António Cabral frequentou o curso teológico do Seminário de
Vila Real e obteve a licenciatura em Filosofia pela Universidade do Porto.
Depois de abandonar a vida sacerdotal, ingressou no ensino secundário, sendo
professor efectivo da Escola Secundária Camilo Castelo Branco. A partir de 2001
foi professor de Cultura Geral, na Universidade Sénior de Vila Real. Era
conhecido pelas suas conferências em centros culturais, escolas do ensino
básico, secundário e universitário, tanto em Portugal como no estrangeiro,
Galiza e Alemanha sobretudo, falando de temas que lhe eram preferidos, tais
como literatura, jogos populares e pedagogia do jogo.
Como animador sociocultural, fundou em 1979 o Centro
Cultural Regional de Vila Real, do qual foi Presidente da Direcção até 1991,
ano em que passou a ser o Presidente da Assembleia Geral. Foi sobretudo na
investigação e organização de festas de jogos populares que a sua acção se
tornou mais notória. Através deste Centro promoveu cinco encontros de
escritores e jornalistas de Trás-os-Montes e Alto Douro: em Vila Real (1981),
Chaves (1983), Bragança, Mirandela e Miranda do Douro (1984), Lamego, Régua e
Alijó (1985) e Vila Real (1997). Foi perito do Conselho da Europa no II Estágio
Alternativo Europeu sobre Desportos Tradicionais e Jogos Populares, realizado
em Lamego, em 1982. Foi ainda o principal responsável pela organização dos
Jogos Populares Transmontanos e Jogos Populares Galaico-Transmontanos, com
início respectivamente em 1977 e 1983. No Fundo de Apoio aos Organismos
Juvenis, que antecedeu o Instituto da Juventude, desempenhou os cargos de
Delegado do Distrito de Vila Real e Coordenador da Zona Norte, entre 1974 e
1976. Foi Presidente da Direcção e mais tarde Presidente da Assembleia Geral,
da Associação Nacional de Animadores Socioculturais, fundada em 1995. Desde
Março de 1996 até final de Janeiro de 2004, foi Delegado do INATEL no Distrito
de Vila Real, o que lhe permitiu privilegiar a cultura popular.
No domínio das letras e das artes fundou em Vila Real, em
1962, a revista Setentrião, a revista Tellus de que foi o primeiro director em
1978, e o mensário Nordeste Cultural, em 1980. Era membro do Conselho de
Redacção da revista galaico-portuguesa O Ensino. Foi agraciado com as medalhas
de prata de mérito municipal de Alijó (1985) e de Vila Real (1990). Foi
seleccionado para Maletas Literárias de duzentos livros portugueses, no
programa Territórios Ibéricos em 2004-2005. Teve uma colaboração dispersa por
revistas e jornais portugueses e estrangeiros, salientando-se a colaboração
semanal entre Novembro de 1993 e Janeiro de 1995 no jornal Público, com textos
sobre tradições populares. Colaborou ainda com o Semanário Transmontano, com o
jornal Entre Letras, de Tomar, e com os periódicos Notícias do Douro e Notícias
de Vila Real. Teve participação em programas de rádio e de televisão,
colectâneas escolares, obras colectivas e antologias de poesia, tais como
Poesia Portuguesa do Pós-Guerra, Poesia 71, Oitocentos Anos de Poesia
Portuguesa, Hiroxima, Vietname, Poemabril, Ilha dos Amores, O Trabalho, Poetas
Escolhem Poetas. Alguns poemas de António Cabral foram cantados por Manuel
Freire, Adriano Correia de Oliveira e Francisco Fanhais. Prefaciou e/ou fez a
apresentação de diversos livros, entre eles, Cantar de Novo, de José Afonso e
Ser Torga, de Fernão Magalhães Gonçalves e também de obras de escritores
transmontanos com projecção nacional como Bento da Cruz e António Manuel Pires Cabral.
BIBLIOGRAFIA:

