutos depois com qualquer número de sócios presentes.
Bragança, 10 de Fevereiro de 2012.
O Presidente da Assembleia Geral
A. M. Pires Cabral
01 fevereiro 2012
Fermento de Liberdade
O título de António Sá Gué saiu incorrecto no post precedente. Onde se lê Fermentos de Liberdade deve ser Fermento de Liberdade.
As nossas desculpas.
16 janeiro 2012
Fermentos de Liberdade
Dia 28 de Janeiro de 2012, às 16h00, no Auditório da Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira (Vila Real):
– Apresentação de Fermento de Liberdade, de António Sá Gué.
13 janeiro 2012
Dois novos títulos de A. M. Pires Cabral
Le illeggibili pagine dell’aqua (antologia poética), por Giorgio de Marchis (Universidade Roma 3), e Cobra-d’água, por Ernesto Rodrigues (Universidade de Lisboa), dois títulos de A. M. Pires Cabral, serão apresentados, no dia 20 de Janeiro de 2012, pelas 21h00, no Auditório da Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira, em Vila Real.
A iniciativa é da Câmara Municipal de Vila Real e das Editoras Bibliopolis (Itália) e Cotovia (Portugal).
Cruzes de Guerra
Cruzes de Guerra (Romance do fim do Império), de Henrique Pedro, é apresentado por Manuel Cardoso, no dia 27 de Janeiro de 2012, pelas 21h30m, no Pavilhão da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros.
28 novembro 2011
Texto de António Pinelo Tiza no lançamento de Ls Quatro Eibangeilhos
LS QUATRO EIBANGEILHOS
Tradução de Amadeu Ferreira
Apresentação
Foi-me dada a distinta honra de apresentar em Bragança esta obra que é a tradução para a língua mirandesa dos Quatro Evangelhos – Ls Quatro Eibangeilhos – que é, como sabemos, o livro sagrado basilar do Cristianismo. Um trabalho com a assinatura de Amadeu Ferreira que me convidou para dizer estas duas palavras de apresentação que, embora indigno, aceitei com todo o gosto e agradeço. Digo indigno sem falsa modéstia porque, na verdade, não sendo oriundo das Terras de Miranda, não conheço a língua mirandesa com a profundidade que se exige para o efeito. Estou convencido que foi a amizade que nos une desde os primeiros tempos do seminário, que em conjunto frequentámos, até à faculdade onde nos licenciámos em Filosofia. Haveria, mesmo aqui em Bragança, outras pessoas mais bem qualificadas para fazer esta apresentação. Por isso, meu caro Amadeu, muito obrigado por esta honra que me concedeste.
Amadeu Ferreira dispensa apresentações, aqui em Bragança como em qualquer parte do País, pela obra que tem vindo a realizar em prol da sua língua materna que, em boa verdade, é o Mirandês e não o Português. E não só (veja-se a orelha da contra-capa).
Quando digo que não conheço o Mirandês estou a lembrar-me da expressão que os mirandeses usam: o mirandês tem que se mamar, o que não aconteceu comigo, salvo algumas palavras que se usavam e usam pelo povo rural em toda esta região do Nordeste. José Leite de Vasconcelos, esse grande vulto da Filologia Mirandesa e Portuguesa, refere, a este propósito: “Toda a fronteira de Trás-os-Montes oferece ao exame do investigador uma notável série de linguagens, que em muitos casos se relacionam umas com as outras por quase insensíveis pontos de transição” (Estudos de Filologia Mirandesa). Parece que esses vocábulos populares nada mais são do que resquícios do antigo Leonês que, tal como o próprio Mirandês, continuam em uso nestas terras de fronteira. Mas isso não é suficiente para que possamos dizer que também aqui se fala este idioma. Bem pelo contrário. Nos nossos tempos de jovens estudantes do seminário, fui uma vez passar uns dias a casa do Amadeu em Sendim. E a verdade é que aquela forma de falar me soava a algo muito estranho. Lembro-me, por exemplo, de sua mãe lhe dizer para se “peinar” (pentear), “que íbamos a cenar”, os “caminos” e tantas outras…
Mas não será pelo facto de o Português ser para os mirandeses a sua segunda língua que o Amadeu não fez a tradução dos Quatro Evangelhos a partir do Português; ou não fosse o Português, tal como para Fernando Pessoa e para todos nós, a sua Pátria. Disso podem estar seguros. Estou seguro de que ele ama tanto a língua portuguesa quanto a portuguesa. Não foi ele que traduziu a nossa maior obra poética – Os Lusíadas? E haverá obra mais difícil de traduzir do que esta? Sabemo-lo bem desde os tempos em que tínhamos que a interpretar. Mais ainda: escreveu obras em ambas as línguas, como Tempo de Fogo, aliás, La Bouba de la Tenerie, que são uma e a mesma obra, um romance, que não propriamente a tradução do Português para o Mirandês, ou vice-versa. São a mesma obra escrita nas duas línguas. Ou ainda Stória dua Lhéngua i dun Pobo, igualmente nas duas línguas. Haverá no mundo algum outro autor que tenha escrito as suas obras em duas línguas? Talvez haja, mas contar-se-ão pelos dedos e eu não conheço nenhum.
