13 novembro 2011

HISTÓRIAS QUE O POVO TECE – CONTOS DO MARÃO de Hercília Agarez


    Realizou-se no passado dia 4, em Vila Real, a sessão de lançamento do primeiro livro de ficção de Maria Hercília Agarez,, que publicou, em 2001, A BRINCAR QUE O DIGAS, Crónicas, e MIGUEL TORGA; A FORÇA DAS RAÍZES, ensaio, em 2007. O evento teve lugar na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, onde a autora leccionou, e a apresentação coube a Ana Paula Fortuna, sua colega de grupo e de afectos.
    Após ter passado imagens da fadista Marisa a cantar um fado em que fala do povo, protagonista da maioria dos contos da colectânea, a apresentadora focou os seus aspectos mais relevantes, tendo destacado o que a seguir se transcreve:

Há uma música do povo,/ Nem sei dizer se é um fado / Que ouvindo-a há um ritmo novo / No ser que tenho guardado. Estes são versos deste belíssimo fado entoado por Mariza e que são da autoria do nosso querido poeta Fernando Pessoa. Fala-nos do povo, da música, do ritmo novo que esta imprime ao ser que todos guardamos na memória. Que relação com este livro? Toda. Primeiro este livro cheira e sabe a povo, tem a sua melodia. Em segundo lugar, se atentarmos no título da obra, somos imediatamente transportados para o poema do insigne poeta Fernando Pessoa O Menino de sua mãe, mais precisamente para o verso grafado entre parêntesis (Malhas que o império tece). E então? Histórias que o povo tece, histórias construídas malha a malha pela inteligência do narrador que ora se revela em comentários bem-humorados, irónicos ou afectuosos, ora se esconde, dando ênfase às personagens. Do império nada mais resta que o povo e a sua língua que, segundo o mesmo poeta, é a nossa pátria.
(…)Tenho esperança que o registo escrito destes contos permitam a alguém futuramente reconstituir o que pouco a pouco está a ser destruído e que estes possam constituir memória deste Povo e desta Pátria desaparecidos no combate dos números, essa terceira guerra mundial de que ninguém parece aperceber-se. Por isso os livros são histórias e também História e, consequentemente memória.
(…) Foi com o povo e com a tradição oral que tudo começou. Era à lareira que se ouviam as histórias que os diferentes membros da família contavam, revezando-se na tarefa para não tornar monótonos os serões. Contudo, existiram sempre os exímios contadores de histórias que agregavam à sua volta toda a gente, pelo toque especial que conferiam às suas narrativas, interagindo com os ouvintes sequiosos das suas palavras. Esta é a experiência que vivenciamos, quando lemos Histórias que o povo tece de Hercília Agarez. A autora partilha connosco quinze histórias na sua maioria divertidas, temperadas com o humor e espírito crítico que lhe são característicos.
A literatura de tradição oral viveu destes episódios narrados de geração em geração, contados pelos mais velhos aos mais novos que, depois, por sua vez, se encarregavam da transmissão da sua herança.
(…) Divaguei talvez um pouco… Ou talvez não, se pensarmos que o livro que estamos a conhecer é fiel depositário de memórias e um interessante tributo à literatura de tradição oral. Dirão talvez neste momento: mas ela ainda não falou do livro…
Falei, falei. Falei de gente jovem que parte à procura de oportunidades, tema aflorado nos contos A licença de caça e A Tia Ana Mocha e o euro, tratado mais largamente em O Padre da Penana pessoa do Zeferino, o “portuga” de fato e sapatos claros, moreno de pele, de trejeitos amaneirados, dois dentes de ouro, indício de uma riqueza suada em terras do samba e dos coqueiros e deliciosamente conseguido nesta passagem de História de um violino:
A Preciosa tinha ido para a Suíça com o homem, o Ilídio da tia Zefa. Por lá se enraizaram, lá lhe nasceram os três filhos, ganharam bom dinheiro a trabalhar numa fábrica de relógios e da aldeia nem sombra de saudade. Vinham aí passar uns míseros quinze dias de dois em dois anos e estavam tão mortos pelo dia da partida como a mãe por os ver pelas costas.
Aquela canalha estrangeira não a sentia como sua. Daquela algaraviada que falavam, não entendia patavina e, desconfiada, pensava que estavam a fazer pouco dela, das roupas humildes, do poupo, do avental, das socas e da maneira de ajeitar o lenço na cabeça.
Um dia perdeu a paciência. Os dois netos mais miúdos desataram a abrir as goelas como se estivessem a esfolá-los. Guinchavam ao desafio e aquela gritaria tinha vindo para ficar.
Não se conteve:
– Carago! Rais partam nos fedelhos! Ao menos a berrar falais todos a mesma língua…
 (…) Outros temas poderiam ser referidos, todos eles trabalhados com a mestria da autora que sempre lhes imprime o seu cunho pessoal e intransmissível.
A linguagem é sempre especializada: popular na voz do povo, cuidada na voz do narrador, a quem não falta vocabulário específico da vitivinicultura e de outros temas.
O conhecimento neste livro é muito e extremamente proveitoso, não faltando referências à cultura e literatura francesas particularmente caras a todos os que são cultos.
O narrador conta as histórias em terceira pessoa num aparente distanciamento, traindo-se, no entanto, no conto Xanica: Dos Pergaminhos aos afectos precisamente pelos afectos que exigem uma primeira pessoa na recepção de uma gata que se estava nas tintas para os pergaminhos aristocráticos, optando pelo fofo dos regaços e pelas carícias da plebe.
Atente-se, entre muitos outros aspectos de destaque, no pitoresco dos nomes desta gente com quem terão de conviver na leitura desta obra: do lado dos pergaminhos, a Menina Benvinda do Céu Pureza da Cunha, Senhora D. Leogevilda Boaventura de Castro Noronha, Menina Cândida Inocência do Espírito Santo, Senhora D. Florência Augusta Mendes Alvarenga, Senhora D.Piedade da Purificação Trindade Palmela, Senhora D. Hermenegilda dos Anjos Silvestre, esposa do Dr. Acácio Tiradentes Silvestre (por mero acaso médico odontologista) e, do lado do povo, Manel Hortelão, Quinhas da Eira, ti Zé da Mula, Artur Pastor, Ana Pinta, Micas Tecedeira, Rosa Correcha, Berta do Arnesto,Rodas Baixas, Tonha Pinguinhas, Chico da Venda, Rita Ratada, Bento Moleiro, Rufina Parreca, Teresa Fazminga, Zé das Iscas, António Grilo, Marcelino da Quelha Torta, Zé da Poda, Júlio da Manca, Preciosa Nabiça, Terêncio da Mestra,Francisca do Vi-ou-Racha, Jeremias Bigodes, Afonso da Biquinha, Arlindo Zarolho, Berta Coruja, entre outros.
Não sei se esta é uma guerra de classes, nem quem sai vencedor, mas nestas coisas há sempre um equilíbrio, até na rivalidade entre aldeias que aparece num aparte do narrador no conto Escrever direito por linhas tortas:

[A propósito desta aldeia, próxima de Vila Real, na estrada para Murça, não resiste o narrador a contar um episódio bur­lesco. Famosa pelo seu cruzeiro e, sobretudo, pela sua fonte romana, causava a inveja aos de Merouços e de Alvites que, para arreliar os habitantes, lhes diziam: “Sanguinhedo é terra de putedo.” A resposta à letra era difícil, por dificuldades rimáticas, pelo que se limitavam a mandar os vizinhos àquela terra escrita em letra minúscula e para onde são tantos os mandados como para o melhor destino turístico…]
À boa maneira do povo…
Resta-me terminar, com uma citação de Maquiavel: Para bem conhecer a natureza dos povos, é necessário ser príncipe, e para bem conhecer a dos príncipes, é necessário pertencer ao povo.
Boas leituras!

Ana Paula Fortuna

A finalizar, Hercília Agarez apoiou as suas palavras num powerpoint em que apresentou marcas resistentes de uma ruralidade em vias de extinção e por ela captadas em aldeias referidas nas suas narrativas.

    

08 novembro 2011

Lançamento de Ls Quatro Eibangeilhos



CUMBITE
La Sociedade Bíblica i la Associaçon de Lhéngua Mirandesa ténen l gusto de bos cumbidar pa l salimiento de la obra Ls Quatro Eibangeilhos, traduçon an mirandés de Amadeu Ferreira
l die 12 de nobembre (sábado) a las 16h30 na Lhibrarie Ferin, na Rue Nuoba de l Almada, n.º 70, Lisboua
cun apersentaçon de l Porsor Aires Nascimento, de la Academie de las Ciéncias de Lisboua



03 novembro 2011

Aqui e Agora Assumir o Nordeste



Dia 8 de Novembro de 2011, às 21h00, no Auditório da Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira (Vila Real):

Apresentação de Aqui e Agora Assumir o Nordeste, textos de A. M. Pires Cabral organizados por Isabel Alves e Hercília Agarez. 

A antologia é uma  iniciativa da Academia de Letras de Trás-os-Montes, que junta a sua chancela à Âncora Editora. 


06 outubro 2011

A. Pinelo Tiza é vice-presidente da ALTM

António Pinelo Tiza aceitou, hoje, 6 de Setembro, o lugar de vice-presidente na Direcção da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
Segundo os estatutos, o membro agora cooptado será ratificado em próxima assembleia-geral.
Pinelo Tiza substitui no cargo Fernando de Castro Branco, que se demitiu por razões pessoais.

Ernesto Rodrigues

05 outubro 2011

Salimiento de MENSAIGE de F. Pessoa, an mirandés




Salimiento




MENSAIGE 
de Fernando Pessoa



L poeta ye eiditado pula purmeira beç an lhéngua mirandesa, cun traduçon de Fracisco Niebro

Casa Fernando Pessoa (Rua Coelho da Rocha, 16 – Campo de Ourique, Lisboa)
14 de Outubre (sesta), 18h30


La Zéfiro, l'Associaçon de Lhéngua Mirandesa i la Casa Fernando Pessoa cumbídan-bos pa l salimiento de l lhibro “Mensaige” de Fernando Pessoa nel die 14 de Outubre, Sesta, a las 18h30.
Staran persentes Amadeu Ferreira i l poeta Fernando Castro Branco, outor de l'Antrada, que apersentará l lhibro, i ls eiditores.
Este ye l purmeiro lhibro de Fernando Pessoa a ser traduzido pa la lhéngua mirandesa i faç parte de la coleçon “An Mirandés” de la Zéfiro.

01 outubro 2011

Tertúlia literária

 
Decorreu ontem à noite na Biblioteca Municipal de Bragança, de forma viva e participada, mais uma Tertúlia Literária: organização conjunta ALTM - CMB. A comemoração dos 150 anos do nascimento de Trindade Coelho foi o tema de há muito agendado para a já habitual conversa em torno de livros e autores transmontanos. O ficcionista, o jornalista, o pedagogo, o jurista, o homem politicamente empenhado foram algumas das facetas do autor do Mogadouro abordadas pelos presentes. Ao Doutor João Cabrita, estudioso do autor, coube a explanação mais circunstanciada. Fernando de Castro Branco moderou a sessão.



26 setembro 2011

Informação

O poeta Fernando de Castro Branco cessa as funções de Vice-Presidente da ALTM, «unicamente por motivos do foro pessoal», frisa.

O Presidente da Direcção da ALTM louva a sua colaboração, informando, em breve, da recomposição desta.

 
Ernesto Rodrigues

23 setembro 2011

Tertúlia dia 29 de Setembro


Biblioteca Municipal de Bragança
            29 de Setembro, 5ª Feira às 21.30
 
                  Tertúlia Literária
 
              "Trindade Coelho - 150 anos"
 
Organização conjunta ALTM/CMB, com os convidados especialistas na obra de Trindade Coelho Drs. Hirondino Paixão Fernandes e João Cabrita
 
 
 
 

19 setembro 2011

O Romance do Gramático em Lisboa

O Romance do Gramático (Gradiva), de Ernesto Rodrigues, é lançado no dia 4 de Outubro, às 18,30h, no Espaço do Autor da Bertrand Chiado, Rua Anchieta, n.º 15, em Lisboa.
A apresentação será feita por José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores.
Inspirado na vida de Fernão de Oliveira, autor da pioneira Gramática da Linguagem Portuguesa (1536), o também poeta, crítico, ensaísta e tradutor regressa à ficção 17 anos após Torre de Dona Chama.
Ernesto Rodrigues é professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes. 

06 setembro 2011

Lançamento de O Romance do Gramático



Ernesto Rodrigues apresenta, no dia 15, às 18,30h, na Biblioteca Municipal de Bragança, O Romance do Gramático (Gradiva), inspirado na vida de Fernão de Oliveira, autor da pioneira Gramática da Linguagem Portuguesa (1536).
Poeta, contista e novelista, crítico, ensaísta e tradutor, o também romancista regressa à ficção 17 anos após Torre de Dona Chama, nome da vila onde nasceu.
Professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Ernesto Rodrigues preside à direcção da Academia de Letras de Trás-os-Montes.    

20 agosto 2011

António Manuel Pires Cabral, a direcção da ALTM, as autoras e o editor da antologia Aqui e Agora Assumir o Nordeste no Centro Cultural de Macedo de cavaleiros, 13 de Agosto de 2011

09 agosto 2011

A. M. Pires Cabral homenageado pela ALTM


É no próximo dia 13 de agosto que a ALTM vai prestar merecida homenagem ao escritor A. M. Pires Cabral, presidente da Assembleia Geral, dia do seu 70.º aniversário. Todos estão convidados a comparecer no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros e a inscrever-se no almoço que se seguirá.







03 agosto 2011

Ernesto Rodrigues


Nos passados dias 27 e 28 de Julho, prestou provas de Agregação na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o presidente da ALTM, Ernesto Rodrigues, professor naquela Escola.
O candidato superou as provas com êxito, daqui lhe endereçando os meus parabéns.
Foi um privilégio ter podido assistir à brilhante lição dada por Ernesto Rodrigues, no dia 28 de Julho, tendo como tema FASTIGÍNIA, obra de que fez uma edição monumental com mais de mil páginas, onde reune a imensa e profunda investigação realizada. Além da brilhante lição dada sobre aquela obra, Ernesto Rodrigues avançou ainda com argumentos novos e consistentes para atribuir a (controversa) autoria de A Arte de Furtar ao mesmo autor de Fastigínia, Tomé Pinheiro da Veiga, facto que, só por si, consttitui um feito notável e de grande relevância literária e cultural.

Amadeu Ferreira


02 agosto 2011

Fastigínia


Cem anos após a edição de Sampaio Bruno, Fastigimia (título incorrecto), sai Fastigínia (1605), de Tomé Pinheiro da Veiga (1566-1656), assente em 13 manuscritos. Pela primeira vez, falava-se em D. Quixote e Sancho Pança, mesmo num Cervantes enigmático, no quadro das festas de Valladolid, que acompanharam o nascimento do futuro Filipe IV.
Introdução, fixação do texto, variantes e notas (por Ernesto Rodrigues), com 24 reproduções de manuscritos, perfazem 1065 páginas, em capa dura.





Um livro bem-humorado, como raros, na literatura europeia.






25 julho 2011

APESAR DO VENTO


[Publicamos de seguida o belo texto que a Mara e o Marcolino Cepeda nos enviaram, com o convite renovado para partcipar no blogue que acabaram de lançar
http://nordestecomcarinho.blogspot.com/]



Apesar do vento, Bragança acordou hoje cheia de sol e de calor. Tudo convidava a um passeio sem horas. Nada de pressas, apenas o embeber a alma na natureza, sempre tão pródiga em pequenos e grandes detalhes, em belas paisagens, em perfumes simples e naturais.  
Podemos apreciar o belo azul do céu, o mais belo azul do mundo inteiro. Quem me dera poder transportar nos olhos este azul para onde fosse, mesmo que a alma e o coração estejam tristes e enevoados. Mesmo que a chuva caia insistentemente qual garoa paulistana, tão aniquiladoramente frustrante, como o sonho mais íntimo que não conseguimos realizar.
Trás-os-Montes brilha em todo o seu esplendor. Começamos a receber os imigrantes que por este mundo labutam sem nunca esquecerem a terra que os viu nascer.
Pertencemos ao sítio onde pela primeira vez o oxigénio nos feriu os pulmões ou onde involuntariamente emitimos o nosso primeiro vagido. É qualquer coisa inexplicável. Pode ser que a genética explique… Faz parte de quem teve a sorte ou o azar de aqui iniciar uma vida.
O nosso desejo é que este sentimento incompreensível que nos faz regressar sempre que a vida no-lo permite, possa, de alguma forma, repercutir-se a bem da nossa região.
O que nos move, a mim e ao Marcolino, é esse sentir. Foi por esse pressentimento que eu atravessei o Oceano Atlântico, não porque não fosse feliz em S. Paulo, mas porque estava escrito que era aqui que deveria estar.
Este blogue é um pequeno grão de areia neste mar imenso de meios ao nosso alcance para divulgar ideias, pessoas, actividades que nos obriguem a falar de Trás-os-Montes.
A generalidade das pessoas tendem a atribuir maior importância ao que é “estrangeiro” (entenda-se: “Santos da terra não fazem milagres”) esquecendo-se do que de melhor existe, à distância de um olhar, de uma leitura atenta, de uma tertúlia entre amigos pela madrugada fora, onde nos falam de conterrâneos que realizaram/realizam feitos verdadeiramente excecionais.   
Então, nasce a ideia de divulgar estas pessoas e os seus feitos. Muitos contactos realizados, alguns convites declinados, alguns quilómetros calcorreados em prol de uma ou outra entrevista, surgiu o programa de rádio.
Alguma pesquisa, alguma insistência, conseguimos reunir os dados necessários para estruturar a coluna vertebral do projecto.
Fizemo-lo. Foi para o ar e em oitenta e duas semanas tivemos o prazer de conhecer pessoas absolutamente fantásticas, cada uma com as suas características e particularidades, actividades e ofícios, sonhos realizados e por realizar com as quais aprendemos muito. Estas, pouco mais de oitenta, conversas dividiram-se por um período de três anos e de acordo com a programação da RBA.
Tentámos publicar em livro todo o material daí advindo mas não conseguimos que se concretizasse, por falha nossa, talvez. Ficámos incomodados. Tínhamos material de excelência que não podia ficar na gaveta.
Há momentos de alguma iluminação e, lembrei-me de que o poderíamos divulgar com a utilização das novas tecnologias da comunicação. Se bem pensado, melhor concretizado.
Aqui estamos e o que mais desejamos é atrair muitas pessoas para a nossa causa: a defesa da nossa região; a divulgação das suas potencialidades; o surgimento de ideias em prol do desenvolvimento. Enfim, gerar um fórum de discussão onde todos possam participar e colaborar para o bem comum de Trás-os-Montes.
Este é o sonho que nos move.

