Alexandre Parafita, Património Imaterial do Douro. Narrações Orais. Contos. Lendas. Mitos
Notas para apresentação da obra na FNAC do Centro Comercial Vasco da Gama, Lisboa, 24/02/2011 [a complementar / desenvolver / precisar em termos orais].
Apesar do seu aspecto lacunar e de a maioria das ideias apenas ser sugerida neste documento e ter sido essencial o seu desenvolvimento oral, aqui se deixam estas notas a marcar o lançamento.
1.
Começar com referência a Alexandre Parafita e ao seu trabalho sem descanso no domínio da literatura de tradição oral: pelos estudos académicos realizados, pelas inúmeras publicações efectuadas e pelas recolhas feitas na região do Douro e de Trás-os-Montes, é hoje um dos mais importantes investigadores do nosso país neste domínio. Ao contrário de muitos, tem dado conta pública do seu trabalho, e esta é uma questão essencial pois é este um domínio de claro interesse geral e não apenas dos estudiosos.
2.
A investigação onde assentam as obras aqui em apresentação integra-se no Plano de Inventariação do Património Imaterial do Douro, levado a cabo pelo Museu do Douro, com o apoio da FCT (Fundação de Ciência e Tecnologia) e em ligação com importantes departamentos universitários de que o autor faz parte [Universidade Nova de Lisboa e Universidade do Algarve]. A iniciativa e o apoio são essenciais, mas não o é menos a sua integração em rede, para podermos dispor de bases de dados sérias, porque fiáveis e obedecendo a critérios científicos, que possam servir de suporte a novos estudos.
É o próprio conceito de museu que vai evoluindo, ganhando vida, cada vez mais longe de ser um exclusivo repositório de objectos tantas vezes desligados das pessoas que os fizeram ou que a eles estiveram ligadas. Por tudo isso cabe aqui cumprimentar o Museu do Douro na pessoa do seu Presidente e fazer votos para que o trabalho continue e possa abranger todos os 22 concelhos da região do Douro.
3.
A UNESCO deu um impulso essencial na chamada de atenção e no tratamento do património imaterial. Hoje, de forma atabalhoada, assiste-se a uma tentativa de classificar como património imaterial da humanidade certas realidades ainda antes de serem estudadas e inventariadas e obedecendo muitas vezes a objectivos políticos pouco claros ou critérios científicos pouco sérios, numa palavra, porque o tema está na moda. Tudo assenta, muitas vezes, num conceito de património imaterial que é redutor porque ligado às suas manifestações mais epidérmicas e mais vistosas.
Vejamos com clareza do que estamos a falar.