Amadeu traduziu os Evangelhos a partir do Latim – a Vulgata de São Jerónimo – a primeira tradução do Grego (língua em que foram escritos) para a língua franca daquele tempo, a língua do Império Romano a que todos os povos do Mediterrâneo, e não só, pertenciam. A edição é a chamada Nova Vulgata, ratificada pelo Concílio Ecuménico do Vaticano II, reconhecida pelo Papa Paulo VI e promulgada por João Paulo II. Não é, portanto, uma qualquer edição mas sim aquela que está oficialmente reconhecida pela Igreja Católica. Todos estes detalhes de procedimento (que não são detalhes), suponho que nos levam a considerar que Amadeu se recusou categoricamente a ser um tradutor-traidor (il tradutore è un traditore). Suponho, repito, a forma mais adequada de não trair o pensamento dos autores, pensamento que é tão somente a base da doutrina cristã, era ir às fontes mais recuadas e acessíveis e, ao mesmo tempo, reconhecidas – a versão latina, já que a grega não estaria ali à mão de semear. Além disso, ambos nós estudámos Latim e Grego. De Latim foram uns oito anos, de grego, três. Deste, do Grego, pelo menos em mim pouco resta (já passaram 40 anos). Dos oito anos de Latim, bastante mais ficou. Está aqui patente a prova do que afirmo. O Amadeu tem melhor memória e, por isso, tem bem presente o seu conhecimento. Se assim não fosse, não estaríamos agora aqui a apresentar a versão mirandesa dos Quatro Evangelhos. Ou estaríamos – uma tradução a partir do Português – correndo o risco de termos, perante nós, um traidor do pensamento dos quatro evangelistas.
Não basta ter conhecimento da língua para se ser um bom tradutor. É necessário saber da matéria, do objecto intrínseco da obra, que é como quem diz, da sua correcta interpretação. Só então se está preparado para escolher as palavras, as expressões adequadas. Que o pensamento do autor seja devidamente expresso. Ora, o Amadeu sabe da matéria em questão. Ambos estudámos os Evangelhos, numa cadeira designada Sagrada Escritura que, por ser o que mais interessava, incidia fundamentalmente no Novo Testamento. Já nessa altura, escrevíamos artigos numa revista, que era dos alunos, intitulada RADAR (cuja colecção pretendemos agora recuperar, mas só conseguimos ainda um número), sobre esta e outras disciplinas teológicas. Posso dizer que, nos estudos que publicávamos, exprimíamos ideias novas e avançados, que vinham na sequência da abertura levada a cabo pelo Concílio do Vaticano II.
Voltando ao Mirandês, convém acrescentar que, mantendo esta língua em uso palavras ditas “antigas”, está mais próxima do Latim do que o Português. Cito Leite de Vasconcelos: “Dizia ele [o seu amigo Branco de Castro]: - “Isto é uma gíria de pastores, uma fala charra, não tem regras, nem normas!”. Mas, quando eu lhe mostrava que as correspondências dela com o Latim eram certas, que a conjugação seguia com ordem, - ele pasmava, e admirava-se que entre os cabanhaes de Genísio, e em meio dos hortos de Ifanes se pudesse ter feito cousa tão regular como era a língua que os velhos cabreiros lhe haviam ensinado em pequeno. E também se entusiasmava, e começava comigo a venerar esta deserdada e perdida filha do Latim” (p. 5).
A título exemplificativo, vejamos então uma passagem do Evangelho de João.
1 Iesus ergo ante sex dies Paschae venit Bethaniam, ubi erat Lazarus, quem suscitavit a mortuis Iesus. 2 Fecerunt ergo ei cenam ibi, et Martha ministrabat, Lazarus vero unus erat ex discumbentibus cum eo.
3 Maria ergo accepit libram unguenti nardi puri, pretiosi, et unxit pedes Iesu et extersit capillis suis pedes eius; domus autem impleta est ex odore unguenti.