Mara e Marcolino Cepeda
Bragança, 24 de Julho de 2011   




15 julho 2011

Trás-os-Montes e Alto Douro: Mosaico de Ciência e Cultura

[Aqui se deixa a intervenção de Ernesto Rodrigues na apresentação da obra Trás-os-Montes e Alto Douro: Mosaico de Ciência e Cultura, que teve lugar dia 14 de Julho de 2011, às 19 h., na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Lisboa, tal como fio anunciado neste blogue.]




Ernesto Rodrigues

Foi apresentada, em Junho, em Bragança, A Terra de Duas Línguas. Antologia de Autores Transmontanos, e já temos aqui segunda. São diferentes os critérios na escolha dos nomes que citarei – não exclusivamente nascidos na região –, com áreas de especialização que transcendem a poesia, a ficção e alguma antropologia –, mas ainda temos duas dezenas de nomes comuns. De tanta fartura nenhum outro chão se pode orgulhar, e nascendo estes frutos numa «pátria pequena», onde não vou desde 2002, quando apresentei edição de Poesias do ilustre filho Augusto Moreno, aqui evocado por A. M. Pires Cabral. Se, agora, só os vivos pesam, é um poeta maior do século XIII que nos reúne: trata-se de D. Dinis, que à terra deu foral em 26 de Abril de 1286. Vem reproduzido nas páginas 245-246, encimando o último e mais longo apartado desta obra, antes das biobibliografias dos colaboradores, lista de autarcas e iconografia – cem páginas dedicadas a Lagoaça, «terra adoptiva» de António de Almeida Santos (secundado por evocação da mulher, Maria Margarida Moreno areias de Almeida Santos), poliedricamente olhada na sua agricultura e minas, por Adília Figueira Verdelho e Hirondino Isaías; num reconhecimento militar em 1845, por Aniceto Afonso; enquanto terra de marranos, assunto versado por António Pimenta de Castro e, mais extensamente, pela dupla António Júlio Andrade / Fernanda Guimarães; na inteligência das alianças matrimoniais, por Vítor Barros. Já figuras locais de carne e osso, de sangue-azul ou típicas, do sapateiro ao coveiro, são descritas em Otília Pereira Lage e Amadeu Martins. Passam memórias na retina de Pedro Figueira Verdelho, Teixeira Leite, Maria Aliete Costa, Manuel Francisco Felgueiras Pinto, Rui Carvalho, Adelaide Neto. O presidente da Junta, Carlos Novais, traça uma fisionomia histórica, geográfica, sociocultural, paisagística e patrimonial – relevem-se pinturas rupestres e a tipologia dos moinhos – de freguesia com cerca de 500 habitantes. Enfim – primeiro que todos, ao qual é devido um aceno de gratidão –, o coordenador deste projecto, Armando Palavras, cura de aspectos religiosos de Lagoaça e Freixo de Espada à Cinta nos séculos XVII e XVIII, com anexo documental, e revela-nos a origem mítica do berço natal: Lagoaça significaria «serpente ansiosa», a crer em história de Cadmo e seu filho, bebida no ilustre transmontano Ferreira Deusdado.
Com o favor de Nossa Senhora das Graças, a cuja Comissão de Festas preside António Neto, e a rede de contactos de Armando Palavras, eis reunidos 74 autores, incluindo já as máscaras literárias de alguns e o Miguel Torga da capa e badana, no pretexto de 725 anos do gesto dinisino – e não 750, erro de contas do presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta, José Santos (p. 341). É um feito, para tão breve tempo de preparação; e mais um dos convívios possíveis, à lareira da palavra, em que a região singularmente se afirma.
Se começámos pelo fim do mosaico, honrando o próprio lugar, olhemos ao demais transmontanismo. Adriano Moreira lança um alerta: “Voltar à terra e ao mar”. A política de «reserva alimentar» tem sido esquecida pelos responsáveis, de que é corolário a desertificação do interior. O mar também foi abandonado, e o país sofre. Como proceder? A conquista do húmido elemento, desde o século XV, foi um desígnio em que se envolveram milhares de comprovincianos, alguns nomeados entre os grandes navegadores. Do concelho de Freixo de Espada à Cinta saiu o número mais significativo de missionários, mas não só, como ilustra Inocêncio Pereira. Hoje, reduzidos às metrópoles nacionais e europeias, face às quebras migratórias africana e brasileira, não é fácil encontrar um novo D. Sancho I, que repovoe, e devolva a esperança do lugar. Há, felizmente, uma premissa, que também ressalta da iniciativa que nos reúne: a inquestionada paixão do terrunho, como teve um aqui fac-similado Fernando Subtil, lembrado na prosa falada de Hirondino Fernandes. Diáspora ou «tradicional comunitarismo», segundo Luís Dias de Carvalho, seriam solução. Na era da informação – sobre que o General Loureiro dos Santos discorre –, é suficiente, julgo eu, que as redes por satélite inspirem as dos transportes e as da ciência, para que se esbata o conceito de diáspora e se actualize o de comunitarismo. Serão úteis, neste ponto, os conselhos de Maria Márcia de Almeida Trigo sobre mercado de trabalho, a encerrar o primeiro terço da obra. Visando um turismo paisagístico e cultural, alfobre tão rico não se encontra, e fica a léguas do nosso romanceiro e húmus etnológico esse Alentejo dos poetas populares coligidos há uns anos por Modesto Navarro; de costumes e tradições falam Alexandre Parafita, sobre o Entrudo; António Pinelo Tiza, sobre a festa da cabra e do canhoto em Cidões, Vinhais; do bom vinho e da castanha vertida em marron glacé, José António Silva e Jorge Lage, devendo, no meu entender, entrar nesta secção o compósito de saudades gastronómicas de Virgílio Nogueiro Gomes, o melhor generalista em comes e bebes da região. Quanto ao dicionário de transmontanismos, vêm achegas de Telmo Verdelho, um pouco dispersas por outros, como Hélder Gomes, perdido entre lagoaceiros, que podia integrar o painel da narrativa. Deslocado Virgílio Gomes, as reminiscências de Donzília Martins poderiam acompanhar incidentes flavienses e macedenses do pós-Abril de 1974 de Manuel António Pires Brás. Mas sei como é difícil ordenar uma antologia…
Na movência das nossas vidas, urge, pois, olhar para o nosso chão, acordar com olhos novos para a terra que se conhece, mas nunca sabemos por inteiro. Por isso, viajam ainda nela Bento da Cruz, João de Sá, ou, Douro acima, António Barreto, Ilda Pinto Ribeiro, Carlos Abreu. Num enfoque arqueológico, por Riba Côa, sobem Alexandra Cerveira Lima e António Martinho Baptista. Já etnografia barrosã e História pátria que transcende as fronteiras naturais da região vêm na pena de António Lourenço Fontes e Barroso da Fonte.
Entreabrem-se, assim, disciplinas científicas, facilmente coligáveis com o perfil do médico e professor vinhaense Barahona Fernandes, por Abílio Gomes, e digressões universitárias de Maria dos Anjos Pires e da borboleta azul, cujos mistérios no planalto de Lamas de Olo desvenda Paula Seixas Arnaldo. Em sentido restrito, a cultura deste mosaico recobre museologia, por Nelson Campos, sobre o Museu do Ferro de Moncorvo; pintura, com Eugénio Cavalheiro comentando visitações dos séculos XV, XVI e XVII, sem espaço, nem cor, para as reproduções; música, segundo propostas de José Neves e Paulo Pinto, sendo que este, dos Galundum Galandaina, caracteriza o grupo dentro da música mirandesa e da padronização da gaita de foles. Confesso duas surpresas: a participação de Nadir Afonso, arquitecto e pintor maior, em confissão de artista, resumindo a sua busca; e, pela primeira vez, leio três páginas de Roberto Leal, que tira dos pauliteiros, da sanfona, da música, em suma, «o sentimento de pertencer a um lugar, a um povo, a uma raça» (p. 217). Mais espaço tem a literatura.       
Tenho a honra de três pinceladas líricas – foi, decerto, por só ocupar um fólio que me convidaram para o esforço inglório de apresentar estas 400 páginas –, acompanhado por Fernando de Castro Branco, Ilda Pinto Ribeiro, Rogério Rodrigues disfarçado em Pedro Castelhano (com versos do seu mais recente livro, entre os raros não-inéditos), Sílvio Teixeira. Esperaríamos outros poetas, mas a amostra é suficiente.
Passando à mais nutrida narrativa, é significativo de uma comunhão que ultrapassa ideologias, e dá gosto ver, lado a lado, António Borges Coelho e António Passos Coelho. Aquele, além de historiador e professor universitário jubilado, mostra-se o enternecido poeta que também é, com o seu Homem do Chapéu Amarelo; este cria a sugestiva figura de um filho das ervas que terá o inaudito nome de Pai do Trabalho. Seguem-se Bernardino Henriques, Fernando de Castro Branco em tom evocativo, Fernando Chiotte Tavares entre Lisboa e França, Jorge Tuela, os diálogos insólitos de Manuel Cardoso à volta dos trasgos: «– Trasgos, que é isso, trasgos? // – Ora, senhor engenheiro, são trasgos!» (p. 101). É outro achado incluir um trago de J. Rentes de Carvalho e ouvir a figura impressiva do Faísca perguntar na nossa tão particular segunda pessoa: «– Tendes lume?!» (p. 97)
Quando, um pouco acima, subíamos o Douro, parámos na Terra de Miranda. Seria, já não uma injustiça, mas erro gritante omitir a realidade que é sermos a única terra de duas línguas, parafraseando a antologia que Amadeu Ferreira e eu organizámos. Esta indisputada riqueza justifica o texto conjunto de Carlos Ferreira e Júlio Meirinhos: aquele, definindo as vertentes histórica, antropológica, geográfica e cultural da Tierra de Miranda; este, narrando o processo legislativo de aprovação, pela Lei 7/99, de 29 de Janeiro, do Mirandês como segunda língua nacional. O feito é enquadrado pelo dito janicéfalo de Amadeu Ferreira / Fracisco Niebro. No primeiro texto, o vocábulo ‘ambuça’ alegoriza a força da palavra, que se transforma em gesto criador: o mundo nasce do fiat, é uma construção do verbo divino. Universo afim, a própria língua é um devir, tem que se dizer, buscar, multiplicar, derreter e acender em novas palavras, como anaforiza o poeta Niebro, também narrador de uma «stória trágico terrestre» vivida pelo pai do autor, na sua primeira emigração francesa, em 1947. É um documento impressionante de quem, 15 meses depois, volta a casa sem dinheiro.
Pegando na motivação com que fecha essa história – escrita por dever de memória –, outro tanto direi do escopo deste mosaico, o qual há-de perdurar entre as navegações felizes da cultura portuguesa.             