4 Dixit autem Iudas Iscariotes, unus ex discipulis eius, qui erat eum traditurus:
5 “ Quare hoc unguentum non veniit trecentis denariis et datum est egenis? ”.
6 Dixit autem hoc, non quia de egenis pertinebat ad eum, sed quia fur erat et, loculos habens, ea, quae mittebantur, portabat.
7 Dixit ergo Iesus: “Sine illam, ut in diem sepulturae meae servet illud.
8 Pauperes enim semper habetis vobiscum, me autem non semper habetis ”.
(João, 12, 1-8).
3 Maria ergo accepit libram unguenti nardi puri, pretiosi, et unxit pedes Iesu et extersit capillis suis pedes eius; domus autem impleta est ex odore unguenti.
4 Dixit autem Iudas Iscariotes, unus ex discipulis eius, qui erat eum traditurus:
5 “ Quare hoc unguentum non veniit trecentis denariis et datum est egenis? ”.
6 Dixit autem hoc, non quia de egenis pertinebat ad eum, sed quia fur erat et, loculos habens, ea, quae mittebantur, portabat.
7 Dixit ergo Iesus: “Sine illam, ut in diem sepulturae meae servet illud.
8 Pauperes enim semper habetis vobiscum, me autem non semper habetis ”.
(João, 12, 1-8).
1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera e a quem Jesus ressuscitara dos mortos. 2 Ofereceram-lhe uma ceia. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Ele. 3 Então Maria, tomando uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-os com os cabelos; e a casa encheu-se com o cheiro do perfume. 4 Então um dos Seus discípulos, Judas Escariotes, filho de Simão, aquele que O havia de entregar, disse: 5 “Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres”? 6 Disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e, como tinha a bolsa, tirava o que nela se metia. 7 Respondeu Jesus: “Deixai-a, ela tinha-o guardado para o dia da Minha sepultura. 8 Pobres, sempre os tereis convosco; mas a Mim, nem sempre Me tereis”.
1 Seis dies antes la Páscoa, Jasus fui-se até Betánia, adonde moraba Lházaro a quien el rucecitara de ls muortos. 2 Ende ouferecírun-le de cenar. Marta andaba a servir a la mesa i Lházaro era un de ls que stában a la mesa a par de Jasus. 3 Ende Marie, agarrando un arrate de ounguiento de nardo puro, mui caro, ountou-le la pies a Jasus i anxugou-se-los cul pelo deilha. La casa quedou chena cul oulor de l ounguiento. 4 Judas Simon Scariotes, un de ls sous deciplos, aquel que l habie de atraiçonar, dixo: 5 “Porque nun se bendiu este ounguiento por trezientos denheiros i se dou als probes?” 6 El falou assi nó por s’amportar culs probes, mas porque era lhadron. Cumo era el que andaba cula bolsa, roubaba l que se botaba alhá. 7 Dixo-le, anton, Jasus: “Deixa-la an paç, puis l guardou pa l die de l miu antierro. 8 Als probes siempre ls heis de tener cun bós, mas a mi nun me heis de tener siempre”.
Dies (dies)
Cena (cena)
Paç (pax, pacem); cruç (crux, crucem);
Stában (stábat); andaba; roubaba; botaba; ministrabat; había (habebat)…
Dixo (dixit) - disse
Seia (seat) - seja
Eilha (illa) - ela
Cun bós (vobiscum) – convosco
Ámades (ametis, diligatis)
An mi (in me) – comigo
Ámades (ametis, diligatis)
Lhuç – “Caminai anquanto teneis lhuç, para que la scuridon nun bos agarre, puis quien anda a las scuras nun sabe para adonde bai” (João, 12, 35). Sobressai bem nesta citação a abrangência da expressão: nun bos agarre, bem mais próxima do Latim, non vos comprehendat, traduzida em Português “não vos surpreendam”. Agarrar quer dizer envolver, possuir…
Outra citação do Evangelho de João, capítulo 15, esta já em si mesma carregada de uma rara beleza literária e não só – é a elevação do princípio formulado por Jesus ao mais alto grau do humanismo e que deveria estar presente em todas as religiões, para que elas pudessem cumprir o desígnio que lhes cabe e nem sempre acontece. Mas dito em Mirandês parece soar ainda mais íntimo, afectuoso, mais humano.
9 Sicut dilexit me Pater, et ego dilexi vos; manete in dilectione mea.
10 Si praecepta mea servaveritis, manebitis in dilectione mea, sicut ego Patris mei praecepta servavi et maneo in eius dilectione.
12 Hoc est praeceptum meum, ut diligatis invicem, sicut dilexi vos;
15 Iam non dico vos servos, quia servus nescit quid facit dominus eius; vos autem dixi amicos, quia omnia, quae audivi a Patre meo, nota feci vobis.
17 Haec mando vobis, ut diligatis invicem.
9 Tal i cumo l miu Pai me amou, tamien you bos amei a bós; deixai-bos star ne l mil amor. 10 Se guardardes ls mius mandamientos, quedareis ne l mil amor; tal i cumo you guardo ls mandamientos de mil pai i me mantengo ne l amor del. 12 L mil mandamiento ye este, que bos ámades uns als outros, tal i cumo you bos amei. 15 Yá nun bos chamo criados, porque l criado nun sabe l que faç l amo del; mas tengo-bos chamado amigos, porque bos tengo dado a saber todo l que oubi de miu Pai. (…) L que bos mando ye que bos ámades uns als outros”.
Não se diz que o Mirandês é a língua dos afectos ou, como refere Leite de Vasconcelos, “a língua do lar, do campo e do amor”? (p. 12). Pois bem. É esta a sensação que nos fica ao lermos ou ouvirmos ler (para os que não a sabemos falar como deve ser) este basilar mandamento de Cristo e do Cristianismo.
Suponho que estas duas citações serão suficientes para compreendemos o alcance deste trabalho de tradução dos Quatro Evangelhos – o livro sagrado por excelência do Cristianismo.
Para uma tradução isenta, em relação ao autor, e compreensível para os leitores ou ouvintes, para além das citadas exigências (conhecimentos das línguas e das temáticas em questão), é imprescindível conhecer em profundidade o povo que fala a língua e adoptar as expressões mais adequadas a cada contexto em concreto; apenas dois ou três exemplos:
“Yá nun bos chamo criados” (João 15, 15). Criados e não servos. O primeiro vocábulo é o mais aceitável em Mirandês e não servos, como aparece na tradução portuguesa. No povo mirandês não se praticava a escravatura para a qual nos remete o termo servo; isso era coisa dos nobres. Este será, portanto, um exemplo de como não basta conhecer a língua e a matéria em causa (a que se traduz), mas também o povo a que se destina, que o Amadeu conhece como ninguém. Por isso, aplica exactamente a terminologia mais compreensível e adequada.
“Habeis de chorar i quedareis penerosos…” (João, 16, 20), frase traduzida em Português: “Chorareis e lamentar-vos-eis”. “Quedar penerosos”, cheios de pena, provavelmente terá, no povo mirandês, mais intensidade do que o verbo lamentar, usado na tradução portuguesa.
Outro exemplo: “Tubírun-me senreira sien rezon” (João, 15, 25) – “Odiaram-me sem motivo”. O Amadeu sabe porque usou a palavra senreira em vez de ódio; o mesmo poderemos dizer de rezon, em vez de motivo. Talvez porque aquelas (senreira e rezon) têm mais força, acentuam mais o sentimento e a ideia que se pretendem expressar e, portanto, são as que mais se coadunam a este contexto.
Outro ainda: “Darei porrada ne l pastor i las canhonas de l ganado ban-se a scapar cada una para sou lhado” (Mateus, 26, 31) – “Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho dispersar-se-ão”. Qual destas duas formas terá mais força, qual será mais incisiva na ideia que se pretende transmitir?
E por falar em língua de afectos, é gratificante constatar o uso frequente de diminutivos no Mirandês, como forma de expressar a afectividade. Se o Português é muito rico neste recurso linguístico, o Mirandês ainda é muito mais rico. Atendamos a esta citação do Evangelho de João, 16, 16-20:
16 “Mais un pouquito i nun me bereis; i inda mais outro pouquito i tornareis-me a ber, porque you bou pa l Pai.”
17 Ende, alguns de ls sous deciplos dezírun uns pa ls outros: “Que quiren dezir estas palabras” “Un pouquito i nun me bereis”; i “inda mais outro pouquito i tornareis-me a ber”; i tamien “porque me bou pa l Pai?” 18 Dezien assi: “L que quier dezir “un pouquito”? Nun sabemos l que stá a decir.”
19 Jasus dou-se de cuonta que le querien preguntar algo i dixo-le: Preguntais-bos uns als outros subre l que you dixe: Un pouquito i nun me bereis i inda mais outro pouquito i tornareis-me a ber? 20 Lhembrai-bos bien de l que bos digo: Habeis de chorar i quedareis penerosos (…)”
Toda esta ambiência está carregada de afectividade: Jesus que anuncia que vai para junto de seu Pai, a quem ama, os discípulos que ficaram apreensivos por se darem conta que iriam ficar sem ele, esta forma de não compreenderem ou não quererem compreender, por ser tão doloroso… É a nossa saudade.