13 julho 2011

O Romance do Gramático


ERNESTO RODRIGUES (Torre de Dona Chama, 1956), poeta, ficcionista, crítico, ensaísta e tradutor de húngaro, é professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e presidente de direcção da Academia de Letras de Trás-os-Montes. Acaba de editar O Romance do Gramático (Lisboa, Gradiva, 2011).




O Romance do Gramático


Regresso à ficção com O Romance do Gramático (na Gradiva, Julho de 2011).

Formado por dois ‘livros’, O Romance do Gramático é a transcrição, com leitura actualizada, de um manuscrito (recto e verso) que o autor conheceu em família de judeus húngaros.
No primeiro ‘livro’, mostra-se, sob roupagens conventuais, um foco de resistência à ameaça turca, em 1532, na ilha de Bled, Eslovénia. O aveirense Fernão ou Fernando de Oliveira (1507-1580? 1581?), fugido dos dominicanos de Évora, dá-nos agitado romance de cristãos patriotas, o qual será posto no Index.
No segundo ‘livro’ – Uma história mal contada –, refaz-se a vida aventurosa de pioneiro, com Gramática da Linguagem Portuguesa(1536). Texto na terceira pessoa, atribuído a censor, é retomado pelo comum amigo Duarte Nunes de Leão, e deixado em herança a um inesperado copista do verso de vasto fólio – o filho que Oliveira perseguira durante 48 anos.
Entre documento e ficção, propõe-se um novo rosto do também historiador de Portugal e teórico da construção naval na Europa. Interessa reabilitar o espírito livre e heterodoxo de quem foi frade e desfradou-se, marinheiro ao serviço de França e prisioneiro de ingleses, e sofreu, por duas vezes, as injúrias da Inquisição, que o teve preso. Nesse reino do medo e da intolerância, a rebeldia e boa disposição destas páginas são o melhor antídoto, inclusive, para os dias de hoje.




11 julho 2011

Trás – os – Montes e Alto Douro – Mosaico de Ciência e Cultura - Apresentação


Trás – os – Montes e Alto Douro – Mosaico de Ciência e Cultura

         (colectânea de autores e temas oriundos de Trás-os-Montes e Alto Douro)