A terminar, a questão das traduções anteriores dos Evangelhos, um tema que Amadeu desenvolveu muito bem na sua intervenção em Lisboa, no acto de apresentação desta mesma obra (Blog Studos Mirandeses). Por isso me dispenso de aprofundar a questão e limitar-me-ei a umas breves referências, só mesmo para concluir.
José Leite de Vasconcelos na obra Estudos de Filologia Mirandesa, refere a tradução feita por Bernardo Fernandes Monteiro, em finais do século XIX, de alguns capítulos do Evangelho de São Lucas e a Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios. Estes textos foram publicados na Revista de Educação e Ensino. Mais tarde, o mesmo Bernardo Monteiro acabou por traduzir os Quatro Evangelhos, que se encontram manuscritos. Desta tradução foram publicados, em 1897, apenas alguns trechos, pela mão de Trindade Coelho (outro amante da língua mirandesa), ao tempo considerada um dialecto, no jornal O Repórter.
António Maria Mourinho, sacerdote, historiador e mirandês, já nos anos 80 do século passado, traduziu para Mirandês e publicou no Mensageiro de Bragança alguns trechos dos Evangelhos, com objectivos litúrgicos, segundo o próprio Amadeu Ferreira. Ficamos sem saber se chegou a utilizá-los em alguma cerimónia litúrgica. Se o foi, talvez alguém se lembre disso. Seria interessante investigar no terreno, isto é, nas paróquias por onde ele passou.
Não sei qual teria sido a fonte que serviu de base a estas traduções, se foi o Latim (a Vulgata) ou o Português. O que sabemos é que a Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa não tinha sido assinada, o que só veio a acontecer em 1999, um facto decisivo para a sua afirmação e reconhecimento como língua – a nossa segunda língua oficial. Um facto que outras línguas minoritárias invejam por não o terem conseguido, apesar dos esforços que os povos seus falantes têm desenvolvido. Agora, esta obra que hoje aqui nos é apresentada por Amadeu Ferreira tem a garantia de um estudioso competente de ambas as línguas, da fonte fidedigna na qual se fundamentou, da matéria em questão e do conhecimento profundo dos seus principais destinatários – o povo mirandês, ao qual ele pertence.
Já depois da Convenção, Amadeu Ferreira começa traduzir e publicar trechos dos Evangelhos no Mensageiro de Bragança. Desta feita, sabemos que este trabalho foi realizado com base no texto latino da Vulgata e, obviamente, observando as normas da Convenção, em cuja feitura ele próprio participou.
Prosseguiu o trabalho iniciado em 2002, para agora o terminar e no-lo apresentar. Pelo meio, como sabemos, escreveu e traduziu as obras de que temos conhecimento. Desde as primeiras traduções, foi preciso esperar mais de um século até que pudéssemos dispor desta obra em Mirandês – o livro sagrado da doutrina cristã.
É minha convicção de que, assim como a tradução de Os Lusíadas deu um impulso decisivo para a afirmação do Mirandês como língua oficial em Portugal, também a tradução dos Quatro Evangelhos dará o mesmo contributo perante a Igreja e os fiéis católicos mirandeses e portugueses em geral.
Termino formulando dois votos.
O primeiro é um repto ao Amadeu – a tradução de todo o Novo Testamento. Digamos que o mais difícil está feito. Agora faltam “apenas” os Actos dos Apóstolos, as cartas às muitas comunidades de cristãos de Paulo, João e Judas (que não o Escariotes, mas o santo) e o Apocalipse de João, esse belíssimo e esotérico livro final.
O segundo voto. Sendo o Mirandês língua oficial e sendo o Evangelho a Palavra de Deus, pois que passe esta palavra a ser proclamada nesta língua nos actos litúrgicos. O momento parece-me o mais oportuno: um bispo jovem e aberto à modernidade, natural da diocese e, portanto, sensível às idiossincrasias culturais do rebanho que apascenta. Necessitaremos de sacerdotes sabedores desta língua? Por certo. Os que são oriundos das Terras de Miranda, mais ou menos jovens, hão-de dominá-la porque de crianças a aprenderam, mesmo que a não tenham estudado, como agora acontece. Aos restantes, nada mais que pedir-lhes este esforço apostólico.
Ao Amadeu Ferreira, as minhas homenagens, em meu nome pessoal e, se me é permitido, em nome também da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
Bem hajam.
António A. Pinelo Tiza
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