                                                     Apresentação

A obra recentemente dada à estampa, caracteriza-se pela sua diversidade temática e autoral. Os autores, movidos por total liberdade de consciência e pensamento, elevaram-se em asas de águia como o vento e discorreram o que lhes ditou a alma.
Dividida em “secções temáticas”, nelas está distribuído todo um manancial do rico alfobre transmontano e alto duriense.
Adriano Moreira e Loureiro dos Santos discorrem sobre temas da actualidade sociopolítica; Hirondino Fernandes, Telmo Verdelho e Luís Dias de Carvalho, reflectem sobre conceitos éticos e sobre transmontanismos.
Dos punhos de Abílio Gomes e Inocêncio Pereira, ressurgem algumas personalidades esquecidas pelo tempo.
Modesto Navarro viaja pela biblioteca da sua terra natal – Vila Flor. E Bento da Cruz, um mestre da escrita, à boa moda dos últimos narradores pronunciados por Walter Benjamin (cuja obra se não perdeu por milagre), não renuncia ao seu pátrio Barroso e ao Nordeste Transmontano. João de Sá embebe-se-nos os sentidos na sua viagem “barroca” por “terras de Dom Dinis”.
A beleza única do Douro é transposta para estas páginas através das imagens de António Barreto, ou pelas palavras simples de Ilda Ribeiro.
A poesia brota da alma erudita de Ernesto Rodrigues, do arrebatamento de Fernando Castro Branco e Pedro Castelhano e da simplicidade de Sílvio Teixeira.
António Borges Coelho com o seu “chapéu amarelo” esvoaça para lá da medievalidade onde é especialista; A. Passos Coelho, descreve com a sabedoria de um veterano as emoções humanas da sua aldeia, análogas às de Tolstoi, esse gigante russo, em “Servo e Senhor”.
Bernardino Henriques, Fernando Chiotte Tavares e Jorge Tuela embarcam em narrativas lúcidas e incisivas. Já J. Rentes de Carvalho com o seu “faísca” e Manuel Cardoso com os seus “trasgos” nos transportam para temas com laivos da Região.
Carlos Abreu filmou-nos a sua Loisa e Márcia Trigo divaga sobre um tema caro a todos – o trabalho.
Dos costumes e tradições descritas por Alexandre Parafita e António Pinelo Tiza, segue-se viagem por terras de Riba Côa no breve trecho de Alexandra Lima e por terras de Foz Côa com a descrição de António Martinho Baptista. Alarga-se o passo para aportar em terras do Barroso descritas pelo padre António Lourenço Fontes e Barroso da Fonte. O vento de Norte traz-nos então notícias das terras de Miranda, esculpidas em cinzel de ouro por Amadeu Ferreira, acompanhado na jornada por Carlos Ferreira, Júlio Meirinhos e Fracisco Niebro.
Donzilia Martins transporta-nos para lugares da infância e Virgílio Gomes para as saudades da sua Bragança.
Da arte ocupa-se Eugénio Cavalheiro, e Nadir Afonso medita com profundidade sobre conceitos que há muito o preocupam.
Os acordes musicais surgiram das melodias de José Neves, Paulo Preto e Roberto Leal; o renascimento do ferro moncorvense surge das mãos de Nelson Campos.
Da Ciência tratam os textos de Maria dos Anjos Pires e Paula Seixas Arnaldo. Aquela discorre sobre a Medicina Veterinária e esta sobre a leveza e a graciosidade desses seres esvoaçantes, pelos quais Winston Churchill tinha um carinho especial: as borboletas.
José António Silva e Jorge Lage tratam-nos do estômago. A gastronomia surge ao de leve pelos seus punhos; a crítica social ficou a cargo de Pires Brás.
A homenageada, a freguesia de Lagoaça que comemora os 725 anos de foral outorgado pelo Rei Dom Dinis, recebeu presente especial: um capitulo próprio. Inicia com uma canção de Monsenhor Ângelo Minhava e um belo estudo de A.M. Pires Cabral sobre o professor Augusto Moreno.
Aniceto Afonso aborda acontecimento antigo. Um reconhecimento militar que por lá passou em 1850. António Pimenta de Castro, António Júlio Andrade e Fernanda Guimarães tratam um tema caro à região – a questão judaica. Aliás, abordado por mãos de mestre no recente romance de Amadeu Ferreira: Tempo de Fogo. Vítor Barros elabora uma síntese antropológica sobre alianças matrimoniais, Maria Otília Lage vai à infância buscar memórias de laços de amizade, intercalando-os com um estudo robusto sobre o concelho de Freixo de Espada à Cinta e Teixeira Leite esboçou uma aguarela sobre a igreja da freguesia. Focaram-se “Aspectos periféricos da religiosidade nos séculos XVII e XVIII” e Mandocas ficou-se pela lenda (ou mito de origem) da freguesia.
O capítulo completa-se com textos de profundo arrebatamento de alma, como os de Almeida Santos, Margarida Almeida Santos, Pedro Verdelho, Ilda Verdelho, Hirodino Isaías ou Rui Carvalho.
Aline Costa, Amadeu Martins, José Santos e Manuel Francisco, forneceram os seus testemunhos pessoais; de outras terras trata Hélder Gomes, encerrando-se com um poema a Nossa Senhora das Graças de Adelaide Neto.
O aspecto gráfico foi da chancela da Exoterra, a Edição é da Comissão de Festas de Nossa Senhora das Graças, sendo seu presidente António Neto, a que se deve a logística, e teve colaboração local de Carlos Novais, presidente da Junta de Freguesia de Lagoaça.
A nós coube-nos dar-lhe vida coordenando-a e organizando-a, com o prazer de um menino que lá longe ouviu contos dessas terras no regaço de sua avó materna.
E não só …

Armando Palavras